terça-feira, 22 de outubro de 2013

Cordas e DiD

“Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer...” (Carlos Drummond de Andrade)

Desde muito jovem a minha veia pulsou vendo a mocinha em perigo nas telas de TV. Era um vilão típico, ousado, mas tudo isso acontecia nos sonhos de moleque. Era o mar que batia com força no imenso litoral.
Mas esse sonho cresceu comigo e essa historinha bem mais tarde chegou com muita força e atende pelo nome de DiD.
E o que seria DiD? Damsels in Distress. Assim os intrépidos americanos descobriram guiados por um cara de mente aberta e sagaz chamado Irwing Klaw que recortar fotos de gibis com heroínas seqüestradas dava uma grana. E então nasceu a lenda e assim construí meu sonho.
E o que bondage tem a ver com isso?
Evidente que essas mocinhas dos filmes apareciam em perigo, e, uma vez seqüestradas elas se mostravam amarradas nas telas. Daí vem à intuição. Afinal, como fazer uma imobilização segura em que a sua donzela em perigo permaneça prisioneira?
Criou-se um estilo, o chamado por muita gente de bondage americano.
Aqui me dedico a falar desse estilo. As técnicas e teorias orientais seriam outro caso.
E este bondage americano acompanhou a evolução reaparecendo no começo dos anos sessenta após a morte de Irwing Klaw e a extinção do processo que lhe moveu o governo por violação de correspondência em tempos de guerra fria. Nesse período, os recém-chegados criaram as primeiras revistas especializadas no assunto, as famosas Detectives Magazines.
Mas toda essa retórica tem um sentido: até que ponto a simetria dos nós e o bom acabamento de uma imobilização atrai os aficionados por DiD? Seria uma clara influencia das imobilizações orientais que primam pela beleza dos nós interferindo no que foi retratado pelo cinema norte-americano?
É evidente que a beleza de uma imobilização atrai olhares curiosos e atentos. As pessoas curtem as fotografias de centenas de produtores e artistas de acordo com essa identificação entre a imagem e o espectador. Muitas mulheres com claras tendências a serem dominadas anseiam por uma cena de bondage realizada com esmero, precisão cirúrgica e, com isso, suas fotos teriam a plasticidade esperada.
Eu assumo essa tendência em meu próprio portal.
Mas os milhares de amantes de DiD espalhados pelo mundo afora estariam interessados nessa precisão?
Numa recente pesquisa realizada por portais especializados no assunto ficou claro que um grande percentual de admiradores de bondage de certa forma não prioriza esse critério. Imobilizações realizadas com duct tape – ou silver tape, como preferem alguns, apesar de nem sempre serem de cor cinza as fitas adesivas – ou algemas, têm um mesmo apelo, porque numa cena de DiD a participação da modelo e de quem a dirige em cena é responsável pela eficácia do trabalho no portal.

Portanto, acho muito bacana realizar um trabalho e ler elogios quanto ao aproveitamento das cordas de forma simétrica e perfeita dentro de uma cena, mas existem outras formas de mostrar o DiD em que as cordas ficam em segundo plano. E há que atender a demanda quando se trata de um trabalho com fins comerciais.
O artigo tem como premissa explicar aos que não possuem esse conhecimento as razões das diversidades que podem ser vistas no Fetlife ou outras redes sociais.
No Brasil a preferência pelo fetiche chamado de DiD é muito pequena, o que explica a pouca penetração do portal por aqui. No entanto, em países como Estados Unidos e boa parte da

Europa a procura é muito grande e a assiduidade bastante significativa de assinantes que bsucam o segmento.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Os Efeitos do Nylon


Meias de nylon…
Um fetiche, um objeto de desejo extremo, de sedução ou elegância?
Um acessório que é idolatrado por podólatras, bondagistas, sadomasoquistas, enfim, alcança vários segmentos de todas as formas possíveis e imaginárias.
Como os amantes dos pés lidam com o nylon? Alguns adeptos do sweat foot fetish (experimente digitar essas palavras no Google), enlouquecem quando as meias de nylon atuam retendo o suor nos pés das meninas. O efeito para esse grupo é bombástico. Quanto mais molhados os pés maior o tesão. Mas há casos de podólatras que gostam da beleza que as meias de nylon produzem quando apresentam combinações com os calçados. Estes ignoram os efeitos do suor e do cheiro e se esbaldam com a imagem sedutora da mulher.
Outra combinação interessante diz respeito à bondage e nylon.
Parte desses fetichistas é alucinada por mulher amarrada trajando meias de nylon. A viagem vai desde lingeries tipo sete oitavos a meia calça. Existem sites especializados nos quais a imagem de uma mulher descalça ou sem as meias é quase impossível, mesmo que inseridas num contexto de mais de quinze mil fotografias.
Claro que existe uma ligação intensa entre o fetiche de bondage e podolatria. É inegável essa proximidade, e porque não dizer, parentesco. O tesão por mulheres amarradas com meias de nylon vai desde a utilização das meias como ligadura, ou seja, como elemento imobilizador, até imagens onde as meninas aparecem apenas trajando as meias. Nem calcinhas são permitidas.
Daí o “ritual” segue de acordo com a imaginação de cada fetichista. Uns optam por fitas adesivas, outros por cordas, tiras de couro, enfim, tudo que possa criar uma imagem que dê vida as meias cor de pele. Assim como os podólatras, alguns bondagistas colecionam as meias de nylon utilizadas durante uma cena.
Mas não pára por aí.
Esse objeto de desejo de fetichistas também faz parte de sessões de sadomasoquismo. Não é difícil conseguir imagens de mulheres sendo flageladas com as meias de nylon rasgadas durante cenas em calabouços ou masmorras.
Normalmente, nestes casos, o interessante é conseguir acabar com a elegância da mulher aos poucos, despindo à força, peça por peça, até que sobrem apenas as meias de nylon semi destruídas.
Em sites de sadomasoquismo é comum a associação das meias de nylon com cordas de sisal. A união desses materiais se encarrega de causar o impacto que a cena necessita. As meias vão se deteriorando aos poucos até serem rasgadas com violência pelos praticantes.
Não podem ser ignorados os sites especializados em exibir mulheres colocando e retirando essas meias e lingeries. Há vários, alguns com cenas de bondage também, mas o foco central é por este material sintético.
Como dizem por aí, a mulher já nasce sabendo seduzir um marmanjo.
Tanto é verdade que as que sequer se imaginam fetichistas, utilizam lingeries para encantar seus pares. Flertam com o fetiche sem admitir qualquer proximidade. Coisas da vida...
Os efeitos do nylon em atividades fetichistas ou até baunilhas são intensos.

O prazer obtido com estes objetos enquanto estimulantes sexuais por determinado grupo de pessoas é muito grande, o que faz com que a matéria seja relevante.
Ainda que podólatras, bondagistas e sadomasoquistas tenham preferência por pés descalços um belo par de meias provocantes é sempre um fator interessante e sedutor.
Sobram questionamentos: você, amiga e freqüentadora desse espaço, em algum momento admitiria usar meias de nylon para provocar suor em seus pés a pedido de seu parceiro?

Com a palavra, as moças.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Química

 
Muita gente usa a química pra definir com propriedade alguns fatos da vida.
Relacionamentos são balizados pela suposta química entre os que se aventuram ao primeiro encontro às escuras. Transportado ao fetichismo a química é fator preponderante.
Fetiche sem química se resume a imagens repetitivas e comuns.
Atos inanimados de um teatro sem palco e sem atores. Flertar é positivo, cria identificação entre quem deseja o objeto na vitrine, mas sem o toque, o detalhe, naufraga sem rumo ou direção.
Intimidade é algo que as fotografias não revelam. Ajuda, é claro, apaga um pouco a inibição de quem atende ao chamado de quem postou a beleza esperada num lugar qualquer. Mas o toque, a proximidade, são fatores que a tecnologia jamais suplantará.
Então o sujeito gosta de pés. Admira as moças exibindo seus dotes e se esbalda salvando as fotografias que colhe de sua musa preferida. Se imagina presente, sonha, deseja. Mas não há alquimia que transforme o desejo platônico em realidade sem a participação dos dois pólos.
Nesse caso, o admirador padece diante da impossibilidade e sonha um dia tocar, beijar, sentir, cheirar e ter pra ele o que almeja.
Todas as fantasias têm uma origem. Não acontecem por acaso. Algumas vezes o desejo surge do nada e o fetichista, apaixonado e dependente aprende a criar espaço em sua vida pra conviver com dramas que terá de ultrapassar. Ser diferente parece abstrato, mas a realidade é complicada quando você se sente em distorção com o mundo ao redor.
Daí, ao encontrar quem comungue da mesma mesa e ache seu desejo legitimo a entrega é imediata. Porque sempre vai existir quem ache o fetichismo do parceiro saudável e interessante. Não pense que o mundo é só desarmonia. Há uma luz no fim do túnel.
Conheço pessoas que experimentaram fantasias e se encontraram de tal forma a ponto de construir seus castelos nesse alicerce. A vida é um encontro de possibilidades capaz de exercer esse fascínio em quem se atreve a perceber a novidade.
Portanto, se de um lado alguém se nega a tentar explorar atalhos de outro haverá quem tente através do inesperado achar a química perfeita.
Costumo dizer que no fetichismo não há espasmos e delírios fictícios. Claro que existem formas diferentes que ver o fetiche. Há os que admitem o fetiche sem rosto, sem identidade, e aqueles em que sentimento e desejo precisam andar de mãos dadas pra surtir efeito. Portanto, a química é distinta. E se há diferenças ela jamais será uma só.
É importante analisar por este aspecto uma vez que as pessoas têm por bem estipular que a química é um fator comum. Tesão é algo inexplicável, transcende os desígnios da razão. Dessa forma, a química seria pessoal e intransferível, aceitável em alguns casos, desde que a fantasia não extrapole os limites de quem se arrisca a experimentar algo muito novo.
Claro que a paquera sempre será o embrião de uma relação e sabendo dos desejos de quem se conhece fica mais fácil imaginar como mexer com o âmago de quem flerta do outro lado.
 
Alguns fetichistas deixam a timidez se embrenhar em meio a expor seus desejos, mas se ele souber trabalhar esse lado as chances de conseguir seu objetivo serão infinitamente maiores e, talvez, possa galgar parceria de onde ele menos espera.
Porque no fundo, todos querem ser o objeto do desejo de alguém. É fato.
Ainda que esse desejo se materialize por estar em perigo numa cena de seqüestro lúdico e combinado, acorrentada numa fictícia masmorra ou apenas ter seus pés endeusados por quem os observa sem o menor pudor.
Toda fantasia é válida desde que não violente sentimentos ou cause problemas em quem se dispõe a praticar.
Resumindo, a química está nesse conjunto de fatores quando se fala em fetichismo, uma necessidade extrema e totalmente relevante de estar diante do que tanto fascina.
 
O artigo de hoje é em homenagem a dona da fotografia acima que ilustra a matéria. (Maria Carolina) 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O Mau Defunto


Rede Social e Internet foram duas coisas que deram certo.
Até certo ponto sim. O tal casamento perfeito. Um nasceu pra completar o outro.
E a vida corria bem até o aparecimento de possibilidades até então restritas a ambientes distintos. Foi então que alguém descobriu que BDSM cairia como uma luva nesse segmento, desde os tempos do velho e defenestrado ORKUT.
O Facebook é uma ferramenta com restrições. E isso emputece a maioria que deseja fazer do portal um valhacouto para suas barbaridades. E que barbaridades seriam essa? Expor seus desejos numa vitrine e achar que eles são a única forma de expressão de BDSM que existe na face da terra.
E assim foi, até que um dia algumas pessoas encontraram uma página negra, bem mais atraente que uma rede social que os amigos mais próximos utilizam, chamada de Fetlife. As imensas combinações e possibilidades foram à senha de entrada. O paraíso, enfim, deu o ar de sua graça. Mas não era suficiente ser apenas parte de um todo, era preciso seguir na obstinação obtusa e sem nexo de que a opinião pessoal era o único e verdadeiro caminho, igualzinho aos pastores ordenhando seus fiéis seguidores num púlpito bem refrigerado.
E vieram os textos, as verdades que se tinha em mente.
Grupos, semi-grupos, panelinha, sei lá, o nome é o que menos importa, desde que naquele gueto a verdade dita talvez em letras garrafais no anúncio seja o único caminho.
E toda aquela velha retórica de que cada um que cuide do seu, ou cada cachorro que lamba a sua caceta vai literalmente para o espaço. Porque quem aparece normalmente não quer ter uma opinião contrária, ou se acaso tenha e se expresse, vai virar vespeiro de agulha de tanta espetada que aparecerá dos defensores de Noé e seus bichos.
E a vida segue de vento em popa enquanto o exercício de fazer valer a verdade absoluta e falar mal da vida de quem discorda se equivalem. “Aqui é meu clube, quem está desse lado da linha pode jogar e quem não está que procure sua turma”.
E tome veneno...
É o cara que trai a mulher com a masoquista do sul, a dominadora que pega o ônibus por conta própria porque o submisso se nega a lhe pagar avião quando deveria, e assim sucessivamente. Ao tempo em que outros se juntam e de tanta concordância aquilo vira um mantra celestial e todos que por ali passam despercebidos acabam acreditando em todas aquelas tolices.
Sim, tolices. Porque BDSM nunca foi uma causa.
Porque BDSM sempre foi uma forma de viver e, num país democrático, se vive da maneira que se acha conveniente. Daí se fulano é Goreano, beltrano é litúrgico e cicrano é anarquista é um problema pessoal de cada um. A pessoa tem o livre arbítrio de se expressar e dizer a que vem.
Ser casado, solteiro, gay, hetero, crente, macumbeiro, nada disso vem ao caso. E isso eu não aprendi em cursos ou palestras. Isso veio na cartilha de quem um dia deu a cara a tapa pra criar alguma coisa que hoje se denomina BDSM num lugar onde escrevemos português.
Então eu não tenho verdades, nem grupos, e, muito menos alicio pessoas pra acreditarem no que escrevo. Me expresso e só. Se alguém não concordar que discorde. Debate sempre foi à mola que impulsionou o BDSM do lado de cá dos trilhos, desde os tempos em que apenas uma meia dúzia de pessoas pensou em dias melhores.

Por conta disso eu paro, olho e leio. Se me agrada eu sigo, se não me agrada eu apenas levo minha vida. E não acendo vela pra mau defunto.
Um dia, quem sabe, criar-se-á um grupo chamado DIVA (Departamento de Informações da Vida Alheia) e eu vou aplaudir, porque ao menos não estará camuflado debaixo da empáfia de quem se autodenomina síndico de uma nova sociedade emergente do BDSM dentro das redes sociais.
E se isto de fato acontecer, quem quiser que dê asas à loucura, eu, por minha parte, economizo as minhas velas...

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A Vida, O Fetiche e a Moça


Nasci sob o signo de gêmeos, num Domingo de lua cheia dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo de cinqüenta e oito.
Claro que não me lembro quando abri os olhos, mas dentre as lembranças que trago da infância uma delas me remonta à primeira cena fetichista. E olha que estou no lucro já tendo cruzado a barreira da metade de um século.
Só agradeço não terem me levado na primeira rezadeira da esquina para tirar os demônios de dentro de mim, porque ninguém imagina um menino adorar os vilões e vibrar com eles em todas as cenas que me deixavam com os olhos vidrados.
Lembro vagamente de um dia com um cinto amarrar os braços da empregada de casa, Marly, imitando as cenas em que os índios amarravam as mocinhas nas séries em preto e branco da TV. E foi aí brother que tudo começou.
Portanto, o fetiche vem do útero jamais do berço e está dentro de nós desde que respiramos o primeiro sopro de ar poluído desse planeta.
Vieram os sonhos, delírios, até a adolescência quando já cansado das brincadeiras infantis de policia e ladrão, quando era inevitável tirar umas casquinhas das coleguinhas aprisionadas, é possível começar a articular idéias e por em prática os tais “pensamentos obscenos” que a ordem político-religiosa nos impõe.
As coisas começaram a ficar mais sérias e geralmente terminavam em gloriosas trepadas solitárias durante o banho onde era possível comer toda e qualquer garota bem amarrada, e detalhe, sem pedir nenhuma permissão para isso.
Nascem então às primeiras experiências de bondage através das gostosas brincadeiras a dois. Assim como bondage, qualquer outro fetiche segue a mesma regra tendo como ponto de partida e as primeiras ebulições esses contatos infanto-juvenis.
Por isso moça, podem sim existir fantasias de bondage sem necessariamente haver coito sexual, e claro, o aprimoramento dessas cenas que montamos como um grande teatro entre quatro paredes, vem com o tempo, passando pelos tabus da virgindade até a utilização de pequenos aparelhinhos estimulantes.
E como tirar proveito e prazer desses pequenos espasmos de fantasia?
Elementar minha cara, porque uma pequena gota de prazer para um fetichista é como time pequeno empatar com um grande, ou seja, festa na cidade e cerveja liberada.
Só existe a possibilidade de alcançar experiência se houver um desenvolvimento adequado e as barreiras forem rompidas em seu devido tempo, com confiança e astúcia. E isso é regra básica para evoluir, sem ansiedade, porque doses homeopáticas sempre foi um excelente remédio. Quem quer tudo ao mesmo tempo, quer abraçar o mundo com as pernas, acaba se perdendo num universo tão grande onde o conhecimento de cada passo se obtém com o tempo, e nada mais.
É preciso ter a noção que nascer com o fetiche na veia nos faz aproximar dessa atmosfera, mas se não houver conhecimento do terreno o qual se pisa, vira areia movediça, fácil de afundar.
Para começar toda e qualquer experiência de bondage em primeiro lugar há que existir confiança total a quem você está se submetendo, porque uma vez imobilizada a chance de dar merda é muito grande. Depois das primeiras sessões será plenamente possível perceber até onde caminhar e por qual lado seguir; carícias e estímulos, um pouco de podo, castigo com cordas, submissão, e tantos outros que vão aflorar na medida em que o rio siga seu curso sem nenhuma queda brusca que te faça afastar de um destino que você tanto deseja seguir.

O fetiche pode chegar antes do envolvimento sexual, sempre, desde que haja comprometimento consensual para que isso seja respeitado.
Nem sempre encontramos o fetiche ainda na infância, às vezes até o renegamos e nos sentimos como estranhos no ninho, mas um dia de tanto insistir ele aparece com força e nos toma de assalto, e é nessas horas que precisamos estar preparados para começar essa viagem maravilhosa.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Construindo Regras


Eu nasci com um desejo. Reneguei, cultivei, fui e sou feliz com ele.
Muitas vezes dialoguei sozinho. Num tempo de parcas saídas e pouquíssimas possibilidades de aproximação com esse desejo eu construí minhas próprias regras.
E nelas me baseei a vida inteira.
Certo dia, viajei e encontrei um mundo evoluído onde as pessoas que dividiam sonhos parecidos com os meus habitavam. Deparei com outras regras e nelas tive que me adaptar para poder lograr a simples e eficaz convivência. Procurei a conduta correta. Limitei meus muros para não ultrapassar limites e magoar pessoas e a mim mesmo.
De volta vi nascer um novo conjunto de regras muito semelhantes as que havia visto.
Pessoas comprometidas em levar a sério o ato de reunir recém chegados com uma mesma linha de raciocínio. Gente que abominava a exclusão e apostava numa inclusão cada vez mais sólida.
Participei efetivamente, apoiei e vivi cada ano como se fosse o ultimo.
E conclui...
Que a parte que me toca em tudo isso ainda é o desejo que nasceu comigo.
Se existem regras de conduta e comportamento condizente eu as sigo porque a educação e o bem viver social trago de berço, mas o BDSM pra mim sempre será uma mistura homogênea entre meu desejo e meus sonhos.
Por isso, não renego quem siga os dez mandamentos que a falada liturgia consagra de que a coleira é isso, a chibata é aquilo e que fulano não pode falar com beltrana e assim sucessivamente. Apenas tenho um entendimento meu de valorizar o sonho que me fez chegar a esse mundo.
O desejo que carrego tatuado na alma é meu e de quem quiser dividir comigo. Essa regra eu me imponho, as demais eu respeito, mas não tenho a santa obrigação de seguir. Assim construí minhas historia no BDSM e pude caminhar até aqui.
Nada me espanta e muito menos me salta os olhos.
Todos que conseguem atravessar a fronteira e chegar até aqui são maiores de idade, vacinados, sabem o que querem e que caminho escolheram. Portanto, não critico, apenas tenho a minha convicção como base e coexisto com quem tenho afinidade.
Escrevi mais de mil artigos neste blog por puro diletantismo.
Falei dos fetiches que tive noticias e dos que tive contato, ora através de amigos, outras por minhas experiências próprias. Pode não ter sido do agrado de todos, mas fiz e faço meu melhor ao tentar passar a quem chega uma pequena idéia do que existe de bom ou ruim no lugar onde depositarão suas esperanças.
E vou seguir escrevendo, vou seguir meus sonhos.
Porque tenho a plena convicção que o BDSM não muda as pessoas. Ele agrega.
Quem não tem postura no meio não tem na própria vida. Quem não segue as normas do mundo civilizado não as seguirá aqui. Não digo normas dos livros que os antigos delimitaram posições dentro do BDSM, digo normas de convívio social.

Para ser feliz no BDSM a pessoa tem que estar feliz com ela mesma.
Então eu gosto de música, adoro um papo, curto amar e adoro meus fetiches, sem eles nem saberia viver. E dou valor a isso tudo porque é daqui que consigo pequenas doses de felicidade que bem adiante vão valorizar cada passo que dei desde que imaginei um dia realizar meu sonho.
Acho que a minha noção de liberdade é sempre acreditar naquilo que trago comigo!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Dependência


Engraçado como alguns termos do cotidiano conflitam de alguma forma e de outras eles são bem vindos. Dependência. Em se tratando de vários aspectos da vida a dependência é nociva.
A dependência química, por exemplo, é intolerável, aniquila até, mas a dependência fetichista e sexual é sadia e bem vinda.
Quer saber como?
Basta experimentar encontrar alguém que tenha o perfil sonhado, desejado e imaginado.
Pode ser que existam até diferenças esféricas, mas no olho do furacão algo apaixonante e talvez definitivo esteja a caminho.
É normal que se imagine que fetichistas costumam construir castelos. Evidente. Entretanto, quando existe a possibilidade da pratica em total harmonia, a simbiose é perfeita. Não estou falando de pessoas que cedem apenas em relação a fantasias e práticas, me refiro à cumplicidade total, quando dois corpos decidem dividir os mesmos sonhos e esperanças.
Ora, não é assim nos relacionamentos?
Se existem duas pessoas dividindo uma vida, um destino, é normal que busquem a totalidade. E nas expressões fetichistas nada é diferente, porém, precisa ser mais homogêneo. É a velha história da fome com a vontade de comer. É até admissível que a fantasia apresentada tenha sido para ambos ou não um simples devaneio esquecido em algum ponto perdido, mas quando praticada se produzir o efeito do prazer comum a dependência é certa.
Algumas pessoas se negam a estar dependentes de outros nessa questão. Acham perigoso, algo como se em perdendo dificultaria até mesmo se reerguer após um lamentado fracasso, mas isso, por outro lado, significa abrir mão do direito de ser feliz.
Dizem que as mulheres têm sempre uma reserva de sentimentos guardados para esses casos, mas isso não sou eu quem afirmo, ouve-se por aí. No entanto, esse é um processo de absoluto desgaste para os dois lados e qualquer reserva é incapaz de cobrir o rastro que sobra.
De mais a mais, seria estranho falar em ruptura quando existe a força de uma relação pulsando. Óbvio que as pessoas tendem a analisar as próprias vidas quando existe a possibilidade de se expor, se abrir ou se entregar. Mas não há outra formula capaz de fazer com que o útil se alinhe com o agradável e justificar a dependência afetiva é como desafiar a própria objetividade da vida.
A correlação nesses casos é bastante obliqua. Porque não é apenas um masoquista que depende de uma sádica ou um podólatra que depende de uma deusa que lhe ofereça os pés, esse tipo de dependência vai além das próprias necessidades básicas de enquadramento dos fetiches. É a síntese do envolvimento entre duas pessoas com um combustível a mais, pronto pra incendiar tudo em volta, porque deixa de existir o envolvimento apenas para a realização de práticas, ou seja, as pessoas passam a se envolver por todos os aspectos.
Paixão não se explica, ela apenas acontece...
Pois é, conheço pessoas que se envolveram pra brincar de jogos fetichistas e hoje são totalmente dependentes um do outro.

Claro que esse tipo de decisão é uma questão de foro intimo, e cada qual deve ser responsável pelos seus próprios atos. Há pessoas que aparecem no meio e se relacionam através de parcerias extraconjugais. Isso é comum, é fato. E a responsabilidade começa justamente nesse pequeno detalhe que pode ser responsável por uma mudança inesperada de rumo ou terminar como uma passageira paixão de verão.
Cabe a quem dá o primeiro passo decidir até que ponto quer chegar, porque se houver a entrega total com certeza a dependência vai estar inserida diretamente nesse contexto, aí brother, é hora de decidir o caminho certo na encruzilhada.
Portanto, se o oceano a frente estiver de acordo com o imaginado é hora de navegar e se pintar a dependência melhor, afinal, pra ser feliz não existe hora marcada...

Concordam?

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Elas Fizeram a Nossa Cabeça


É como se aquele filme nunca terminasse.
Basta você se lembrar da sala da sua casa nos anos oitenta, de um seriado de televisão tendo ao lado amigos, familiares e na cena após os comerciais uma linda atriz aparecendo amarrada e amordaçada correndo todos os perigos do mundo.
E como ninguém tinha sequer uma pequena noção de seu fetiche favorito, era necessário reprimir toda e qualquer manifestação que te deixasse desconfortável, como uma iminente crise aguda de paudurescência que pudesse nos fazer perder o rumo e dar bandeira.
Quem queria assinar esse inquérito na época?
Embora possa parecer um conto sem graça é preciso entender que os seriados de televisão dos anos setenta e oitenta era tudo o que se tinha. Superiores aos quadrinhos do Superman e sua Lois Lane, exibiam a cores toda a exuberância de uma atriz que aparecia sorrindo na lista das dez mais.
Quem não se lembra da série “Carro Comando” (T.J. Hookers)? A policial Stacy Sheridan interpretada por Heather Locklear vivia aventuras incríveis e o diretor parceiro, de tempos em tempos, criava uma cena com essa heroína nas mãos de inescrupulosos bandidos. Havia as Panteras do Charlie, os últimos dias do Kojak que ainda respirava por aqui embora fora de catálogo nos EUA desde o fim dos anos setenta, e muitas outras que agora não me lembro, mas os amigos leitores e apaixonados por “DiD” podem ajudar.
O primeiro impulso de um bondagista é gostar de ver uma mulher amarrada e essas séries de TV nos mostravam a essência, nos davam a chance de ver o fetiche, ainda que não o tivéssemos vivido.
Se é verdade que o amor se torna eterno quando é intenso, talvez esteja nessa frase a razão de seguir gostando de assistir este tipo de produção. Claro que a Internet resume essas cenas através de clipes e vídeos nos milhares de sites disponíveis na rede, mas eu duvido que um bondagista com a chama que arde ao ver uma heroína em perigo não concorde com as minhas palavras.
O ser humano é mestre em criar suas lendas e confesso que já criei as minhas. Transferi para estrelas do cenário virtual de bondage muito do que faziam essas atrizes, flertei com novas mulheres em apuros e exorcizei fantasmas, mas nem por isso deixo de enlouquecer ao assistir um seriado com cara de Cult, onde até os créditos são dublados.
Essa verdadeira escola onde professoras do quilate de Stefanie Powers (Jennifer Hart) na série O Casal 20 (Hart to Hart) ou Linda Carter (Mulher Maravilha) ensinaram como uma mulher deve se comportar diante de uma cena de perigo, serviu de aprendizado às musas bondagistas que começaram a dar os primeiros passos em busca do estrelato justamente no mesmo período.
No começo através das revistas e fitas de VHS, depois ao invadirem a Internet e se tornarem ídolos de toda uma geração fetichista.

Hoje, como no passado, o cinema segue brindando bondagistas loucos por “DiD” com ótimas cenas, inclusive com a participação de mestres de bondage para dar um aspecto real às imagens, porém, os seriados da televisão deixaram de produzir heroínas e apostam suas fichas em tecnologia ou esporádicas aparições de mulheres em perigo em alguns episódios.
Como um bom disco de vinil as heroínas estão de volta à ribalta e ainda seguem sua saga em nossas recordações ou em blogs e sites especializados em trazer essas pérolas do passado. Em alguns portais como o Raffish Didclips (http://www.bondageparade.com/) ou o excelente Danger Theatre da minha amiga Sasha

Cohen (http://danger-theatre.blogspot.com/) é possível encontrar centenas de cenas editadas destes seriados mencionados aqui ou de outros que passaram longe de nossos olhos nessa época.
Procure pelo nome em Inglês do seriado ou por sua heroína favorita.
Sempre haverá uma cena que pode te levar por uma viagem através do tempo, onde a bandeira era inevitável, afinal elas fizeram literalmente a nossa cabeça.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Caminhos e BDSM


Tudo parece muito simples e prático pra quem se depara com o BDSM.
E não deveria ser diferente, afinal, o que mexe com desejos e emoções sempre procede.
Então, a literatura aproxima, a Internet conduz e imagens passam a ser motivos de sonhos.
No entanto, antes de tudo é preciso encontrar um caminho.
À primeira vista nada é tão complicado. As amizades surgem, encontros se sucedem e as pessoas se preparam para o desconhecido trazendo sonhos e planos e a certeza da felicidade plena.
O até então sexo apimentado passa a ter um nome e ele se transforma em dominação e submissão. Basta um tapa na bunda, uma “pegada” mais forte e o elo perdido entre a consciência e a razão finalmente dá o ar de sua graça.
Dominar e se submeter parece uma tarefa banal, simplória, nada muito distante do velho mundo que acaba de ficar pra trás. O sexo passa a ser elaborado e as coisas belas são o sonho de consumo. Cordas alinhadas, pingos de velas, um belo leque de agulhas preso nas costas e pequenos castigos logo preenchem a mente de quem está a dois passos do paraíso.
É hora de ler e aprender.
Mas aprender pra que? Ora, sexo todo mundo em idade adulta sabe como se faz, e o BDSM que aparece na tela nada mais é que fantasias que se lê nos livros e se vê até na TV.
Porém, existe uma realidade. E para viver esse lado real se faz necessário uma base para que tudo que for construído não desmorone na primeira tempestade.
O BDSM convida, mas ele pune.
E essa punição alcança novatos e experientes nas mesmas proporções, porque o aprendizado deve ser constante. Quem acha que sabe tudo, quem imagina ser o senhor da razão que esteja preparado pra queda. Sempre foi assim e assim será.
Porque não se forja um dominador na mesma proporção de que não se fabrica uma submissa.
A tendência precisa estar tatuada na alma da pessoa que se aproxima do meio em busca de um espaço para dialogar. Há critérios e exigências que se tornam evidentes na construção do DNA do praticante. E tudo tem início na conduta, nas atitudes e no aprendizado.
Por isso, é muito importante aprender e aceitar a condução correta. Tanto de pessoas como do próprio meio. Olhar e perceber, dialogar e debater, e, dessa forma o posicionamento correto virá.
Algumas pessoas defendem um BDSM sem envolvimento afetivo ou emocional no que discordo totalmente. Pode até existir, pra tudo há um acordo, uma negociação prévia, mas se vidas humanas se interpõem entre o imaginário e a realização os sentimentos brotam. E quando este enlace ocorre é preciso cuidar das sementes para que os frutos vinguem.
E, talvez, esta falta de cuidado, essa falta de noção e conhecimento sejam responsáveis por tantas chegadas e partidas no BDSM.
Ninguém deve se envolver sem antes se conhecer. E saber o papel que se quer viver na relação é primordial para que haja continuidade. Uma relação D/S está muito acima de frases feitas e copiadas como “dono de mim” e “minha peça”.

Minha pretensão nunca foi além de expressar uma simples opinião. Cada qual tem uma visão particular e o debate é muito importante em todos os aspectos. Entretanto, em vinte e um anos de lida oficial com o BDSM acredito que um binômio seja o grande alicerce para que as coisas possam caminhar num plano seguro: hierarquia e respeito.
Hierarquia no posicionamento e respeito mútuo.
Se todos os esforços forem canalizados neste sentido, o trem vai parar na estação e dele apenas desembarcarão recém chegados e no vagão ninguém entrará pra partir.
E isso já será um bom começo.
Ou até mesmo um final melhor!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Noite (im) perfeita


Ela sabe tudo de BDSM e mais alguma coisa. Estudiosa e antenada.
Ávida por um encontro sem planejamento prévio, ela topou uma dessas aventuras pouco comuns: realizar a historinha no carro.
Evidente que havia certos inconvenientes. O frio de rachar que anda pelo centro-sul e o carro que acomodaria ela com 1.74 e ele com quase 1.90, mas nada que a fizesse declinar do tal convite inesperado.
E como já se conheciam de outras jornadas tudo começou com beijos e carícias. Os vidros foram embaçando e a centelha da moça deu liga, trazendo a dominadora na conversa. Então percebeu que naquela posição só seria possível dar uma bofetada e apertar os tomates do cidadão. E foi “de com força” pelo urro do sujeito.
Trocaram de lugar, acharam que o banco traseiro era a melhor opção, mas quando um carro de policia passou devagar desistiram e voltaram à posição de origem. Que drama brother...
E toma-lhe salto na cara do rapaz que engolia sem enxergar nada naquela escuridão.
Na tentativa fracassada de lhe dar um pisão acionou a buzina. Bola fora! Tentou asfixiar o cara com o cinto de segurança e percebeu que quanto mais puxava mais cinto desenrolava e não achava o ponto que deixasse o ato seguro. E vieram mais tapas e espremidas no saco pra tentar animar a festa...
Cansada de tentar achar espaço onde não havia, mandou o sujeito se enfiar embaixo do painel do carro na altura do banco do carona onde estava. Dá pra imaginar um cara com quase um metro e noventa agachado naquele vão? Maldade pouca é bobagem! E ele de alguma forma conseguiu se enfiar no cubículo e de lá recebeu ordens explicitas para começar o sexo oral.
Ela me confessou que naquele instante teve uma loucura pra invadir o cidadão. Pra quem não entendeu, a moça queria introduzir o dedo no rapaz, fazer o famoso fio terra. Mas cadê espaço pra isso? Frustração.
Mas o camarada mandava bem e nada melhor havia que o sexo baunilha iminente.
Ela entrou na onda. Mas quando estava se adaptando a nova idéia o carro da policia aparece e o fogo abaixa. Pior era o parceiro de cócoras encaixado entre suas pernas. Se o carro para pra averiguar como explicar aquilo tudo? E ela não é tão exibicionista assim.
Mas foram levando e ela insistia em enfiar a cabeça dele entre suas pernas já com toda a força que podia. Os cabelos curtos em suas mãos se transformaram em rédeas. E balançou tanto a cabeça do pobre diabo que o enjôo foi fatal.
Dá pra imaginar a cena?
Agachado e todo borrado o rapaz era a imagem da decepção. E minha amiga não agüentando o cheiro forte daquela cena dantesca, abriu uma fresta no vidro e o viu implorar pra fechar. Detalhe: o sujeito estava peladão. Enfim a cena estava desenhada, porque ela colocou o casaco, suportou o cheiro e mandou que terminasse o serviço.
Submissão absoluta!
Esse relato é real. Aconteceu nestes dias de inverno e a pessoa me merece total amizade.

Muitas vezes as situações constrangedoras podem ser suplantadas pelo entendimento.
A lógica recomenda que as reações sejam respeitadas. Existem pessoas avessas a este tipo de situação o que torna impossível falar em continuidade após um acidente de vômito, por exemplo.
Pra esses casos não há regra e nem liturgia capaz de traçar uma linha. Cada pessoa tem um tipo de reação diante de um fato.
Tanto é que minha amiga me garante em caixa alta que o final valeu à pena.
E se valeu fica como um caso bem contado e com um final inesperado, mesmo pra alguém como ela que ama o que pratica.