terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Encontros


Alguém me passou uma mensagem sobre a possibilidade de haver um encontro de fantasias quando existe uma relação aberta a essas praticas. Claro que nem tudo pode ser festa quando não existe ligação entre esse tipo de desejo, entretanto, em alguns casos não é raro haver o encontro de dois tipos de fantasias distintas quando se resolve realizar.
Ela se diz aberta ao exibicionismo, mas não aquele em que a possibilidade de se exibir durante o ato fica explicita. Na verdade, ela gosta de correr riscos moderados.
A exibição tem a ver com fazer sexo em locais que embora estejam desertos, antes estavam habitados. Uma praia vazia, um escritório ou até mesmo um banheiro de avião, e, ainda, uma escada de prédio.
Nesse caso, entra também a sensação de perigo iminente devido à possibilidade do flagra. É normal que algumas pessoas usem o medo para aumentar a libido e não custa lembrar que em se tratando de fantasias nada é tão estranho quanto possa perecer.
Lógico que qualquer dessas situações está passível de ter um segundo elemento fetichista como parceiro. O que deve ser avaliado, no caso, é a compatibilidade de idéias. Ora, se de um lado existe à vontade e de outro também os argumentos a serem inseridos na fantasia tem que ser do agrado de ambos.
É apenas uma questão de avaliação.
A realização de fantasias que virão a se tornar um fetiche é bem simples: depende de gosto e vontade de fazer. É evidente que alguns aspectos não combinam com outros, mas são casos simples de resolver. Valem exemplos?
Então é simples. O sujeito aposta em mulheres de saltos e lingeries, entretanto se a onda dela é optar por uma praia deserta deve haver uma troca. Saem o salto e lingerie e entram biquínis e havaianas. É uma questão de concordância pura. Ah, mas o cidadão fetichista não abre mão de suas convicções! Perfeito, mas ele deve entender que a fantasia só funciona se for uma via de mão dupla, lá e cá, ou naufraga, vira alguém se anulando em detrimento do desejo alheio e com certeza essa história está próxima do epilogo. E de todo modo, não custa lembrar ao garboso sujeito que uma mulher de espartilho e salto na praia beiraria o ridículo.
Outro exemplo básico seria uma cena onde a dominadora se apresentasse de vestido estampado e lenço na cabeça. Que mal há nisso? A princípio nenhum, a participação na cena é de fato o mais importante, porém, a falta absoluta de glamour causa descrédito aos próprios personagens que vão desenvolver o enredo.
O submisso quer ter a idéia de uma Deusa de negro, com um bom traje fetichista, lindas botas e maquiagem marcante. Ser dominado por uma mulher sem esse aspecto transcende ao que ele próprio entende como submissão. É fato que as pessoas após certo tempo de convívio não costumam caminhar tanto a beira do glamour pra realizar seus desejos, o que é um erro, mas desdenhar da própria fantasia é achar que enganando a si próprio não é perceptível.
Fantasias e fetiches ajudam a aniquilar com a rotina nas relações e apostar nisso requer requintes que não podem ser abandonados. É melhor não fazer nada do que insistir em cenas mal feitas.

Portanto moça é possível sim enquadrar os desejos, alinhar as fantasias e buscar um ponto comum, desde que um lado seja complemento do outro e, acima de tudo, haja pleno interesse de experimentar os jogos apresentados previamente.
Tudo que se combina é válido, pode até existir surpresas, desde que elas se resumam ao mesmo contexto. Se a idéia é misturar os fetiches que eles sejam claros para evitar desilusões e problemas na próxima vez que houver a possibilidade de bolar uma aventura sadia.

Só não vale criar um samba sem compasso e arranjar um final sem que haja uma boa sintonia.
O resto vale...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Beijar


Beija-se sempre. Quer numa simples saudação ou por um momento de alegria ou tristeza, beijar é um ato comum. Mas há os beijos que vão um pouco além, os beijos considerados fetichistas.
Os escravos que beijam botas, os podólatras que beijam os pés, o beijo negro, e até o que serve de afago depois do açoite.
Beijos em cenas fetichistas não são raros, são parte comum.
Dizem que alguns bondagistas adoram beijar bocas amordaçadas, assim como súditos beijam a mão de senhoras e senhores. Seja lá qual for à fantasia existe uma certeza: sem beijos não rola.
Alguém já parou pra pensar como seria uma relação sem beijos? Sexo sem beijos?
E do primeiro beijo, alguém é capaz de esquecer? Duvido.
Noutro dia, conversando com uma ex-combatente (explica-se: a moça foi garota de programa) ela me garantiu que não beijava seus “clientes” na hora do sexo. Pode ser verdade, afinal, quando em plena atividade elas impõem as regras, mas teria essa mulher a tal gama de clientes que ela apregoa a si mesma nos velhos tempos de guerra?
Não creio, ficaria mecânico demais pra o sujeito ousar uma repetição, ou ela era capaz de beijar outras coisas sem ser a boca com tamanha maestria que o beijo fatal não faria diferença.
Sei lá, mas é uma questão muito pessoal essa. Porque o beijo é o cronograma que deu certo, é o caminho mais curto pra que o prefácio anuncie um livro espetacular que vem nas páginas seguintes. Ninguém coloca a mão antes de colar os lábios...
Imaginem um podólatra sem beijar os pés... Seria como Romeu sem Julieta, sem sentido. Acabariam os finais felizes, aquele beijo clássico de final de filme, a indestrutível declaração de amor que até o Padre fica feliz em assistir durante um casamento.
Beijar é tão bom que segundo dizem é imune a qualquer DST!
E existem os tais beijos provocantes, aqueles que se pega no cantinho da boca. Nada é mais declaratório e eficiente. Uma questão de milímetros e pronto; está selada a conquista.
Ficam de fora os tais beijos sem nexo, desses que as pessoas costumam dar em baladas pra sair por aí pronunciando frases de que pegou alguém aqui e acolá. Esse tipo de beijo é sem sentido, porque em seguida não deixa marca, ou sequer uma mínima vontade de repetir.
Um cidadão outro dia gabava-se de ter “pego” dez mulheres numa noitada porque deu dez beijos. Pobre alma sem rumo... Prefiro ter um beijo consistente a vinte mil sem sequer saber quem eu beijei.
O beijo é algo que deve ser valorizado. Beijar alguém com vontade é unir desejos.
Beijar por beijar é vazio.

O beijo, fetichista ou não, é indescritível. Algumas vezes ele aproxima e de outras afasta. Já soube de casos que não foram além porque o beijo não colou. E é verdade, porque quando as bocas se tocam e a coisa não dá certo, pode se preparar porque daquele mato não sai coelho.
Portanto, beije, mas beije bem, porque na certa muitas aventuras virão depois de um beijo longo e provocante.
E acredite: toda fantasia começa ou termina com um beijo.

Quer apostar?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Brincando de Médico


Essa historinha recheada de desejos fetichistas chegou aqui pelas ondas da Internet.
Muito se fala sobre as famosas brincadeiras infantis onde existia o médico e a paciente, ou vice-versa.
E baseado nos relatos e no que se pega pelo ar, ela montou uma trama onde era a médica e o parceiro o paciente.
Olha, e é bom se ligar no que diz a moça porque essa pode ser uma boa idéia pra sua próxima fantasia, ainda mais com o final de semana batendo na porta. Então é caprichar e copiar o enredo ou criar algo próximo.
Vamos ao que ela conta...
Bolou uma médica estilizada, com um jaleco a meia boca, bem curto, encobrindo uma provocante mini-saia e uma blusa super decotada. Maquiagem pesada, olhos marcados e um salto daqueles de marcar presença.
Pra apimentar a história ela queria um paciente rebelde, indisciplinado, que fosse preciso imobilizar pra ser tratado. Aqui entram as cordas que derrotam o sujeito e sua rebeldia o deixando nas mãos da doutora cheia de más intenções.
Um estetoscópio pra dar um clima, lençóis brancos e ar bem gelado, afinal, o cidadão atado à cama precisa ter a idéia de que está num ambiente hospitalar, ou perde a graça.
Diz que inicia com um exame de toques. Perfeito, mas aqui há um hiato, porque deve ficar bem estabelecido onde será a região dos toques... Ok, o sujeito pouco pode fazer pra evitar qualquer tentativa de toque retal, mas não custa perguntar antes se o carro pode passar por determinada rua, correto?
E lá se vão os toques, suaves e incisivamente provocantes.
Uma massagem relaxante pra aliviar a tensão (ela se diz especialista!) e em seguida, sem provocar dores porque se o sujeito está ali pra ser tratado e uma tortura não vem ao caso, ela começa uma sessão de strip-tease e fica completamente nua em cima do salto agulha para subir na cama e lentamente pisar no indefeso paciente.
Deixa claro que seriam toques suaves com o salto e que não chegaria a uma sessão de trampling. Seria muito mais provocativo do que doloroso. Ato contínuo, a moça desce do salto, literalmente, e abocanha o paciente inerte e com ele parte para a melhor transa do ano.
A idéia da fantasia de médico e paciente requer antes de tudo dedicação, como qualquer outra fantasia. Porém, em se tratando de uma historinha encenada com certos requintes, até mesmo os trajes e o ambiente devem estar em total sintonia. Porque toda fantasia em que se faz necessário a utilização de roupas e preparação do local de acordo com o que se idealiza, deve ser precedido de todo esforço pra pelo menos deixar as coisas coerentes.
É claro que todos os temas são livres. Não há uma regra básica quando se fala de fantasia. O nome já diz tudo e fantasiar é um direito de todos, portanto, cada um pode criar da forma que achar correto, ou ainda, usar as ferramentas que tem.
O importante é a participação dos personagens e a entrega ao que vão se dedicar.
Realizar uma fantasia parece tarefa simples. E é. Todavia, é preciso que os participantes desse jogo entendam que no momento em que se dedicam a representar os personagens criados por ambos, tudo deve estar restrito ao imaginário, longe do mundo real, caso contrário, a fantasia fica incompleta e às vezes desastrosa.

Jogos de adultos sempre são um excelente antídoto contra a rotina.
Um exercício de criatividade e a confirmação de que a parceria ou o relacionamento pulsa forte, e é capaz de fazer com que exista o desejo de realizar a brincadeira com quem está próximo.
Queria deixar de publico dois agradecimentos: as pessoas que me enviaram mensagens em solidariedade ao fato que teve repercussão mundial aqui na quadra de trás e a essa gaucha maravilhosa que me enviou essa historinha de hoje, colaborando em muito pra existência desse espaço e sua continuidade.

Um bom final de semana a todos!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Hoje Não tem Fetiche


Ontem às oito e meia da noite o prédio tremeu.
Um ruído seco, abafado, e um tremor que parecia àquelas cenas que se vê na TV tiradas dos terremotos no Japão.
Foi levantar e tentar ver na janela o que se passava. Muita poeira, gente correndo e uma carreira desenfreada escada abaixo desde o décimo andar. E havia acabado de postar a matéria aqui no blog.
Falei de fetiches, mas hoje não dá.
Talvez porque me falte inspiração ou até em respeito ao caos instalado e as pessoas que vi com o corpo tomado de poeira caminhando sem rumo, ou ainda aos que ficaram por baixo de toneladas de concreto. Porém, o fato de ter visto de perto, ter tirado uma foto que reproduzo aqui, postado nas redes sociais pra dizer que estava tudo bem, é o que me causa ainda a lembrança viva dos minutos em que deparei com algo que até então só havia visto na televisão.
O espanto de quem estava diante da tragédia e o silencio das pessoas no escuro, boquiabertos na frente de uma montanha de pedras, poeira e ferros retorcidos era de impressionar, e ainda persiste em permanecer na memória do escriba aqui.
Por esse motivo as fantasias hoje desaparecem desse espaço onde todos se acomodam e acham coisas interessantes pra ler.
Aos leitores e leitoras peço imensas desculpas, porque além de estar ainda vivendo esses momentos terríveis, por conseqüência natural tive que passar o dia de hoje ao redor do que restou de lugares onde amigos meus faziam de local de trabalho. É triste não saber quem estava ou quem ainda não apareceu.
Trinta metros. Essa foi à distância que me separou do acidente.
Cinco minutos. Foi o tempo que levei pra chegar a Avenida Treze de Maio cheio de poeira pelo corpo e em seguida ir pra casa, onde dormir foi uma condição totalmente necessária.
O porquê de todo esse desastre as pessoas competentes vão chegar a uma conclusão. O que sobra, o tempo se ocupa de fazer com que todos simplesmente esqueçam.
Entretanto, o que assisti atônito levo comigo pra sempre.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Quarta Parte de Um Terço


Há quem ache essa proporção pequena.
Agora me digam, seria se contentar com pouco ou simplesmente achar que está bom demais o que se tem? Pensem, analisem, observem.
Ora, uma pessoa que gosta de fetiches, por exemplo, contados os trezentos e sessenta e cinco dias do ano e considerando a proporção dita acima, teria em média trinta dias de fetiches praticados se esse período fosse considerado.
Claro que os tais trinta dias deveriam ser – e são – diluídos durante o ano todo, mas se por acaso essa proporção estivesse condensada em dias específicos o fetichista teria um mês de praticas seguido, o que seria a realização do chamado efeito 24/7, ou seja, vinte e quatro horas de práticas fetichistas por sete dias da semana.
Números, amigos e amigas, nossa vida por vezes se restringe a números. Porcentagens, frações e tudo o mais, regem nossa capacidade de atribuir a nós mesmos as melhores coisas que a vida pode nos proporcionar. Pois é hora de persuadir esses índices e mudar o rumo da história.
Poderia começar por mim mesmo a enumerar os exemplos a serem corrigidos, mas devido ao acúmulo de tarefas que tenho a minha volta talvez eu seja, nesse caso, o menos indicado. Porque minha única debilidade mental assumida é não saber equacionar os meus dias.
Então, melhor imaginar um casal que pratica o fetiche de bondage. O cidadão, supostamente o bondagista, amarraria sua parceira por um mês num ano e ela, por sua vez, ficaria imobilizada por trinta dias. Lógico que parece um absurdo pensar que uma pessoa suportaria ficar amarrada por trinta dias, no entanto se diluirmos esse período num ano como um todo tudo rola suave a macio e os dois viverão dias tranqüilos praticando bondage.
E isso não deixa de ser um tipo de persuasão dos números e do próprio tempo.
Porque é muito mais fácil convencer a parceira a sessões de bondage ao longo de um ano a deixá-la amarrada por um mês. Concordam? Principalmente as baunilhas que debutam no fetiche aceitariam essa sugestão, porque com certeza se sentiriam mais propensas a aceitar tais práticas em suas fantasias.
Os exemplos servem pra qualquer outra prática fetichista.
Em verdade nós somos senhores e escravos de nosso próprio tempo. Senhores porque temos o livre arbítrio de fazer o que bem entender de nossas próprias vidas, e escravos porque as nossas responsabilidades assumidas nos impelem a seguir o se chama regra. Ou alguém teria coragem de viver seus dias somente de pão e fetiches?
Engraçado que hoje conversando com um parceiro, produtor sueco do site First Time Tied, ele disse que sua página ainda não é sua principal fonte de receita, entretanto, sonha com dias melhores e acha que poderá conseguir a proeza de fazer apenas o que gosta, ou como ele mesmo afirma, dedicar seu tempo a bolar novas imagens e recrutar modelos. Sonhar é possível Erick!
Mas mesmo assim seus dias seriam divididos entre prática encenada e prazer. Ou será que quem está de fora e não conhece os meandros dos sites fetichistas imagina que tudo que se produz é realizado sob fortes emoções e intermináveis crises de paudurescência aguda?

Nada disso. O bicho pega e uma sessão fetichista íntima é muito mais prazerosa e eficiente que mil ensaios de um site comercial. E assino embaixo.
Dito isso é hora de começar a admitir que os números estão ma mesa para serem analisados. Mudar a tática, acelerar as conquistas e achar um lugar pra criar uma dúvida no tempo e suas proporções é o primeiro passo, ou passar a admirar quem consegue elevar a porcentagem além dos quase dez por cento sugeridos aqui.
Eu ando pensando nisso e espero que todos que leram esse artigo comecem a pensar também.

Porque os dias passam e após um ano contado no calendário a conta não fecha a favor.
E adrenalina é bom demais pra passar despercebido...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Completa Submissão


Hoje pela manhã fui ao dentista. Até aqui nada demais, todo mundo vai ao dentista ou a dentista, e por mais pavor que isso provoque em algumas pessoas é uma ação que se faz totalmente necessária.
Pois sentado naquela cadeira algumas reflexões fetichistas chegaram de mansinho. E como não poderia deixar de ser me senti um autêntico submisso sem qualquer reação diante dos fatos. Com uma sutil diferença; ele ou ela, os submissos, estariam ali por vontade própria, e eu, um simples bondagista estava por extrema necessidade.
E nessas horas o melhor a fazer é deixar a mente elaborar um plano. Claro, pensei no artigo de hoje e cá estou rascunhando essas linhas. Antes que me cheguem às pedras, quero de antemão me desculpar com a galera odontológica e dizer que tudo que se escreve aqui são devaneios, muito comuns nessa época de verão...
Pois voltando aos sonhos fetichistas naquela cadeira gélida e pouco confortável, lembrei de alguém. Sim, uma dentista. E de cara pude construir através da minha mente pervertida e libertina alguns sonhos que ela poderia protagonizar já que está diante de um sujeito com a boca escancarada sem ter direito sequer a balbuciar umas poucas palavras.
E como a conheço bem, imaginei seu sorriso sarcástico e dominante como senhora da situação. E pra piorar brother, me vi no papel de submisso máximo pronto para ser imolado.
E a mulher é grande...
E de repente ela manda levantar a cabeça e com um cinto prende meus pulsos naquela cadeira? Game over. Perdi feio. Dali por diante é ela com um sorriso de canto de boca e eu com a boca aberta olhando uma agulha e uma seringa. Surtei!
Nessa o dentista vinha com aquele ferrinho de futucar tudo e olhando a cara dele imaginei a moça olhando pra mim com aquele semblante mórbido e incisivo. Fechei os olhos e deixei a cena rolar. Futuca pra cá e pra lá e até aquele momento estava adorando que a porra daquele ferrinho estivesse somente nos dentes, porque se fosse ela e suas armações ilimitadas, estaria em apuros tal e qual donzela de filme de bondage.
Meus dias de bondagista dominante estavam contados...
Já nem olhava mais pra cara do dentista, que, aliás, é meu dentista e amigo há anos. O que vinha na mente era o delírio fetichista e a dentista com os olhos da Bette Davis. Tentei mudar o rumo da prosa e passei a tentar admitir que ela estivesse interessada numa cena de bondage das mais comuns, ou seja, eu ali entregue, imobilizado e ela com as mais indecentes perversões sexuais em mente. Mas nada, só conseguia imaginar aquela agulha filha da puta e um suposto beliscão com o boticão. Perdi pela segunda vez...
E em pensar que um dia brincando ela tinha me ameaçado dar um beliscão...
No entanto fiz prevalecer minha suprema condição de macho. E embora quase me borrando pensei nos amigos e amigas que sentem prazer com essas cenas e segurei a barra: se eles sobrevivem eu também sobreviverei, então vou suportar...

Mas nada... Começou a incomodar o dente real e eu nem ai para as perguntas do cara com o tal ferrinho na mão me perguntando se estava doendo. Imagina, nem um pouco, perto do que estaria acontecendo no delírio fetichista.
Por fim, o sujeito me disse que podia levantar.
E nesse exato instante me vi com a mente totalmente adormecida pelo que havia plasmado.
É nessas horas que se tem a absoluta certeza de que as fantasias e os fetiches são extremamente particulares. O que serve pra uns nem de longe dá certo pra outros, ainda que seja apenas em pensamentos.

Pois é, se ela ao menos tivesse somente pensado num bondage comum e numas torturas sexuais, talvez minha ida ao dentista tivesse sido mais agradável...
Talvez...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Dizem que sou louco…


Podia apenas ser mais uma vez ou também deveria passar em branco, mas quem mandou gostar de brincar de cordas?
Ser taxado de louco às vezes não faz diferença. Porque basta imaginar uma cena corriqueira, daquelas que acontecem todos os dias, como escovar os dentes ou beber água. As pessoas que pensam assim têm um conceito estranho de tudo isso ou seria eu esse estranho?
A sociedade cria as regras e transgredir em certos casos só é complicado no começo, mas depois se torna banal. Porque o padre ou o pastor ensinou e disse taxativamente que sexo tem que ser de luz apagada e debaixo do cobertor.
E quem sou eu pra desdizer estes ilustres senhores...
Só me resta assumir meu lado insano, demente, entretanto não suportaria ser um imbecil. Porque a imbecilidade admitida é tão imperdoável quanto fazer sexo com algumas cordas na cabeceira da cama na visão desta gente. Fosse eu algum incauto com teorias de convencimento barato escrevendo que todos deveriam realizar fantasias, talvez aceitasse esse rótulo. Mas a exploração da imoralidade que me acomete é expressa em palavras escritas, não em contribuições mensais como sugere quem me critica.
Senhoras e senhores que de alguma forma admitem os fetiches em suas vidas; considerem-se assim como eu, espraguejados.
O patrulhamento é intenso e mesmo ignorado na grande maioria das vezes, faz com que um dia o caldo entorne. Não há tecla foda-se que resista a insistência, à pregação dos bons costumes.
Moralidade demais é hipocrisia, e essa gente tem medo. Medo de pronunciar ou escrever palavras, porque até em mensagens de criticas certos assuntos aparecem ocultos. Ou a senha da caixa de email é coletiva e o grande incentivador tem total acesso ao que as pessoas postam ou é doideira mesmo... E o louco sou eu, ou são vocês que gostam do que eu escrevo.
Vai saber...
E agora eu pergunto: se é tão imoral assim o que esta gente faz aqui? Eu não suporto olhar para imagens que me trazem asco, ou simplesmente ler ao que me desagrada. Pois essa gente deveria pensar assim ou ignorar que espaços como este existem. Porque chego a considerar que haja uma inconsistência de conteúdo, ou que em certos casos exista divergência de opinião quanto a determinados assuntos, mas aversão gratuita fica complicado ao menos explicar.
Que essas linhas sirvam de lição pra mim, não pra essa gente inocente que vai ao cadafalso como um bando de ovelhas que não enxergam um palmo diante do nariz. Porque no começo achei que era gozação, piada de amigos ou de pessoas as quais tenho alguma diferença, mas não brother, a coisa é insistente e tem acompanhamento semanal. Pessoas que se multiplicam, enviando passagens de livros sagrados que de forma irresponsável são debilmente comparadas a coisas que se pratica dentro do BDSM.
Deixo claro que nada tenho contra a crença de ninguém, vivemos num país livre onde é direito de todos ter liberdade de escolher em quem ou no que acreditar, o que não dá o direito de invadir a caixa de correio alheia com bobagens cretinas.

Alguns amigos e amigas já me disseram que o melhor a fazer é defecar um quilo certo pra esse tipo de atitudes. Concordo, mas de tanto fazer isso encheu a caixa e chegou num momento em que algo deveria ser dito. Com certeza quem posta essas mensagens estará lendo esse artigo, assim como lê todos os outros escritos aqui. Portanto, se a carapuça lhes serve, vistam-na.
E eu seguirei minha vida como sempre fiz.
Tentando mostrar que ter predileção por fantasias sexuais e fetiches é tão normal quanto trocar de roupa, ou se preparar para ir ao cinema e assistir a um filme. Com uma única e sutil diferença:

o prazer é inexplicável.
A foto acima é do site gaggedwomen.com, novidade do meu amigo Dale, ex-Pragaon video. Veio com força.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ao Pé do Ouvido


Pois é, o fetiche é uma delícia pra quem sabe tirar proveito dele. Isso é fato.
Porque o ser humano, na maioria dos casos, tem loucura por aguçar seus sentidos quando sente tesão. E quando as pessoas usam determinadas fantasias em seu próprio benefício é tiro certo, dá à lógica. Portanto, da próxima vez que rolar uma fantasia, por mais simples que possa parecer, o negócio é provocar os sentidos de quem divide a cena.
E um dos sentidos que impulsionam é a audição.
Quem não gosta de escutar uma boa sacanagem ao pé do ouvido na hora certa?
Provocar faz parte do jogo, estimula e garante um bom começo de noite. E se existe uma fantasia rolando nada melhor que caprichar no que vai ser dito.
Deixe a coisa fluir e não tenha melindres em se mostrar pra quem divide uma cama. Puritanismo demais estraga. Esse negócio de economizar palavras com a parceira pra falar no ouvido de outra é uma tremenda babaquice. Se não dá resultado o sexo com quem está bem próximo é melhor largar o lugar na fila e procurar outro local pra pendurar a roupa.
Há pessoas que não se ligam tanto em estímulos auditivos, outras, porém, adoram. É uma questão de gosto mesmo. Fetichistas de um modo geral não abrem mão de coisas ditas na hora da onça beber água. Até gemidos fazem a diferença. A expressão da reciprocidade na hora da cena encanta quem se delicia com sessões fetichistas.
Qual bondagista não se derrete por um gemido da moça abafado por uma mordaça?
Sou testemunha de casos onde havia certa resistência em começar uma cena da bondage e as palavras ao pé do ouvido bem ditas quebraram o gelo. E olha que o cara queria ser amarrado e dominado sexualmente pela mulher. De tanto que ele falou, ela tomou gosto pela coisa e, segundo ele me garante, não abre mão da prática e se excita quando ele mostrando desespero pede socorro.
Em pensar que ela relutava em trazer a fantasia de captura pra dentro da relação...
Quando a fantasia tem ares de ingenuidade é mais fácil trazer pessoas de fora pra dentro da festa. Complicado é colocar na cabeça de alguém, determinados estímulos que não condizem com os sentimentos de quem se tem ao lado. Por exemplo, o prazer através da dor.
Essas práticas devem ser precedidas de um conceito muito bem definido antes de serem colocadas em discussão, porque a tendência tem que ser total para que haja sintonia.
Ninguém convence alguém a sofrer castigos severos e arrancar prazer quando não existe desejo. É preciso total comprometimento para que haja reciprocidade. Um masoquista não sente prazer amassando o próprio dedo na porta, é necessário todo um contexto para que ele ou ela tenham o desejo atendido.
É aquela história, o fetiche se resume aos pares.
Um sádico precisa de uma masoquista e vice-versa, como um bondagista precisa de uma bondagette...

Por isso, o que se fala ao pé do ouvido para atiçar o estimulo auditivo da pessoa que está ao lado tem que estar diretamente ligado a prática que se pretende fazer. Não vá um bondagista dizer no ouvido de sua parceira ao vê-la amarrada que castigos a esperam. Esse papo pertence a outro segmento e assim sucessivamente.
Hoje com o mundo virtual fazendo parte do dia-a-dia das pessoas, até o que se escreve em canais de comunicação direta pela rede pode funcionar como um estímulo, que eu diria quase auditivo. A pessoa escreve e do outro lado alguém se alinha com os fatos e plasma a voz sussurrando baixinho.

E um dia, quem sabe, tudo se torna real...
Então escolha a fantasia, combine com a parceira ou o parceiro e parta pra não deixar nada de fora na próxima vez. Ao pé do ouvido tudo é bem vindo, desde que faça parte do jogo escolhido por ambos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Aventura Real


Quantas vezes você se viu às voltas com o desejo de viver uma fantasia sexual real?
E em seu sonho (sonho mesmo!) as coisas acontecem de uma forma que só você imagina, ou que talvez possa parecer até inacreditável se compartilhada com alguém.
Pode ser perigoso, radical demais até, mas quem nunca teve a expectativa de viver uma fantasia real, tipo aventura, como num filme de ação? Ainda que essa historinha montada por sua imaginação tenha ficado restrita ao mundo do faz de conta, ela resiste ao tempo e vira e mexe está de volta quando menos se espera.
Isso é fetiche e não há outra palavra que possa explicar de onde isso vem.
Dirão os patrulheiros da boa conduta que toda expressão fetichista deve ser precedida de consensualidade. Tá bom concordo, e comungo do mesmo pensamento. Mas que dá vontade de sair dos trilhos dá, e isso é inegável.
Essa é uma daquelas situações em que combinar demais estraga. A surpresa fica de fora, uma vez que ao haver o trato e o consentimento você já tem uma prévia do que vai acontecer. E uma aventura real tem que ter o elemento surpresa, ainda que seja realizada por parceiros.
Já falei aqui mesmo no blog de empresas na Inglaterra e Estados Unidos especializadas em realizar fantasias de seqüestros consentidos ou capturas forjadas. Existe, não é apenas produto da minha imaginação.
Mas de repente você conhece uma amiga fetichista e nunca teve com ela nenhum tipo de intimidade. Ela conhece teus segredos e você os dela. Natural, são amigos. Um dia, sem mais nem menos, ela resolve te pedir uma carona e arma teu seqüestro em teu próprio carro. Te leva pra algum lugar, te coloca uma venda e você está amarrado e amordaçado onde ela assim planejou totalmente sob seu domínio e controle.
E aí? Vai ou não vai?
Bom, em condições normais de tempo e temperatura confesso que não resistiria, mas dependendo das aptidões fetichistas da moça ou em se tratando de algumas tantas que conheço juro que teria uma tremedeira de dar dó...
Mas digamos que ela respeite os teus limites e te faça feliz? Então essa seria a tal aventura perfeita, tudo aquilo que um dia você sonhou e do nada virou realidade...
Este é apenas um dos muitos exemplos de como uma aventura pode começar. Há outros, existem outras mentes fetichistas trabalhando e, por isso, seria leviano tentar saber o que se passa ao redor.
Em anos lidando com isso já vi aventuras deste tipo produzir excelentes resultados e finais catastróficos. Gente que se viu às voltas com pessoas sem escrúpulo e outras que encontraram a razão do fetiche através de uma fantasia bem feita. Como foi tratado, como tudo chegou ao final ninguém sabe. Acho que os segredos devem ser mesmo arquivados e guardados a sete chaves por quem de direito, ou aparecer num blog como um relato de uma fantasia realizada da forma como se imagina.
A razão de existir de um site fetichista é promover a sensação da aventura, por isso, tanto se cultua o termo “damsels in distress”, a chamada menina em perigo. Da captura em diante tudo é permitido sonhar, desde uma simples aventura de vilão e mocinha até uma masmorra escura.
Aventuras sexuais não devem ficar restritas a um primeiro encontro. Elas devem imperar e fazer parte da vida de parceiros para que a relação não fique vazia. Viver um relacionamento fetichista é igual a viver uma união chamada de baunilha. A renovação das energias é importante e a imaginação deve fazer parte do dia a dia dos parceiros.

Muitos enviam suas fantasias para serem publicadas aqui. Algumas têm uma conotação real, outras parecem roteiros de filme, mas pouco importa, uma vez que descritas são capazes de servir como incentivo a muitos que andam a procura da aventura perfeita, ou quem sabe reviver o que um dia foi irretocável.

(As fotos que ilustram este artigo pertencem a minha amiga Caroline Branson. Para saber mais sobre essa musa, acesse o meu Fetlife)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A Saga Fetichista do Anti-Herói


Não se trata apenas de mais uma leitora, ela é mais que isso. E nas mensagens que chegam, alguma coisa fala em mitologia dos super-heróis. E como não poderia deixar de ser, dentro da minha concepção fetichista os super-heróis também têm uma historia fetichista pra contar.
E ela quer que eu trace um perfil fetichista do Batman, e claro, toda a sua trupe.
Muito bem moça, aqui vai uma curta definição.
Porque me lembrei de um grande amigo submisso e masoquista ao extremo vestido de Batman numa sessão de spanking. Pois é, o sujeito de capa e cinto de mil e uma utilidades é o meu personagem, representante do herói que ganhou vida das mãos de Frank Foster em 1932 ao defender a fictícia cidade de Gotham City.
Seria o personagem um submisso?
Na minha visão sim. E sendo Bruce Wayne um sujeito recluso, um milionário cheio de segredos apenas de conhecimento de seu mordomo Alfred, tudo leva a crer que este meu camarada fetichista e submisso apostou suas fichas muito bem.
Portanto mocinhas sonhadoras, não imaginem a bat-caverna como um local de refugio de um herói dominador. O “dungeon” escondido de Bruce Wayne era um recanto onde ele certamente levava seguidas surras da Mulher Gato, uma dominadora implacável que aos olhos de seu confidente fiel Alfred comandava intermináveis sessões de spanking e inversão com o paladino da justiça.
E o Robin na certa era um subproduto de tudo que a mente fetichista de Batman tinha definido.
Lógico que o fato de criar uma fábula com o Homem Morcego e a submissão em nada denigre a questão da escolha fetichista. Ser submisso ou submissa é apenas uma opção, que vem do desejo, da vontade de se entregar a alguém durante o ato sexual. O paralelo traçado entre o herói e a escolha submissa vem da imagem desse amigo e sua fantasia de uma sessão num dia de inverno.
E como um samba em descompasso a saga continua.
Barbara Gordon, a Batgirl, filha do Comissário Gordon e uma das maiores fontes de inspiração da galera que gosta de bondage nada tinha de heroína. Pois na minha historieta ela é a grande aliada da Mulher Gato e tem dotes de dominatrix. Bem, na verdade seu alvo é o menino prodígio que inspirado em Batman tem totais tendências submissas.
As armadilhas que a Batgirl encontra pelo caminho e que a fazem cair em mãos de inescrupulosos vilões, se dão por conta da perseguição frenética que ela impõe pra cima do inocente Robin e suas iniciações fetichistas.
E no final todos são felizes pra sempre, exceto o Curinga que como bom voyeur não consegue o que tanto queria, ou seja, observar as cenas tórridas que se sucedem na calada da noite na bat-caverna, porque em toda história que se preze o mal não triunfa...
Pobre vilão...
Bem, dito isso, é capaz de existir um hiato gigantesco entre o que a leitora queria saber e o que todos aqui esperavam ler. O texto não deve agradar a ninguém, pois trata-se de um delírio louco e insano e o que me resta é acatar as vaias...

No entanto, fica o registro. O fetiche tem início através de algo que se fantasia. Seja por algum objeto, por sexo ou por um personagem imaginário. E qualquer um pode idealizar a fantasia que desejar com esse personagem. O fetiche é particular, pessoal e intransferível.
Essa historinha poderia ter um enredo diferente e o herói posaria como o personagem idealizado por quem descreve no texto. No meu caso a inspiração veio de uma sessão fetichista e um traje que me fez criar esse conto burlesco e sensacionalista.
Na próxima pode ser que eu acerte a mão, como também pode ser que essa saga hilária atinja em cheio o desejo de alguém.

A conferir!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Oráculo


Às vezes escrevo tanta crítica de cinema aqui que não me imaginaria nos últimos dias ter saído de um filme. Mas não um filme fetichista, o que seria maravilhoso, mas um filme de puro suspense com a adrenalina a mil por hora.
É que nem sempre a vida fora desse universo nos permite evoluir como se deve e apronta.
Caminhos inversos, curvas fechadas e paradas instantâneas. Todos nós temos nossos dias de bondagette em apuros nas mãos de um temido vilão.
Então, limpando a poeira da estrada e colocando as coisas pra caminhar dou por iniciado os trabalhos aqui na blogosfera no ano de 2012. Abro minha caixa de correio e deparo com uma penca de emails dos mais variados pra dar uma lida. Muitas coisas interessantes, gente nova sedenta por conhecimento dos mais variados fetiches, e claro, sempre com uma tendência maior para as coisas de bondage. É o que mais se fala por aqui...
E tem muitas correspondências. A leitora que se assustou com a loucura que o namorado tem pelos seus pés e de tanto procurar por isso na internet veio parar por aqui.
Ora, deixa o sujeito! Que mal há nisso? Tenta um papo e combina com o malandro um pouco pra lá e outro pouco pra cá. Toda podolatria é permissiva, desde que o cidadão não sofra de xotofobia ou se apresente como um antibucetário qualificado, ou seja, a moça pode ceder os pés para o delírio do incauto podólatra, mas deve haver recíproca. Na base da conversa tudo se ajeita.
Noutra mensagem, um cara que muito gentilmente afirma que a partir das leituras colhidas aqui se tornou um amante de jogos de bondage e criou até um Nick bem legal, mas tem muita dificuldade em conseguir mulheres que aceitem ser amarradas por ele.
Todo convencimento deve partir amparado na questão da confiança. Chegar de cara de propor levar umas cordas pra primeira noite é complicado. Mil coisas vão passar pela cabeça da sua eleita e a desistência é iminente. O medo é o principal vilão de toda historia de bondage. Tem que comer pelas beiradas tal qual sopa quente brother.
A mulher precisa se sentir confortável pra aceitar entrar no jogo. Nada de aparecer com um caminhão de cordas dentro da mochila olhando pra ela como se ela fosse a próxima vitima. A mulher vai imaginar mil coisas e a primeira delas será aparecer no noticiário matinal da Record. Muita calma nessa hora. Ofereça leitura, conhecimento, fale sobre o fetiche suas causas e conseqüências, as boas, é claro, as ruins deixa pra depois. Deixe claro que as marcas desaparecem em uma hora ou duas e que o prazer vai ser muito maior.
Dessa forma ela pode começar a acreditar que fazer sexo imobilizada é um bom negócio e você, lógico, estará realizando sua fantasia.
Por fim, uma leitora deixa suas dúvidas dentro de uma relação que já leva algum tempo. Ela conta que o namorado de uns meses pra cá assumiu uma postura diferente. Deixou o cabelo e a barba crescerem e se assumiu dominador de mulheres. Passou a gostar de sexo violento e isso a tem incomodado bastante. Pesquisando daqui e dali ela me brindou com a vista e o email.

Veja bem, um fetichista não tem um figurino básico. As pessoas gostam de determinadas roupas por se sentirem bem. Se o sujeito descobriu que gosta de sexo com doses de dominação e incluiu roupas pretas e longos cabelos em seu visual, vale entender. O traje aqui é o aspecto de menor importância. Porque resta saber se você está de acordo com o que ele quer implantar como filosofia em suas transas. Se ele deseja ser um dominador de mulheres você precisa se colocar no papel de dominada e estabelecer as regras desse domínio. Existem os domínios onde o prazer é alcançado através da dor ou não, e isso depende do dialogo entre o casal para saber se vai ou fica.
Moça, eu sou fetichista e me visto como qualquer cidadão na face da terra. Dress Code ou roupa preta só em festas.
Amanhã tem mais.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Successive Slidings of Pleasure (1974)


O diretor Alain Robbe-Grillet no meio da década de setenta apostou no cinema surrealista totalmente baseado no começo do cinema francês de Luis Buñuel e Salvador Dali, e criou uma obra condenada por muitos críticos da época, mas que se tornou um clássico.
Successive Slidings of Pleasure ou “Glissements progressifs du plaisir”, rompeu com dogmas e trouxe a tona o complexo paradoxo que envolve os mistérios que cercam os calabouços de instituições religiosas conservadoras. Um prato cheio para ferrenhas críticas e um néctar para fetichistas que têm loucura por essas cenas.
O filme conta a história de uma jovem estudante que é questionada por autoridades policiais e religiosas, após seu companheiro de quarto ser encontrado amarrado e assassinado. Só que não fica claro se seu companheiro de quarto é realmente uma pessoa real ou apenas um manequim concebido através de uma obra de arte bizarra, e não fica claro também se realmente ela está sendo questionada antes ou depois que ela comete esse "assassinato".
O pecado está no excesso. Surrealismo demais confunde, interioriza a obra ao âmago do diretor. Mas esse era o cinema francês.
Entretanto, todo o fetichismo está bem explícito nas partes em que o diretor se atém a cenas de praticas de bondage e sadomasoquismo. Seriam perfeitas, fossem elas totalmente compreendidas e tivessem inseridas diretamente no roteiro. O melhor é dar atenção a plasticidade das cenas ao se concentrar em alguma coisa que faça sentido.
E a parte fetichista da obra de Grillet é um supra-sumo.
Além da beleza da protagonista Anicee Alvina, as cenas agradam a vários segmentos do BDSM, principalmente aos amantes de jogos de dominação e submissão. A atmosfera, o ambiente, as cores escuras de um calabouço onde freiras comandam sessões de torturas e sexo lésbico, onde cordas e correntes aprisionam mulheres lindas nuas, tudo isso é parte de um contexto que se pra muitos é sinônimo de perversão, pra outros é puro prazer e delírio.
Fetichismo é fantasia eloqüente realizada com requintes. E não faltam requintes no excelente cenário do filme.
Como vários outros cineastas franceses da época, Robbe-Grillet criou uma obra experimental, característica dos filmes não-narrativos, adicionando elementos sexploitation-softcore, mas procurou não "vender" tanto para o ângulo de sexploitation como alguns de seus antecessores – homens como Jean Rollin ou Borowzyx Walerian.
Há muito pouco sexo e generosas doses de erotismo no filme, além de uma espécie de perversidade polimorfa extrema que às vezes é bastante perturbadora.
O cinema europeu de uma forma geral sempre ousou flertar com ares inquisitórios da idade média em suas produções. O que está nos livros de história jamais mostrou uma verdade absoluta e, por isso, gerou todo esse clima de mistério que essas produções trouxeram a baila justamente nos anos setenta.
Criou-se uma antipatia entre as autoridades religiosas e os homens que produziam a sétima arte. Órgãos de censura chegaram a intervir em alguns casos e outros pela pouca divulgação passaram incólumes.

Successive Slidings of Pleasure não alcançou sucesso de bilheteria e público quando exibido nos cinemas, como tantas outras produções do gênero. Hoje é um filme rotulado de Cult como quase todas as obras desses grandes cineastas que o cinema da Europa dos anos de liberação mostrou ao mundo.
Pra os cinéfilos apaixonados por cenas fetichistas uma excelente dica pra ter na sua coleção.
O filme pode ser adquirido remasterizado em

DVD ou para quem tem muita paciência alguns sites disponibilizam o download gratuito na rede.

Fiquem com um trecho do filme e bom final de semana a todos!

video

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sobre Castelos e Rainhas


Nada é por acaso, quanto mais sexo e fetiches.
Ainda que se recorra a uma trepada considerada de “galo”, a ogiva não alcança o alvo sem a devida permissão. Há quem a lance e quem receba o petardo infalível...
E nessas mal traçadas linhas eu pergunto: pode um simples plebeu conquistar o coração de uma Rainha?
Num lugar de “faz de conta” ou num mundo surreal a realidade não tem vez. O que circula nos corredores e se transforma nas mais sórdidas conspirações palacianas inexiste de fato e de direito. É como vender um terreno na Lua ou um pedaço da estátua do Redentor. Tudo se imagina e é ficção. Reis e Rainhas são simples personagens rodriguianos.
Porque o melhor da fantasia está na criatividade de seus inventores. E não me venham com bordões moralistas efêmeros e sem graça, porque fantasia é fantasia até que se prove o contrário.
Portanto, esse mundo imaginário seria literalmente meu. E noves fora a minha insana loucura de me achar o dono de tudo ou supor que sendo eu quem move todas as peças do tabuleiro, num primeiro momento eu posso delirar com todas as loucuras que povoem um pensamento totalmente libertino. No entanto, nem por isso eu iria deixar de dividir com todos os confrades as mais belas damas que por clara conseqüência seriam minhas. Imaginem um mundo só meu, todo meu, em que todas as mulheres fossem minhas?
Porém, os Reis convivem com as Rainhas e dividem as honras.
E as Rainhas são senhoras de toda a graça e luz. Não duvidem da capacidade de absorção fetichista de uma Lady Vulgata ou uma Rainha Victoria Catharina. Elas sabem o que querem e por saber o que desejam têm súditos. Porque não basta postar fotografias de pés eloqüentes e bem cuidados em redes sociais ou usar uma roupa negra de vinil para se apregoar a Deusa Eterna do Castelo no alto da colina. O BDSM não perdoa erros e gafes.
Pergunte ao mais comportado submisso onde ele deseja postar a sua reverência. É preciso chão, estrada, poeira e experiência pra saber ordenar, distribuir e se fazer obedecer. Na minha caminhada fetichista que esse ano completa duas décadas de dedicação e conhecimento, convivi com essas raras mulheres em toda a sua plenitude. Quem não se sentiria orgulhoso de ter visto de perto uma Barbara Reine comandando uma Play em seu trono?
Não se fabrica uma Rainha da mesma forma que se constrói um Reino de Fantasia.
Eu posso plasmar as mais doces loucuras, mas não seria capaz de recriar o âmago que exala de um coração fetichista. As famosas Damas de Ferro que empunham chibatas têm sentimentos e se apaixonam como qualquer mortal, ainda que façam parte do meu mundo surreal. Portanto, um submisso pode sim roubar o coração de uma Rainha e fazê-la suspirar por ele, porém, jamais comandará ou tomará as rédeas, até porque não deseja em nenhum instante que isso possa acontecer.
BDSM e sentimento são caminhos que se cruzam. Ainda que comecem afastados num primeiro momento lá na frente hão de se achar para viverem felizes pra sempre ou conviver com uma desilusão.

No meu Castelo as regras são claras e a principal delas é que é permitido sonhar. Com dias melhores, talvez, com todas as aventuras que uma mente fetichista seja capaz de produzir, ou quem sabe com um pequeno instante de loucura onde o delírio seja simplesmente aceitável.
Pra você, meu caro, que gentilmente me enviou uma pergunta simples e objetiva, tenho a dizer que todo esse mundo fantástico que do nada fiz nascer na tela, comporta a essência que une amor e BDSM numa única emoção.
A lógica diz que a prática fetichista pode surgir através de um mero interesse de conduta ou

pela plasticidade da prática ou até por um desejo caprichoso. Em contrapartida, se houver um mínimo de vontade de repetir tudo outra vez poderá terminar num outro Castelo que será erguido por quem fizer parte da aventura. E por que não?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sonhos Proibidos


O mundo pra ela era imperfeito.
Na verdade, ela sempre foi inquieta, mutante, um pouco rabugenta até. E acostumou-se a conviver com os anjos e demônios que tem por perto. Beijou alguns, afagou outros e algumas vezes os mandou de volta as profundezas, mas sobreviveu.
Sua caminhada define uma questão importante quando se fala em fetichismo: o aparecimento e a continuidade.
Porque até dar de cara com essa página ela carregava uns desejos estranhos e se valia de subterfúgios que a fizessem sonhar com dias melhores. Ainda que através de fantasias invisíveis aos olhos, não foram raras as vezes que flertou com doses de dominação consentida.
Ora imaginado sendo puxada pelos cabelos ou até mesmo nas vezes em que simulou estar atada à cama quando postava os pulsos na cabeceira, ela tirou lascas e foi feliz. Uniu o útil ao agradável, ao bom parceiro que achava tudo que ela produzia na mente uma grande loucura.
Ela tem consciência de que agora se achou de verdade. Tanto que se define como exibicionista dela própria cada vez que plasma uma cena que ela tem guardada por anos em arquivo. E cá prá nós, fantasia sexual é algo prazeroso com qualquer idade, portanto, ninguém deve lamentar o acesso ao conhecimento cronologicamente falando. O que é bom pode chegar aos vinte ou aos “enta” que se faça presente.
É uma questão de foro íntimo, o entendimento de si mesmo.
Há pessoas que convivem com suas taras e fantasias de forma pacifica, sem dramas, com critérios e outros que não acham espaço dentro da mente para nada que não inclua o que eles imaginam como o sonho perfeito. Só que esses sonhos em algumas fases da vida se tornam sonhos proibidos. Os casos se diferem, porque nada é pra sempre perfeito.
E isso tudo me faz chegar à conclusão de que escrever aqui é mais que uma simples diversão, ou seja, é algo que me traga, me seduz de verdade. Jamais imaginei tentar mudar as pessoas a respeito do que elas pensam. A intenção é apenas esclarecer a quem se interessa por certos assuntos. Como disse o poeta, me considero sim o amargo da língua...
Cada historia que leio eu releio. Procuro dar total atenção, não porque seja somente uma forma cordial de dizer “muito obrigado por escrever”. Se me toco com o assunto é porque ele me fascina, assim como os seres humanos e seus pensamentos me atraem. Seria ilógico pedir a cada um que freqüenta esse espaço pra que conte seus casos, sonhos e realizações. Cada qual tem um lugar onde guarda seus segredos, os que foram e os que virão. Por isso, considero esse convívio um supra-sumo que absorvo e que se transforma num combustível de adrenalina pra seguir sonhando.
Claro que a história de hoje não tem um final feliz, ainda, é claro. Mas se essas linhas puderem servir como aprendizado ou fonte de inspiração capaz de fazê-la imaginar que não está sozinha nesse universo, estará cumprida parte da missão de eleger um link de internet onde cada qual possa chegar escolher o melhor lugar e contar suas histórias.
Quando se fala em sonhos libertinos há uma definição bem condizente: nós somos censores de nós mesmos. Nós nos damos o direito de consentir ou proibir os sonhos de se tornarem reais. É racional, obvio, porque cada qual sabe o terreno onde pode ou não pisar.

E dentro desse contexto o que pode ser considerado como direito líquido e certo é o ato de sonhar. Seria algo pessoal e intransferível. Porque dentro dos nossos pensamentos o mundano e o angelical convivem em plena sintonia.
Alguém num dia desses falou que ao ver o marido vestido de bombeiro a seu pedido segurou uma grande gargalhada pra não estragar a cena. É fato, fez o certo. Porque quando existe a dedicação de quem se desdobra pra ajudar a construir um sonho de quem gosta haverá de existir reciprocidade ampla, geral e irrestrita.


Pense nisso moça nas próximas vezes em que seus sonhos chegarem de mansinho numa noite dessas de verão.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Detalhes ou Polêmica?


Essa eu não vou segurar sozinho...
O Jonas Bond, meu parceiro, cabra da melhor qualidade e bondagista bem intencionado que sabe lidar com as cordas, lançou num comentário de uma matéria da semana passada a seguinte colocação e espera que a participação seja coletiva, assim como eu também gostaria.
Pois ao invés de reescrever o que ele mandou peço licença e posto abaixo:
Abre aspas pra ele: “Tem uma penca de gente que gosta do bondage "DID" (donzela em perigo) e a gente sabe que quanto mais reais as cenas do filme melhor. Mas ai tem um lance, porque quando a gente está praticando "na real" com uma parceira, consensualmente, é claro, eu jogo a pergunta para todos: - Não falta aquela pimentinha de saber que é tudo interpretado? Claro que não estou sugerindo a ninguém para sair por ai raptando mulheres no nada... Só levantando a bola mesmo... Como levar a experiência a excelência ? Fora o fato de que na maioria das vezes a parceira não ser atriz profissional para fingir a ponto de ficar tão real assim....
Ainda tem o lance de que no que você já marcou no motel já cortou uma boa parte de uma possível interpretação real...”
Bom, trocando em miúdos o cara quer saber se vale o aviso antes de rolar um seqüestro lúdico e consentido. A questão parece simples, entretanto, em alguns casos ela se complica. Porque em se tratando de parceiros que já se conhecem, não tem nada demais o elemento surpresa comandar a festa, ou seja, o sujeito chega de mansinho assim sem avisar e passa a mão na mulher pra fazer o serviço.
Porém, (e aqui há mesmo um “porém”), digamos que a coisa role pela primeira vez. Fica uma pergunta pairando no ar...
Qualquer pessoa que se atreva a realizar uma fantasia sabe que a primeira vez pode ser decisiva para que exista o fator continuidade. E é aí que entra a polêmica do Jonas, pelo menos em parte do que ele descreve. Porque se a saída for pré-programada a surpresa vai literalmente para o espaço. A senhorita estará sumariamente avisada de que naquele dia, as tantas horas vai rolar um motel e nele um intrépido bondagista sorrateiramente abrirá sua mala de utensílios e mostrará a que veio.
E pra colocar mais lenha na fogueira o Jonas toca num segundo ponto a ser interpretado. E eu chamaria esse aspecto como “ato teatral”. Isso mesmo, não há definição melhor. É lógico que essa denominação não significa que haja uma simples sugestão da parceira fingir desde a captura até o orgasmo, mas ela tem que participar, daí fica claro o aspecto atriz que ele menciona em seu comentário.
Ora, se houver força de vontade e um mínimo de comprometimento com a fantasia, sou de opinião que cabe aos participantes o ato de encenar pra sair bem feito. O que está fora de questão é alguém se preparar para o ato e ser surpreendido com ironias e desleixo. E isso existe, aos montes.

Claro que eu não vou ficar em cima do muro nessa. Vou abrir a caixa de ferramentas e dar a minha opinião. Fantasia sem entrega não dá, é bola fora. Se existe o interesse dos dois lados em sair da rotina apavorante e bolar algo que interesse a ambos, a coisa só caminha se for bem feita. Sem essa de fazer pela metade ou dar pra trás na hora da onça beber água.
Ou caga ou desocupa a moita. O negócio é bolar, ensaiar os passos e tratar de se apresentar bem ainda que seja para um único e autentico espectador. Fantasia pela metade é como chupar bala com papel.


E vou além: sem surpresa vira filme de site fetichista. Tem que existir um mínimo de adrenalina que garanta os benefícios do bundalelê!
Taí Jonas! Agora é esperar que a galera – e claro, você também – solte o verbo no espaço destinado aos comentários. E todos, fetichistas convictos ou não, são igualmente bem vindos!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Bound Brazil 2012


Após três anos de atividades o site Bound Brazil segue mostrando as meninas brasileiras e o fetiche de bondage.
No mês de janeiro tem muita novidade e alguns retornos que fizeram muita falta por essas bandas.
Pra celebrar, uma pequena amostra do que vem por aí nas próximas semanas.





sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Noções Básicas de uma “Bondagette”


Para os aficionados por bondage as modelos que emprestam suas imagens a sites com esse conteúdo fetichista são chamadas de “bondagettes”. O termo vem lá de fora, da terra onde tudo isso foi criado em meados dos anos cinqüenta. Desde então, as meninas que aparecem amordaçadas e em situações de perigo são carinhosamente chamadas assim.
Entretanto, não é preciso ser uma modelo de site fetichista para qualquer mulher se tornar uma bondagette. Ela precisa ter noções básicas de como expressar o perigo nos olhos e nas atitudes. E pra isso, não é necessário existir uma câmera de foto ou vídeo ligada para captar as imagens, porque uma mulher pode ser uma bondagette entre quatro paredes, numa gostosa brincadeira de bondage.
Ou ainda sugerir aos que gostam do fetiche através de fotografias livres, sem compromissos estéticos de perfeição como exigem os portais comerciais. Mas nem só de imagens vivem as bondagettes. Se existisse uma escola para formar meninas interessadas em arrastar um fã clube de viciados em bondage, ela ensinaria que uma bondagette reluta em se entregar ao captor, porém, há um limite para essa resistência. Atos muito violentos de captura forçada não podem fazer parte do roteiro. Talvez por isso cenas de clorofórmio são muito usadas nessas produções, porque resolvem a parada em segundos e a bondagette não sofre tanto ao ser raptada pelo vilão.
O que importa na verdade é a chegada de novas musas no universo.
Tanto as que povoam as telas em sites comerciais, como as que abraçam a causa fetichista. E por falar em causa fetichista, o elemento que move a imensa roda giratória que propaga essa onda cheia de magia, sempre agradece a atitude das moças que se dedicam a divulgar as imagens que produzem.
E este espaço é um lugar que vive deste tipo de iniciativa, como a da leitora da foto que abre este artigo em brindar o povo fetichista com sua imagem exibindo o que nos faz acreditar que ainda é possível sonhar com dias melhores. Porque pode parecer simples, muito pouco até, mas pra quem admira uma mulher em apuros o desprendimento de pessoas que se emocionam com essas cenas é a síntese do prazer.
Então, como negar que sempre buscamos este tipo de imagem dentro de nossa fértil imaginação? É o que os americanos chamam de “girl next door”, ou seja, a mulher comum, aquela que você está acostumado a cruzar em qualquer esquina, num bar, numa festa ou aonde for. Porque basta ter um pequeno espaço de tempo para um bondagista produzir uma nova musa dentro de seu pensamento.
Nos resta desejar que essa iniciativa não seja uma ilha num oceano e que outras tantas novas musas dêem o ar de sua graça e dividam conosco o que nos faz feliz. Pouco importa a perfeição num caso como esse. O que vale é à vontade e a coragem de exibir um pedaço de fantasia que tanto admiramos.

E pra fechar esse assunto do quesito bondagette é importante deixar registrado que não há modo comparativo entre um trabalho profissional e um amador. O “feeling” fetichista é o aspecto a ser analisado apenas. Questões como imobilização ou outro critério técnico ficam de fora. Vale analisar a imagem como cena de perigo, seqüestro simulado, rapto consentido, ou qualquer outro fator que tenha esse contexto.
As imagens têm semelhança, talvez não tão visíveis para quem olha pela primeira vez. No entanto, para aqueles em que o fetiche funciona como mola propulsora a questão básica de uma

cena onde uma bondagette exibe seus dotes, deve estar estampada somente por um critério: interpretação da fantasia.
E pra nós, isso já é o suficiente.
Pra você que gentilmente me enviou esse ensaio maravilhoso meu sincero muito obrigado.

Um bom final de semana a todos!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Sinal dos Tempos


Ou a mulherada anda mesmo de orelhas atentas ou o mundo não é mais o mesmo.
Cada dia que passa me surpreende certas atitudes das mocinhas que o povo fetichista costuma chamar de baunilhas. Esse termo na verdade nada tem de pejorativo porque apenas define o não entrosamento com certas práticas que se costuma falar aqui, no entanto, independente de ter apreço por qualquer prática específica que se julgue fetichista, as fantasias das moças andam mexendo com minha cabeça.
E pra quem freqüenta esse espaço, vale conferir o que as meninas andam tramando e analisar friamente se isso pode um dia ser parte do glossário fetichista.
Alguém já ouviu falar em “descascar” o parceiro?
Explico: ela quer que o namorado chegue de terno e gravata, elegantemente vestido. Então, literalmente ela irá arrancar a roupa toda do parceiro e usar suas próprias vestimentas como parte da fantasia. Gravata vai virar mordaça, cinto corda e meias uma venda. Olha, ela garante que é uma fantasia pulsante e não aceita outro tipo de roupa para a ocasião.
E pasmem, porque os planos da moça são ousados para depois da imobilização. Como ela faz questão de deixar claro, se julga malvada e sórdida, e garante que a tortura sexual será lenta e abrasiva. Quer tentar? Eu toparia...
Outra me pergunta se esse negócio de amarrar durante a transa faz efeito. E pra comprovar ela pede uma dica para tentar experimentar antes de apresentar ao namorado a fantasia. Bom, neste caso é o chamado self-bondage, que nada mais é que se auto-imobilizar para conseguir doses de prazer. Mas como obter prazer sem o principal coadjuvante?
Vamos lá menina, preste bastante atenção na lista de objetos necessários.
Dois pedaços de cordas de um metro cada. Qualquer uma, e pra você que não é especialista, serve aquelas de secador que vendem no mercado. Um par de algemas sem aquelas travinhas de segurança comum nas vendidas em sex shops. Peça a policial. É mais cara, mas tem suas vantagens. Um lenço, um vibrador pequeno e uma forma de fazer gelo.
Vamos à receita.
Congele as chaves das algemas dentro de um quadrado da forma de fazer gelo. Retire o cubo e coloque num pires ao alcance. Amarre os joelhos e tornozelos, firme, da forma que os deixe imobilizados. Introduza o pequeno brinquedinho vibratório na vagina, vibrando, é claro.
Amarre o lenço na boca e algeme suas mãos atrás das costas.
Pronto. O tempo que durar o degelo do cubo e as chaves estejam liberadas é o tempo em que você permanecerá imobilizada. Não se assuste e esteja certa de que você bolou a brincadeira, portanto, relaxe e aproveite a oportunidade de curtir uma boa sessão de self-bondage. Mas não se esqueça de deixar uma amiga próxima de sobre aviso caso algo aconteça com você durante a sessão. Pessoas com fobias não devem fazer esse tipo de prática. A solidão poderia aumentar os riscos consideravelmente.
Se quiser colocar requintes na prática, use uma câmera fotográfica e programe disparos alternados e automáticos, e claro, virada para a sua direção. Se quiser mandar as fotos pra cá ninguém se importa e eu crio um artigo a respeito.

Amanhã mesmo postarei umas fotos de um ensaio solitário de alguém especial.
Há quem diga que as práticas solitárias não funcionam. Claro que uma fantasia realizada a dois, a três ou a quatro que seja, vale muito mais. Entretanto, algumas razões existem para que haja a escolha por realizações solitárias. Isso é uma questão de foro intimo e há os que preferem desta forma, além, é claro, das que por um momento estão sem parceiros e não querem abrir mão do que mais gostam.
E não podem ficar de fora as experiências de pessoas que recém deparam com o fetiche e querem experimentar antes de apresentar a quem de direito, como é o caso de hoje aqui na matéria.
Como as fantasias são totalmente particulares e pertencem de fato e de direito a quem as cria, vale tudo que a mente admitir no intuito de satisfazer os desejos mais estranhos que se possa imaginar.

Isso é fetiche!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Ultima Academia BDSM


O clube Rapture ficava em New York.
Uma autentica academia onde se aprendia a praticar todo tipo de cena dentro do BDSM.
A palavra "Masmorra" não fazia justiça ao lugar. Rapture era uma casa de teto alto em Manhattan, ocupando um andar inteiro de um estúdio / sótão.
Quatorze senhoras preparadas para receber num ambiente de quatro quartos, cada um especialmente equipado para atender aos caprichos perversos de sua clientela.
Duas salas eram um “standard dungeon”, outra era uma sala equipada para bondage e Shibari, e uma sala médica. Embora não tivesse em sua atmosfera a ostentação de outras casas de dominação da cidade, tais como o “Pandora’s Box”, era limpo, seguro e estéril, o que não pode ser dito sobre todas as casas de BDSM em Nova York.
O Rapture também tinha definida a "política sem sexo". Era uma escola, ou, pelo menos deveria ser.
A caixa de ferramenta sórdida continha uma lista quase infinita de implementos de disciplina; bengalas, floggers, bullwhips e instrumentos de tortura, tais como velas, piercing, equipamentos, aparelhos de eletrocussão, e os brinquedos de humilhação como móveis de tortura medieval e as câmaras, incluindo vários cavaletes, camas para prática de bondage e diferentes e atrativos jogos de cordas cortados em tamanho padrão.
Bastaria colocar as mãos em todos eles, participando do que seria o melhor curso de dominatrix do mundo; treinamento intensivo que fazia com que as meninas do Rapture fossem consideradas as melhores no negócio.
Quem pensa que ser uma dominatrix é um caminho rápido para o dinheiro fácil está redondamente enganada. Este curso intensivo abrangia todos os aspectos da profissão, desde psicologia e segurança, as habilidades técnicas necessárias para utilizar as ferramentas, e como preencher as horas assim que o escravo fosse prostrado aos seus pés.
As sessões poderiam durar até seis horas.
Qualquer um podia escolher cursos avançados em temas tais como bondage e shibari que envolviam instrutores convidados, e intimidação não conflituosa. A mente se encantava.
Os instrutores, Ardenne e Mitsu ensinavam os truques da dominação.
Eles fizeram um relato de uma versão compactada de um curso que normalmente demoraria sete dias, uma semana que se iniciava com o atendimento por telefone e terminava com a formação em jogos sexuais avançados.
E tudo isso se resumia num mundo de dominação que só de imaginar dá vontade de aprender.
Ardenne foi para uma escola católica aos 12 anos. Ela descobriu o BDSM aos 22, ano em que perdeu sua virgindade. Um ano mais tarde começou a trabalhar no Rapture. Inicialmente uma sub, afirmava que começou no Rapture para voltar para um ex.
Mitsu declarou na época: “existem os que insistem em realizar fantasias que fogem do objetivo do curso, que está totalmente fora de nossa própria capacidade técnica.”
Como um cara que perguntou: "Você pode me castrar?”
Eu apenas respondi: “Você precisa ir a um cirurgião para isso.”

Tudo isso foi um sonho que durou exatos cinco anos, porque há algum tempo atrás o proprietário do Rapture, Collin Reeve, foi preso juntamente com todas as dommes do local acusado de prostituição e outros delitos.
O Rapture fechou suas portas e hoje restam fotos e recordações do lugar.
Ninguém sabe ao certo se realmente existia esse tipo de atividade no local, ou por desavenças com a vizinhança o clube tenha vivido em 2008 seus últimos dias.



A idéia era ótima, o clube foi famoso e teve seu tempo de glória que terminou com o pagamento de uma fiança de 30.000 dólares e o desaparecimento de seu proprietário, dominadoras, móveis e utensílios.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Quando Vias se Encontram


Noutro dia alguém me disse assim: esse negócio de amarrar a pessoa na hora do sexo é coisa de maluco. Ok, mais uma opinião desse tipo é fácil de absorver. Pra quem não sabe, por dia chegam aqui vários emails, dos mais interessantes, como o de ontem, aos mais absurdos.
Daí, o fetiche ser taxado de maluquice é pouca areia pra botar no caminhão.
E nesse emaranhado de correspondências uma me chamou a atenção.
Não vem de nenhuma bíblia fanática ou de revoltados fundamentalistas sociais.
Alguém que quando descobriu que amarrar é um fetiche interessante na hora da transa, comparou com épocas da vida em que pensou nesse ato de forma totalmente contrária.
Ela disse assim: “eu tinha um fetiche lá na minha empresa: era amarrar a minha ex-orientadora e tirar página por página de um livro dela e fazê-la vê-lo navegar em forma de barquinhos de papel no rio Faria Timbó.”
Claro que dessa forma o ato de amarrar não tem nada a ver com fetiche. Trata-se de uma vingança altamente cruel, porque quem mora aqui nesta cidade maravilhosa certamente sabe que o Rio Faria Timbó é um verdadeiro esgoto a céu aberto...
Mas a moça segue com outros pensamentos que de um momento pra outro, amparado nas entrelinhas aqui de um blog fetichista a fizeram relembrar de certos delírios.
Aspas pra moça outra vez: “isso sem contar a minha versão heavy metal para a explosão do cemitério dos Inocentes em Paris e o desejo atual de bagunçar o cabelinho de Justin Bieber do meu orientador atual completamente amarrado (coitadinho... Esse até que escreve direitinho)”
Bom, antes de qualquer coisa vale salientar a veia sádica de nossa amiga leitora. E fico aqui pensando nas coisas que ela poderia pensar a meu respeito e, sem qualquer cerimônia, me encaixar nesses delírios de verão que ela anda flertando.
Esse papo é bom. E com toda a certeza servirá pra esclarecer de uma vez por todas que o ato de amarrar durante o sexo nada mais é do que um fetiche inofensivo e de resultados surpreendentes. A maldade está implícita no pensamento de quem critica sem conhecimento ou inflado por idéias conservadoras de quem gosta de se achar o dono da verdade.
Neste caso, duas vias se encontraram num paralelo que foi possível traçar diante de uma leitura de um tema especifico. A leitora aproveita o embalo e usa sua imaginação pra se encontrar onde as cordas fizeram parte de seus pensamentos. E, com certeza, sabe perfeitamente separar as coisas, porque quando existe o argumento da gozação sem ser jocoso é sinal de que a inteligência falou mais alto.
E muitos bondagistas tiram sarros desses papos. Em tempos difíceis, quando ninguém falava de bondage como um fetiche, era comum achar tesão em argumentos desse nível.
Um amigo outro dia me relembrou que nos tempos de colégio, na adolescência, costumava provocar situações de vingança nas meninas e ficava a espera de uma resposta que satisfizesse sua ânsia fetichista. Segundo ele mesmo afirma, quando o papo colava e as garotas vociferavam desejos de vingança mesmo em tom de brincadeira, e afirmavam que amarrariam a fulana pra lhe cortar os cabelos. Então ele plasmava a imagem que lhe rendia umas cinco bronhas na semana. Dias que se foram...

A conclusão é simples. O ato de amarrar durante a transa não visa privar alguém da liberdade ou forçar qualquer acontecimento. A coisa funciona de forma consensual e a idéia é privar os sentidos e ser o dono da situação no ato. Pra quem gosta é um prato cheio, costuma causar terremotos e devaneios suficientes que se prolongam na medida em que os parceiros se tornam praticantes dos jogos.
No entanto, não existe insanidade ou demência capaz de transformar uma brincadeira de adultos num ato psicopata.
Se praticar bondage é um ato de loucura como alguns insistem em dizer, só posso afirmar que a
minha loucura será perdoada...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Teoria do Medo


Que venha 2012...
E que venha trazendo o que mais me agrada aqui no blog, a participação de quem lê.
E pra começar bem o ano uma obra prima, traçada com requintes de crueldade para olhos fetichistas.

Um cheiro especial de saudade, amor, paixão e suspense... Foi assim, e começou tampouco a tarde caiu. Sentei numa linda poltrona Bergere. O antiquário tem sempre um ar de assombro pairando, por isso, dei asas à imaginação.
E de repente tudo ficou em meia luz. Passos. Ouço passos. Cheiro bom de perfume. Másculo
Vejo por baixo um sapato sem meia, senti uma presença por trás de mim, eu lia um livro. O coração acelerou, olhei em volta e nada mais vi. Ficou somente o cheiro de perfume de homem.
Um vento frio cortou o ar, ouvi passos no andar de cima. Curiosa, apesar do medo, subi devagar.
Tentei acender a luz e nada. Falta de energia proposital? Ofegante, transpirava e caminhei pro final do segundo andar quando ouvi um som, abafado, como um sussurro.
De novo, apenas o cheiro do perfume...
Do nada uma venda me tirou a visão. O coração acelerou, eu quis gritar. A boca foi tampada, suavemente, e vieram doces beijos na nuca. E o comando de uma voz: - quieta!
Não tinha o q fazer.
A vontade era de gritar, chorar, e ao mesmo tempo... Tesão
Cordas foram passando pelo meu corpo. Amarraram as minhas mãos e segui comandada pela voz forte. Mágico, elegante, me fez tremer e gemer ao mesmo tempo. Fui amordaçada...
Transpirei de medo e desejo. Perdi a noção e a direção de tempo e espaço.
Estava a mercê daquele homem que parecia me conhecer tão bem e de quem eu não tinha nem direito de arriscar o nome. Tentei me soltar, enxergar e agucei os sentidos. Eu estava só naquele galpão imenso. Onde estaria ele? E se não fosse apenas um? E se viessem muitos?
Não, não podia pensar assim, o medo não podia me dominar e a solução foi me acalmar.
Senti a baba escorrer pelo canto da boca. Não podia tatear, apalpar, apenas ouvir, e o ruído do silêncio era enorme
Uma mão surgiu silenciosamente percorrendo meu corpo. Era ele, reconheci pelo perfume.
Ele procurava meu corpo e meu cheiro de fêmea acuada, amedrontada. Acariciava cada pedaço como num reconhecimento de terreno e tomava posse aos poucos, sussurrando palavras obscenas. E o medo foi se transformando em desejo, o gemido saindo abafado até que ele me tirou a mordaça e me beijou com calma, devagar, amoroso, apaixonado, me possuindo, beijando, lambendo, sugando, me libertando pouco a pouco, num frenesi louco e suave...

Por Lena, Niterói, RJ

A teoria do medo, do suspense que a fantasia sugere é disparado a maior sensação quando o assunto é bondage. Um delírio, real ou abstrato, pouco importa, já que nesses casos o principal é a essência, a mistura de emoções quando tudo toma forma.
O relato da Lena é impecável e altamente recomendado para quem quer começar o ano pensando em coisas inusitadas.
Nada melhor pra abrir o ano cheio de idéias na cabeça...

E cá pra nós, é um culto ao bondagismo!