sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Amarrou sua Secretária?


Quantas vezes você sonhou com ela totalmente imobilizada em sua mesa de trabalho?
Estou falando da sua secretária.
Motivos? Vários, desde um simples delírio fetichista sexual a um belo castigo. Castigo mesmo, por falar demais, por errar alguma ligação importante, enfim, um deslize que aqui no universo paralelo habitado por intrépidos sonhadores sedentos por suas fantasias se torna um começo.
No dia dedicado a essas moças que povoam nosso subconsciente fazendo com que sua profissão por si só já represente um fetiche, a minha admiração. Aliás, o que seria de mim sem a minha secretária? Lógico que a frase se refere à presteza e trabalho, mas num tempo remoto, minha ex-secretária fez parte do elenco do Bound Brazil. Que saudades da Scarlet!
Qual a esposa, namorada ou até amante não morre de ciúmes de uma linda secretária?
Talvez o fetiche venha dessa situação intrigante que uma bela secretária provoca na imaginação das pessoas. E o fetiche nasce e se desenvolve na nossa imaginação.
Onde mais?
Várias vezes apostei neste tema pra montar minhas tramas dos filmes do Bound Brazil. Uma roupa elegante, um penteado ajeitado e unhas perfeitas. O ponto de partida impecável para transformar essas “Deusas” em vitimas. Depois, vê-las aprisionadas com saltos reluzentes e meias de fina seda se transformam no colírio pra olhos cansados.
E as secretárias carregam uma magia realmente intrigante.
O sujeito não sonha com uma mulher a frente de sua sala desarrumada ou descabelada. Ele delira com uma mulher perfeita em todos os aspectos, porque faz parte do subconsciente trazer fatos que captamos em algum momento da vida.
Um amigo me dizia: brother, não existe secretária feia. Há as mal arrumadas.
Acho que é mais ou menos por aí. A mulher quando assume este tipo de cargo sai de casa pronta pra arrasar. Ela começa o dia arrancando suspiros por onde passa até chegar ao seu local de trabalho. Lá ela encanta a quem está ao seu lado no dia-a-dia e aos visitantes.
Posso me considerar um sujeito de sorte. Desde que resolvi montar meu negócio várias princesas estiveram na linha de frente. E por incontáveis vezes tive que escutar algum cliente ou amigo sussurrando baixinho: porra, como é boa a tua secretária!
Por isso, este espaço genuinamente fetichista rende homenagens às secretárias.
Porque secretária não precisa ser submissa, dominadora ou afim pra despertar ondas de fetiche em seus admiradores. Elas não precisam aparecer amarradas (embora devessem) ou em outro tema fetichista qualquer. Basta ser secretária pra ser a tal, a rainha do pedaço, a boazuda da rua, aquela que todos sempre desconfiam que no fim de tarde se enrola com o patrão.
Os caras montam filmes de sacanagem e logo entra em cena o patrão com a secretária entrando no motel. Pornochanchada era assim. Quem já entrou nos quarenta deve lembrar da estonteante Helena Ramos interpretando Regina, uma ex-secretária no filme Mulher Objeto de Silvio de Abreu de 1981. Uma delícia. Um glossário de fetiches.

Porém, como um bom bondagista de sangue azul não abro mão de ver uma secretária em apuros. Uma ladra que invade seu local de trabalho sempre foi meu roteiro favorito. Nada melhor que ver uma mulher imobilizando a outra transformando-a num simples joguete.
No site há dezenas de casos desse tipo. Fazer o que? Está adormecido aqui dentro e desperta quando elas aparecem elegantes esperando pelos nós...
Portanto senhoras e senhores: vamos dar os parabéns a quem de direito em seu dia.
Porque ainda que o amigo jamais tenha experimentado a delícia de ter uma linda secretária capaz de preencher toda a sua imaginação fetichista, não se aborreça. Peça para sua parceira se vestir como tal. É tiro e queda.
Monte um bom cenário e acima de tudo viva intensamente a fantasia.

Um bom final de semana a todos e, em especial, a todas as secretárias!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

No Gargarejo


Pra turma do gargarejo o melhor do meu brother Bill do site JBRoper.
Pode arquivar.




quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Prós e Contras


Muitos acreditam nas voltas da vida. Me incluo neste time.
Entretanto, essas viradas volta e meia são dolorosas, conflitantes e, algumas vezes, parecem contos de pura ficção.
O que vocês vão ler a seguir é uma história autorizada de alguém bem próximo que conta com minha admiração. É muito bom ser amigo desse cara de idéias simples e coração pulsante.
Tudo começou num desses acasos da vida.
Várias vezes o Jonas confessou aqui no blog sua preferência por praticar seu fetiche de bondage com meninas de vida horizontal. Garotas de programa sempre foram sua válvula de escape, a fantasia perfeita que funcionava com prazo de validade e não tinha continuação no dia seguinte. Mas num dia o caldo entornou e nosso herói se meteu em apuros.
Foi assim...

ACM, meu caro. Sobre a parada com a garota há um problema: estou gostando da moça e bem ou mal estou me tornando um amigo que ela está precisando, porque anda mesmo mal no momento. Engraçado que a gente pensa que esses mulherões de site chique estão cheias da grana e pensamos na tal "vida fácil", mas ouvindo a história dela – eu fui a casa dela e vi de perto algumas coisas para realmente acreditar.
Essas minas recebem em média uma ligação por dia, isso em maré boa porque podem ficar uma ou duas semanas sem nada. Pagam quase 2000 Reais (se não racham) nessas quitinetes em Copacabana (A maioria tem base lá) e agora que eu descobri a versão século 21 dos gigolôs e cafifas vi que não tem porcentagem, eles cobram uma grana todo mês para as meninas terem as fotos no site.
Esse que eu postei no Facebook e dei a dica pra galera cobra 1000 reais por mês. Cara, isso é lucro liquido, tira fotos uma vez, depois é só sentar e receber a grana. Só precisam ser espertos para captar meninas bonitas, o que cá entre nós, no Brasil não é tão difícil assim...
Essas meninas, em média ganham grana praticamente para sobreviver, em outras palavras, são comidas para poder comer. É triste cara, não sou contra a profissão, seria hipócrita, mas não tem nada de legal nisso ai...
Eu hoje estou com a cabeça super virada sem saber lidar com esse negocio. Quero ajudar a gata, dai penso em jeitos "cibernéticos" de fazer isso (sou da área), mas ao mesmo tempo, gosto dela e não quero botá-la dentro dessa vida ainda mais.
A gente sai, da uns beijos e eu não consigo chegar "junto" porque ela pode pensar que estou apenas querendo "levar a mercadoria de graça", ao mesmo tempo me sinto mal por oferecer colocar alguma grana na mão dela e ela se ofender.
Também tem o fato de eu ficar sem saber se ela está a fim ou é simplesmente porque eu estou pagando a conta. Sinuca doida meu amigo! Nunca pensei em me ver numa situação dessas.
Fica a vontade para usar a minha história ai no blog se quiser...

Simplificando, jamais tive a intenção de ser o Analista de Bagé ou reviver o antigo “pergunte ao Barão” da revista Ele e Ela. Na verdade, o caso do Jonas começa e talvez termine por conta do fetiche bem feito, na medida perfeita que faz a cabeça do cidadão.
O fato de se apaixonar por uma mulher que se prostitui aqui é apenas um detalhe. Há milhares de relatos com o mesmo conteúdo e todo mundo está careca de saber que isso é real.
Creio que o Jonas não precisa de conselhos, ele apenas necessita se achar no meio desse imbróglio em que se meteu. Talvez o recente fim de seu casamento o tenha deixado um pouco carente ou a realização do fetiche pretendido o tenha feito balançar.
Ele mais do que nunca precisa lidar com isso e analisar se seu futuro começa por aqui.
Se vale uma opinião pra encerrar o assunto diria que o tempo deve ser seu principal aliado na hora de decidir se segue em frente e encara a sinuca ou desse do trem.
Aos interessados em dar uma bola ao meu grande brother a tribuna é livre e ele agradece.

E já que o Rock and Roll anda em alta por aqui, uma versão de Paulo Miklos pra contar a história do Jonas.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O Elevador


Rodrigo era alucinado por cenas perigosas. Seu sonho era viver no fio da navalha e inventava as transas mais absurdas na esperança de um dia realizar suas fantasias.
Foi apresentado ao mundo fetichista por um amigo e logo se declarou um switcher, tinha atração pelas duas faces da moeda.
Num dos encontros conheceu uma dominadora muito louca que ao saber de seus devaneios achou o máximo, passando a contar os dias para viver uma nova aventura.
Aos poucos foram criando uma lenda própria e toda vez que se encontravam faziam planos que nunca chegavam a se tornar realidade.
Um dia voltando de uma noitada com os amigos depararam com um prédio em reforma numa rua pouco iluminada no Centro da Cidade. Trocaram olhares libidinosos e seus pensamentos entraram imediatamente em sintonia. Tentaram a porta e não foi preciso fazer força porque nem tranca havia. Se embrenharam na escuridão e só a chama do isqueiro iluminava seus passos.
Entre entulhos e restos de fios descobriram um elevador antigo de porta pantográfica enferrujada e coberto de poeira por todos os lados. O lugar perfeito, a aventura sem limites no escuro sem saber se alguém viria para estragar a festa.
Tomaram coragem e resolveram tirar o fetiche da imaginação.
Ela atirou-lhe contra a parede suja, colocou-o de costas, tirou-lhe o cinto, suas calças caíram e com um violento tapa mostrou quem iria comandar a cena.
Catou pedaços de fios elétricos espalhados pelo chão e amarrou-lhe as mãos para o alto no que havia sobrado da porta em estilo sanfona, usou a gravata como mordaça e o fez implorar com gemidos abafados por sua mão forte.
Usou-o como seu objeto, o fez de gato e sapato, Rodrigo tremeu na base sem precisar pedir nada, cada passo que seguia era a realização plena de sua fantasia. Ela fez florescer todo seu instinto dominante e o invadiu com seus dedos antes de explodirem num gozo profundo, duradouro e indecente.
Vestiram-se depressa quando escutaram ruídos de alguém, talvez atraído pela volúpia dos gemidos e das ordens humilhantes em voz firme e tom elevado. Escaparam como crianças arteiras com um sorriso maroto na face, sorrindo do “crime” cometido com requintes de crueldade.
A partir daquele dia nasceu uma paixão desenfreada e Rodrigo e Elena nunca mais se separaram. Tentaram outras aventuras perigosas em outros lugares, porém foi impossível reviver aquela noite que permanece em suas lembranças como se fosse à única, um começo de tudo.

Hoje, casados e felizes, esperam pelo segundo filho vivendo uma união estável e tranqüila, entretanto, sem deixar de realizar suas fantasias fetichistas.
Rodrigo não vive mais no fio da navalha e Elena domina e é dominada com naturalidade. Criaram uma mística com ritos próprios e até arriscam fantasias mais ousadas com terceiras pessoas bem longe de casa.
Todas as vezes que a vida me leva a Buenos Aires faço uma visita a meus dois amigos, leitores assíduos aqui deste Blog, de quem ouço grandes histórias e a quem dedico estas linhas, mesmo em Português.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Mitos


Pouco importa se a parcela de pessoas que gostam de cenas de bondage seja menor que um grão de areia comparado com um todo. ”Todo” esse tremendamente reduzido a uma pequena fatia de pessoas que apostam no sucesso de suas fantasias sexuais.
A melhor parte da aventura é ser parte dela.
Não é tão simples viver uma fantasia e dividir com todos dispostos a ver. O caso é complexo. Porque não é fácil convencer a estranhos que coisas que chegam por meio de notícias muitas vezes atrozes sejam capazes de despertar tesão em certas pessoas.
Talvez minha insana loucura seja perdoada por mim mesmo apenas. E nas vezes em que me vi falando a uma menina qualquer que lhe enfiaria um lenço na boca e usaria cordas para impedir seus movimentos, além de fotografar tudo e levar pra casa, assisti a piração muito de perto.
Neste instante, com jeitão de histeria coletiva, explicar a conta é como provar que o verde é azul. Só acreditando muito no resultado é possível prever que um satélite caia do céu a dois palmos do nariz. Nunca consegui prever nada além de uma possível caganeira depois de me encher de bobagens em fim de noite...
Pode ser que tudo aqui esteja muito desconexo. Mas como não bebi nada além de suco e água e fumei somente cigarro ainda é possível escrever que a vida é cercada por mitos e lógicas que desafiam a vontade e, principalmente o desejo.
Ninguém suporta rótulos, seja qual for. Até mesmo o melhor dos CDF’s (cú de ferro) detesta ser chamado dessa forma mesmo que não desgrude a bunda da cadeira por uma tarde sequer. Talvez eu ande um pouco cansado de ter um rótulo também.
Outro dia me ligou uma garota que vem a ser amiga de uma amiga que fez um trabalho de bondage para o meu site perguntando sobre a possibilidade de trabalho. Até aqui tudo certo. Só que ela se apresentou e saiu perguntando se estava falando com um cara que paga uma grana pra amarrar as garotas e tirar fotos. É pica!
O melhor é respirar e contar até três. Porque eu não sou o cara que amarra as mulheres e tira fotos. Eu filmo também. E não faço apenas isso na vida, aliás, se fizesse estaria literalmente fudido. O problema está na continuidade, na forma como as pessoas tem um conceito. Daí vem o rótulo: o bondagista cruel capaz de tirar o sorriso lindo de uma garota não menos bonita pra agradar a uma minoria sedenta.
O sujeito que posta fotografias de mulheres em agonia, imitando situações de seqüestros e às vezes até de vinganças e traições ou tramas de sexo forçado. Porém, o que soa ilógico e canalha faz parte do sonho erótico de alguém que se derrete entre quatro paredes com uma brincadeira dessa natureza.
A idéia não é mostrar a um facínora como agir com as meninas na rua. O filho da puta que faz este tipo de coisa e ignora o fetiche como fantasia sabe muito bem o que faz e nada que seja uma simples historinha de filme de ação faz sua cabeça lotada de imbecilidade.
Então, se a sociedade criou um mito a este respeito eu só lamento.
É fato que muitos que são contrários a este tipo de fantasia combinada com o sexo lotam os prostíbulos na calada da noite, ou num fim de tarde em que o expediente encerra mais cedo, a procura do prazer no anonimato.

Mas eu meti e meto a cara. Porque de duas coisas jamais vou morrer: de medo e de parto. Portanto, me orgulho de ser o que sou, de ter feito o que fiz, do que faço e do que ainda farei. Sem essa de dizer que crio sem emoção, sem batimento no peito.
O que produzo é um retrato do que acredito como fantasia sexual adornado por requintes capazes de roubar a cena, sempre imaginando que outros como eu, habitantes de um mesmo quinhão de terra desejam ver como sonhos retratados.
Por isso, quando olho um trabalho de quase quatro anos atrás consigo lembrar de cada

detalhe, de como tudo foi concebido. Talvez isso me faça seguir.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

As Nossas Moças


Um amigo outro dia me fez uma cobrança.
Por que dar uma “canja” para sites estrangeiros e deixar de fora as moças brasileiras que depois de três anos sabem como mostrar bondage na tela?
Ilustre pela saco: às vezes é complicado falar do que a gente faz. Mas levando em consideração a nossa velha amizade, de bandeja eu posto alguns trabalhos realizados em diferentes fases.
A prova contundente de que estas “Deusas” já possuem uma grande legião de seguidores pelo mundo afora.
Diana Vidal, Jamylle Ferrão, Luana Fuster, Isadora e Miranda.
Uma baita comissão de frente.
Confere.
Um bom final de semana a todos!




quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O Açoite na História


O açoite é uma prática ligada ao sadomasoquismo. E para os interessados e amantes deste segmento é hora de falar como começou tudo isso.
O açoite teve um papel surpreendente e vital na história da humanidade.
Ao longo dos séculos, nossos antepassados incorporaram o açoite em suas práticas sexuais, espirituais, judiciais e de forma medicinal também. A flagelação em nome de Deus está longe de ser uma coisa rara. Quase todas as religiões, os cultos antigos desde as civilizações Mediterrâneas da Grécia, do Egito, Roma e Pérsia, e mesmo as religiões Islâmicas e Cristãs têm em algum ponto da história a flagelação incorporada em seus ritos e práticas.
Na Sparta Pagã, por exemplo, todos os anos durante um festival chamado “Dia do Flagelo”, os jovens eram trazidos diante de um altar dedicado à Deusa Diana onde eram chicoteados na hora do crepúsculo.
O açoite tem também a reputação de servir para valores medicinais. Na antiguidade foi utilizado para purificar o corpo, produzir enzimas para a coagulação além de melhorar o humor dos pacientes. Utilizava-se também a flagelação para diminuir a barriga, melhor a circulação sanguínea e como tratamento para os nervos. Demência, preguiça e depressão também eram tratadas com açoite.
Embora se saiba que o sadomasoquismo sexual foi praticado desde as épocas mais remotas, a descrição dessas atividades foi publicada no século quinze pela primeira vez por um italiano chamado Pico Della Mirandola, que descreveu sobre a tese de que um homem somente poderia apreciar as delicias do sexo se antes sofresse açoites que fossem capazes de lhe sangrar as costas, através de uma chibata embebida em vinagre.
Claro que esses escritos causaram revolta em seu tempo, porém o primeiro trabalho evidente ligando o SM ao sexo data do ano de 1718 e foi intitulado de “A Treatise on the use of Flogging'” (Tratado sobre o uso do Açoite). Com o aparecimento deste livro, a flagelação transformou-se num fervor que percorreu toda a Europa, a tal ponto que a obra foi traduzida pra o francês com o titulo de “Anglais de le Vicio” (O Vicio do Inglês).
Nesse período ocorreu à aparição de vários bordéis dedicados exclusivamente a pratica da flagelação, sendo que alguns se tornaram tão badalados que receberam a visita de cortesia do Rei George IV como o de uma senhora chamada Colette. Durante essa época, alguns inventos foram criados com o intuito comercial de abocanhar uma fatia desse mercado, e além do próprio Cavalo de Berkley, um homem criou uma máquina que podia chicotear quarenta pessoas ao mesmo tempo.
Existem muitas lendas sobre flagelação no meio da nobreza, como um nobre masoquista que alugou uma casa e empregou uma mulher de certa idade, muito atrativa. Este senhor se vestia como uma menina, pegava os instrumentos de limpeza da mão de suas criadas e exigia que fosse castigado por elas durante o tempo em que fazia a faxina na casa. Há também relatos sobre Catherine de Medicis que pegava suas criadas e as chicoteava curvadas em seus joelhos como crianças pequenas e arteiras.

Hoje, o açoite é utilizado de forma totalmente diferente de nossos antepassados.
Somente os instrumentos que adornam as práticas de BDSM remontam a esses tempos históricos, e existem milhares de artigos que tentam reproduzir as imagens desse período que resultou nessas práticas sexuais, que de certa forma tornaram-se definitivas dentro da vida de algumas pessoas.
O desenvolvimento destas práticas dentro do BDSM gerou o principio consensual, facilitou o aparecimento de grupos, códigos de condutas, enfim, todo um conceito geral criando limites entre os praticantes para tornarem essas práticas seguras e conscientes.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Olhar de Bondage


Quando começo a gravação de um vídeo para o Bound Brazil costumo dizer à modelo que é fundamental acreditar na cena, se ver em apuros ao menos por alguns minutos. Só assim a cena produzirá o efeito desejado, caso contrário fica um trabalho estático, sem vida, muito próximo de uma parca encenação.
Muito já se debateu aqui sobre a questão da menina em perigo.
Talvez este seja um fetiche que agrade apenas a uma pequena parcela da população que coabita este universo, porque grande parte do povo que namora cenas fetichistas prefere as ações onde a contundência ganha formas. Diria que Damsels in Distress é mesmo um segmento restrito. Um gênero que evolui bastante é verdade, mas que não consegue alinhar nas fileiras um grande número de adeptos.
Entretanto, existe um aspecto capaz de juntar as hostes e proclamar a adesão.
Porque a manifestação do fetiche muitas vezes se processa por pequenos detalhes, e no olhar de uma menina indefesa diante de um algoz qualquer pode estar depositado um grande segredo.
Um bondagista fissurado neste segmento específico não costuma colocar castigos em seu vernáculo fetichista. Ele passa. As cordas ou metais que aprisionam a heroína das histórias são suficientes pra aplacar sua veia latente. O silêncio forçado retratado na expressão do olhar é o brilhante que falta pro bracelete ser considerado perfeito.
Daí em diante ele sabe o que vem. Conhece cada atalho do caminho que ele costuma trilhar.
Mas na mesma expressão de perigo pode estar explícito outro começo de jornada pra quem espera de uma imagem fetichista muito mais que uma história de rapto bem elaborado. Essa parcela que não comunga do mesmo tesão é capaz de tirar da mesma imagem as cenas que não terminam num conto de aventura mais simples. Neste caso o olhar tem um alcance maior e a mente deste fetichista adepto dum segmento diferente percorre outra estrada onde uma bifurcação delimita o desejo.
As fantasias se fundem e se separam em determinado momento.
Por isso, existe uma cartilha de práticas distintas.
E aqui entra um componente importante que jamais pode ser deixado de lado: o prazer. Porque sexo é uma questão de gosto e cada um tem o seu.
E desde que haja respeito por quem se decide por qualquer tipo de prática nada de anormal irá existir. Quem desdenha ou critica atos de terceiros abre as portas para que outros possam agir da mesma maneira.
Faz pouco tempo li algumas queixas de fetichistas revoltados com este tipo de atitude. Acho uma tremenda babaquice taxar o desejo de A ou B de forma depreciativa. Este tipo de atitude sequer pode ser considerado um ato preconceituoso. É falta de respeito mesmo com o próximo.
O universo fetichista é como uma feira de amostras, você diz a que veio e apresenta o que te agrada. De outra parte a recíproca será a mesma. Porém leva quem estiver interessado naquilo que está exposto na mesa.
Então é hora de achar um começo. Desde um simples objeto, uma fotografia ou um filme. Alguma coisa sempre será capaz de transformar uma idéia num ato, uma imagem inanimada num momento de extremo prazer.

Pra isso basta admirar com bons olhos, atento aos detalhes que todo fetichista traz no subconsciente, na sua história de vida, nas experiências vividas e nas que ainda virão.
Eu fico com a beleza de um olhar indefeso tentando me dizer alguma coisa que meus ouvidos sempre estão ávidos por escutar. E mesmo que ela não possa me dizer nada naquele instante, prefiro imaginar o que me diria, ou então, num momento de pura inspiração deixar que ela possa expressar o sentimento de perigo através de um simples gemido que na verdade valem por um milhão palavras.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O que elas dizem


Elas não são experientes em práticas fetichistas, mas têm algumas histórias interessantes pra contar. Normalmente este blog recebe inúmeros emails e separei alguns pra dividir sobre o que as meninas relatam de suas experiências.
Vale muito à pena ver como reagem as moças quando apresentadas ao fetiche.

Juliana, Garota de Programa – Rio
Após mais de um ano trabalhando nas Termas travei contato com fetiches. Na grande maioria com homens que gostavam de apanhar, de usar calcinha feminina, de usar consolos e até aqueles que gostavam de pés. Mas nunca topei com alguém que gostasse tanto dos meus pés como meu namorado.
Tenho vinte e dois anos e ele tem mais de quarenta. É divorciado, sabe da minha escolha e entende que tenho um projeto de voltar ao Espírito Santo com condições de oferecer alguma coisa mais sólida a minha mãe. Hoje moro na Rocinha onde posso pagar um aluguel barato, economizar bastante e ainda estou próxima ao trabalho.
Embora meu namorado saiba do que faço jamais me pergunta como tudo se processa em meu trabalho. Por outro lado, me proporciona uma vida tranqüila quando estamos juntos. Ganho cerca de cinco pares de sapatos diferentes por mês e mesmo que seja para realizar a fantasia dele me sinto bem com isso. Ele adora meus pés, mas não gosta das mesmas coisas que os caras de lá do trabalho. Ele quer apenas os pés e depois de muito se esbaldar com eles nossa transa é perfeita.
Me indicou seu blog e estamos tentando algumas coisas novas que lemos aqui. Ainda sem muito jeito aos poucos vamos conseguindo novidades. Sempre que posso leio, mato a minha curiosidade e também recordo de algumas passagens que minha vida me fez viver. Adoro as dicas de filme que meu namorado pega aqui e aos domingos de noite assistimos juntos.

Melissa, Psicóloga – Porto Alegre
Faz algum tempo namorei com um policial que uma vez usou as algemas numa transa.
Gostei muito, mas nunca lhe pedi que repetisse a dose. Minha profissão sempre me faz ter os dois pés atrás.
A Internet é uma escola e fuçar é um vício. Já visitei centenas de espaços que falam de fetiches e neles as mulheres mencionam submissão e masoquismo. Como minha experiência única foi voltada para o que se escreve por aqui, achei melhor seguir a linha do seu blog.
Não estou à procura de ninguém em especial. Talvez esteja em busca de literatura relatando experiências de pessoas que conseguem boas realizações com este tipo de fantasia. Vivo uma relação nova e quem sabe com o tempo possa abrigar algumas coisas que hoje ainda dormem no meu subconsciente.
O que ocorreu por acaso talvez tenha despertado interesse justamente por não ter sido previamente combinado como um encontro marcado. Ainda não sou capaz de prever se a fantasia concebida através de um papo sério e adulto fará o mesmo efeito. Contudo sem tentar jamais será possível chegar a qualquer conclusão.
Indiquei seu blog com muito cuidado e jeito ao meu “caso recente” e espero que ele possa a partir daqui tirar as conclusões sobre o que eu desejo de verdade. Nada mais seria do que uma fantasia de seqüestro bem elaborada com principio meio e fim.

Outras mensagens chegam quase diariamente à minha caixa de correio, mas achei estas muito interessantes por se tratarem de fatos completamente diferentes.
É muito bom saber que as fantasias podem chegar a qualquer momento na vida das pessoas, ainda que representem umas poucas linhas de suas histórias.

Obrigado pela confiança meninas!

Lembrando que pra enviar uma mensagem para o blog é fácil. Basta escrever para:
acm@bound-brazil.com

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sonho Azul


Chega à noite de sexta-feira e, com ela, baladas, namoro e... Viagra.
A popularização e o fácil acesso da pílula azul, que já é o medicamento mais vendido no Brasil, fizeram com que algumas pessoas perdessem a real idéia do que os remédios para impotência significam.
Já existem os "viciados" em remédios para impotência, não apenas o Viagra, que não saem de casa sem um comprimido no bolso. São pessoas que, na maioria das vezes, não têm problemas de impotência, mas que aderem a medicamentos para dar uma "carregada" na performance.
Nesses casos, o principal problema não é de ordem fisiológica, mas sim psicológica.
As pessoas que tomam remédios para impotência sem orientação médica correm sérios riscos de começar a depositar no medicamento uma energia que não existe. A pessoa fica acreditando que só vai conseguir ter boas relações sexuais se tomar Viagra ou outro tipo de remédio. Tomar só para turbinar o sexo pode não ser legal porque você pode criar uma dependência do medicamento e até desenvolver uma dificuldade em ter ereção sem o medicamento.
As pessoas precisam entender que transar não é uma coisa para toda hora.
Quem toma Viagra numa balada, quase sempre não está em condições ideais para uma transa: bebeu demais ou está cansado, por exemplo. Por isso precisam do remédio para conseguir ter ereção.
O uso dos remédios para impotência sem recomendação médica (com exceção dos pacientes que usam medicamentos com nitrato) não acarreta riscos orgânicos, mas as pessoas têm de voltar a sentir emoções antes de fazer sexo. É uma coisa mais completa que uma simples penetração. Exige envolvimento emocional. Muitas das pessoas que usam remédio para impotência em baladas, se estivessem numa relação sexual completa talvez não precisassem dele.
Em pensar que uma boa dose de fetiche resolveria o problema daqueles que precisam de um “empurrãozinho” pra começar os trabalhos, uma vez que não existe contra-indicação a respeito da utilização de práticas fetichistas em doses abundantes.
Claro que tudo que se transforma num vício não é legal. Tanto o uso indiscriminado de estimulantes sexuais químicos, no caso do Viagra e outros mais, como na obsessão por práticas sexuais fetichistas. O melhor é que haja um controle no meio de tudo isso.
Caso contrário a pessoa se anula e vive as experiências sexuais totalmente dependentes de um coadjuvante.
Parece fácil falar sobre isso quando o fetiche empolga, acelera e até habilita.
Como dizer a um fetichista que suas práticas condizem com exageros? Entretanto, as comparações são inevitáveis.
Ora, se o uso desses remédios sem necessidade causam um dano que é criar um atalho não ideal nas relações sexuais, por outro lado a idéia de associar o sexo apenas as práticas fetichistas é um risco de dependência também.

Com o impulso sexual em mente causado pelo apreço ao fetiche dificilmente a condição de ereção masculina dependerá de uma medicação deste tipo. Porém, os que fazem uso juntando as duas partes devem ficar atentos.
Em suma, o que deve ser ressaltado em se tratando do uso "recreativo" dos remédios para impotência é o risco da dependência. Para quem não sofre de impotência, cerca de 90% da população masculina o ideal é transar naturalmente, sem o uso de medicamentos, participando de todas as etapas de uma relação sexual.

E para os que introduzem as práticas fetichistas em suas relações devem entender que nem sempre o vento sopra a favor, e haverá vezes em que será apenas sexo e nada mais, sem o fetiche ao lado.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Ten Years After


Paixão não se explica, simplesmente acontece.
E como toda paixão tem sua história, os apaixonados por bondage conhecem todos os capítulos desta saga.
Há dez anos atrás os portais dedicados ao fetiche de bondage viviam seus melhores dias.
Na virada do milênio as musas que fincaram bandeira na Internet desde a metade dos anos noventa, davam as cartas e tornavam-se cada vez mais cultuadas pelos adeptos.
Dias de glória, tempo em que o sonho de criar uma empresa fetichista que pudesse fazer frente ao reinado de produtores experientes era um simples delírio. Os distribuidores enfraqueciam e as portas se abriam para essa galera que dantes vivia nas mãos de quem pagava pouco por distribuir seus trabalhos.
Os investimentos eram altos, havia retorno para cada centavo empregado num portal.
E assim foi por uma década.
Dez anos depois o horizonte não é mais o mesmo. A cada ano cinco portais fecham as portas na terra do Tio Sam. Gente boa, de eximia categoria e com trabalhos comprovadamente perfeitos. Saem de circulação acervos incríveis que via de regra vão parar em sites robóticos que comercializam estes espólios por bagatela.
As explicações para a derrocada são vastas.
O fator economia mexe diretamente com a estrutura das empresas. Sim, porque se engana quem pensa que um site é apenas um endereço na rede onde loucos expõem seus fetiches. Para ser cadastrado num site de recebimento de mensalidades é preciso estabelecer uma empresa dotada de toda a certificação exigida pela legislação vigente no lugar que se considera como praça de arrecadação. Não é tão simples como parece.
O enfraquecimento monetário onde antes jorrava rios de grana é visível, está inserido em qualquer portal de notícias. Isto causa um baque nas vendas diretas. Diante deste quadro um site precisa se reinventar, não apenas exibindo coisas novas que possam atrair essa platéia dispersa, mas que possibilite enxugar os custos que antes estavam em patamares acima.
O aparecimento de sites com um mesmo apelo se multiplicou devido à popularização da Internet. A concorrência é feroz e divide preferências.
Imagine a Internet como uma rua fetichista. Nesta rua estreita os prédios que ocupam os dois lados da via abrigam em seus andares os portais temáticos de bondage. Os inquilinos destes edifícios precisam pagar suas despesas, mas empobrecem a cada ano enquanto assistem a chegada de novos moradores em toda a vizinhança. Esta seria uma explicação mais óbvia.
Para piorar, essa turma que habita o mesmo bairro, precisa estar vigilante vinte e quatro horas devido aos larápios que na surdina praticam assaltos descaradamente, tomando posse de material que não lhes pertence para espalhar por toda a cidade de forma gratuita e maldosa.
A notícia de hoje que dá conta do fechamento do portal BKC, ou Bev Knotty Club, é o retrato dessa historinha contada aqui. Ao anunciar que suas atividades se encerram no final de Novembro, o site especializado em Scarf Fetish (imobilizações com lenços de seda), apenas ratifica o resultado da equação: é mais um inquilino a abandonar a vizinhança.
Mostrando profissionalismo e cuidado com aqueles que pagaram por três meses, a data é irreversível e esses caras que por mais de dez anos estavam na tela, se juntam a craques da indústria que já haviam decretado o fechamento.

Do lado de baixo do Globo o site Bound Brazil, apesar de ter sentido esse enfraquecimento da economia mundial ainda respira. Talvez por se tratar de um portal que está às portas de completar três anos de existência não tenha sido atingido em cheio por essa crise iminente.
Por termos iniciado atividades numa época de lucros escassos nossos custos foram equalizados de acordo com o período, o que nos garante a sobrevivência por mais tempo.
Até quando? Por enquanto, é algo difícil de responder.


Um bom final de semana a todos!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sobrevivemos


É fácil morder uma maçã se você tem dentes.
Como também é fácil externar seu desejo sexual quando existem claras oportunidades pra tanto. O desejo sexual sempre existiu desde que o mundo é mundo. Não dá pra negar.
Porém a humanidade viveu e vive um ciclo de gerações.
Hoje em dia o acesso é total. O mundo globalizou e com isso abriu-se um horizonte capaz de transmitir em tempo quase real aquilo que interessa a quem sai à procura.
E quando tudo se torna mais acessível às fantasias sexuais se acomodam no mesmo processo.
Imaginem um fetichista diante de seus desejos em 1910?
A única diferença está no tempo, nas oportunidades, porque o desejo é o mesmo, não muda.
Assim as gerações sobreviveram e sobrevivem. Porque será lógico imaginar que este cenário que nos dias de hoje empolga e aproxima pessoas num mesmo canal em mais alguns anos estará totalmente obsoleto. O mundo evoluiu em cem anos muito mais do que em dois mil.
Dos bens mais preciosos que a vida nos permite estão incluídas as lembranças.
Seria uma insana tolice afirmar que a minha geração teve as mesmas regalias que hoje é a marca da atual geração, como também soaria como imbecilidade não ser parte desses dias atuais. Mas o enfoque está no tempo que existe entre um momento e outro, ou seja, dos que assistiram a passagem do tempo e sobreviveram até chegar aqui.
Um jovem fetichista adolescente hoje em dia tem todo um arquivo visual que na juventude da minha geração não existia.
Muitas vezes imaginávamos os cenários através da leitura. Não tínhamos imagens disponíveis e através do pensamento um quadro era pintado nas cores que a imaginação produzia.
Não é raro encontrar fetichistas que atingiram a metade de um século de vida que não tenham tido este tipo de experiência. A literatura era o primeiro passo.
Então senhores fetichistas que já ultrapassaram a barreira dos quarenta, preparem-se para uma longa viagem através do tempo para voltarmos ao passado recente e lembrarmos os famosos “bolsilivros”. Isso mesmo. Livrinhos que cabiam no bolso da camisa e se tornaram o passatempo preferido nas viagens de ônibus ou trem após um dia de estudo ou trabalho.
Quem não se lembra da Giselle, a espiã que abalou Paris? Das famosas séries chamadas de ZZ7, onde belas espiãs eram seqüestradas por terroristas com planos sórdidos e ousados? Ou das séries de faroeste quando a mocinha aparecia na capa do livrinho com uma mordaça de pano e amarrada com cordas de sisal?
Nestes pequenos livretos com páginas de papel jornal escondemos nossos sonhos e desejos.
A Editora Monterrey, localizada até hoje aqui na Tijuca no Rio de Janeiro ainda guarda um grande acervo dessas obras, assim com a minha própria coleção é ampla. Fui um fanático por estas historinhas e vira e mexe ainda pratico esse hábito.
Por ser sobrinho do proprietário da editora participei de alguns desses capítulos, ora traduzindo o que chegava da Espanha para o português ou até escrevendo alguns contos recheados de heroínas em perigo.

Meus primos hoje tomam conta do negócio e conservam em arquivo quase todas as séries.
Os desenhos do Benício que coloriam as capas dos bolsilivros até hoje me servem de inspiração, não nego. Ele não errava o traço e sabia como criar uma capa que fosse capaz de provocar a curiosidade do leitor para as páginas que se abriam em seguida.
Quantos segredos aquelas páginas guardaram...
Dezenas? Centenas? Milhares? Todos!
Dizem que em breve os livros em papel cairão em desuso. Hoje vende-se arquivos para serem armazenados em HD. Os “tablets” e os celulares cada vez mais evoluídos num futuro próximo irão decretar o fim definitivo do livro impresso em papel.
O que hoje se guarda numa estante amanhã será peça de museu. Talvez eu não esteja mais aqui para ser testemunha desse fato e o que guardo e conservo comigo desapareça numa fogueira qualquer, porém, antes que este dia chegue ainda é tempo de abrir um bolsilivro para voltar ao passado e ler meus desejos impressos no velho papel amarelado

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Montanha Russa


O papo de hoje tem a ver com as fotos.
Pois bem, chame do que quiser: capô de fusca, testa, pata de camelo, o que for. Num país de dimensões tão grandes é normal que as denominações por certas coisas ganhem novos nomes.
Mas falando em bom carioquês, o fetiche por mulheres de testa avantajada, ou testudas, faz parte do cardápio de muitos admiradores. Precisa explicar o que é uma buceta testuda? Neste caso, as imagens falam mais que mil palavras...
O que chama a atenção é a forma anatômica do principal objeto do desejo masculino. A protuberância causadora de um volume acentuado na genitália feminina que faz lembrar um capô de fusca ou uma pata de camelo desperta interesse em quem vê a imagem logo de cara. Existem mulheres com tais características que se sentem incomodadas por isso. De certo modo não deveriam, afinal, há uma galera que baba por uma montanha russa que fica localizada bem ao centro do parque de diversões.
Não custa lembrar que todo parque de diversões tem sempre um trem fantasma depois da montanha russa, e muitos gastam todas as fichas pra entrar nesse trem.
É fato que algumas mulheres ao longo dos anos ficaram famosas por exibir testas volumosas em ensaios eróticos justamente por apresentarem essa delicada diferença quando fotografadas.
Numa breve pesquisa pude concluir que na Tailândia é mais fácil encontrar mulheres com testas avantajadas, que, aliás, fazem um enorme sucesso e logo tornam-se objeto de cobiça de homens que admiram tais virtudes. Chegam a ganhar fama mundo afora e têm seus ensaios publicados em revistas famosas.
Soube, também, que não há um tipo de exercício específico para que as moças que não possuem tais características logrem um belo capô de fusca que dê à sua genitália ares de montanha, infelizmente.
E voltando às fotografias que dão vida à matéria de hoje, o bravo Claude Christan conseguiu unir, literalmente, o útil ao agradável ao nos brindar com essa bela testa combinando com uma imagem de bondage. Diria que não existe combinação mais agradável e pontual.
Para reconhecer na mulher um belo caposão não é preciso que ela esteja nua. Alguns tipos de calças, as quais nem me atrevo a mencionar o nome porque não sei, deixam nítido o formato da vagina que existe por baixo do tecido. Loucura pouca é bobagem! Daí em diante basta uma dose exata de imaginação para preparar o banquete. E que banquete brother!
A mulher testuda leva vantagem sobre as demais pelo fato de ter a vagina anatomicamente perfeita na hora do sexo oral. Explico. O avolumamento desta região facilita na hora da onça beber água. Não é preciso procurar o que está exposto com tamanha visibilidade. Em casos de achatamento da testa uma maior flexibilização das pernas se faz necessário, nada, porém, que possa desmerecer aquelas que não possuem tais atributos.
Me lembro dos tempos de colégio e das meninas com calças apertadas escondendo o capô de fusca com o caderno diante de olhares indecentes. Realmente chama a atenção, assim como as bundas desenhadas funcionam como um delírio para os aficionados.

Pode ser que muita gente passe batida por esse assunto. Quem sabe as bucetas testudas não lhes desperte tanto interesse e este seja simplesmente um fato isolado sem qualquer importância. Entretanto, alguns fixam olhares impertinentes quando deparam com as testas em evidência numa simples caminhada de fim de tarde.
Vai saber. O fetiche é assim. Bom pra você e bom pra mim.

Vida que segue.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Bondage na Rede


A dica de hoje de boas cenas de bondage vem do site da Vesta, o Bondage Divas.
Dá uma olhada no que essa moça anda aprontando.
Detalhe: ela faz o bondage.
Enjoy!




segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sonho Impossível


Vamos combinar uma coisa: o sonho do sujeito parecia impossível.
Afinal, imaginar duas mulheres que estivessem dispostas a seqüestrá-lo sem prévio aviso e realizar com ele todas as suas fantasias e mais as dele, é algo que não está no almanaque. De repente, até eu ou você leitor, também gostaria de passar algumas horas em poder de duas damas tentadoras.
E em se tratando de sonho tudo é válido, até mesmo escolher dentre tantas de sua relação à dupla perfeita.
Nesse caso, o fetiche funciona de forma diferente. Porque independente da questão de posicionamento do fetichista a razão sexual tem influência direta, pelo menos para uma maioria. Quem em sã consciência não imaginou fazer parte de uma orgia permitida? Se não pensou atire a primeira pedra porque a vidraça aqui é grande.
Vale ressaltar que o assunto aqui é sexo. Nada a ver com torturas, tapas, chibatadas e outros bichos. O cara sonha com um seqüestro lúdico voltado única e exclusivamente para as práticas sexuais e também fetichistas que possui como podolatria, por exemplo. Então, o resultado da equação que ele tem em mente não alcança submissão ou masoquismo.
Sim, porque as pessoas têm por bem preservar os rótulos ainda que eles sobreponham os desejos. O cidadão se considera um dominador nato e não admite viver tal tipo de relação porque estaria assumindo um papel de SW, e, portanto, violentando suas virtudes.
Às vezes, certas histórias que chegam por email funcionam como um embrião para iniciar um papo que pode resultar num conflito de opiniões. Mas este é um dos objetivos da existência deste blog, além de comentar, divulgar e debater sobre as experiências fetichistas que se tem notícia. E esta mensagem alimenta o debate.
A divergência é livre porque trata-se de um assunto que altera os limites das fantasias das pessoas. Ora, se o sujeito tem por bem sonhar em dominar as moças com quem se relaciona ou as que têm em mente relacionar, não ficaria nem um pouco satisfeito em viver uma fantasia que sequer imaginou pra si mesmo. No que concordo, em gênero, numero e grau.
Entretanto, existem fetichistas que apostam em viver diversos tipos de experiência para através disto buscar a evolução. A fronteira que delimita o possível e o impossível fica bem clara no momento de aceitar ou não tal fantasia.
Até porque ela pode não vir de um email relatando um sonho de um fetichista. Ela pode aparecer através de uma proposta ou numa noite de sexo onde cada um tem direito a um delírio. A conta é bem simples: quem faz uma proposta pode receber uma contraproposta, e assim por diante.
Outra linha de limite do sonho de nosso amigo dá conta da forma como ele imagina viver sua aventura. Não é fácil encontrar parceiras que queiram tomar tal iniciativa. Pra coisa fluir de forma direta e sem prévio aviso haveria de existir todo um desejo escondido ou uma conversa de final de madrugada onde só restassem os três e ninguém mais.
Ainda que a perseverança acabe com a impossibilidade perseguir um sonho deste tipo não é sadio. As melhores fantasias que criamos são aquelas passíveis de se tornarem reais, aquelas que mesmo sendo difíceis possamos um dia viver em toda a sua essência, e apostar num sonho de uma noite de verão beirando o improvável nem sempre vale à pena.

Como um amigo que de tanto torrar a paciência da namorada para ter uma experiência entre eles e outra mulher, recebeu como resposta uma pergunta que não esperava a respeito de ter outro homem na fantasia. Para que o sonho do nosso amigo tivesse ligação com o mundo real à realização do desejo deveria começar pela participação ativa de pelo menos uma mulher. Em sendo viável, ficaria mais fácil conseguir unir as pontas e arranjar a entrada de uma terceira pessoa. Normalmente essas aventuras começam e terminam assim. Caso contrário serão apenas sonhos e nada mais.

E se é uma fantasia, basta imaginar que naquele momento tudo é real que o resultado será praticamente o mesmo, dependendo das parceiras que queiram comprar o barulho.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Objeto de Desejo


As pessoas às vezes me fazem perguntas curiosas sobre a relação dos fetichistas com o fetiche. Contudo, confesso que há fatos neste universo povoado de gente bacana impossíveis de serem desvendados sem a devida confissão, principalmente porque o fetiche é muito particular.
Assim como é extremamente de foro íntimo o objeto do desejo de cada um.
Não é? E confessar soa esquisito. Porque segredo de duas pessoas não existe. Contou a alguém deixou de ser segredo no mesmo instante, por isso, guardamos alguns detalhes a sete chaves.
Diriam os curiosos de plantão: “mas você tem um canal de debates há mais de três anos na rede onde é possível obter um feedback pra esse assunto”. Concordo, mas em se tratando disso, espalhar a notícia aos quatro ventos ou confidenciar a alguém um fato relatado a mim seria uma delação velada e inconcebível.
Se alguém por conta e risco resolve escrever na Internet todos os relatos possíveis sobre o objeto do seu próprio desejo eu leio, absorvo e acredito. Ponto. Caso contrário eu não pergunto. Porque acho que aqui a curiosidade matou o gato e prefiro ficar aqui contando minhas ovelhas sem entrar em terreno alheio.
Porém, antes de tudo há o livre arbítrio que permite a quem estiver interessado solicitar que seu principal objeto do desejo seja devidamente divulgado. Nesse caso, o melhor a fazer é proteger quem solicita tal divulgação através de um Nick ou de forma anônima. Assim, ele estará livre para se revelar no momento que se sinta seguro pra tanto ou ache fundamental.
Claro que alguns destes inúmeros “desejos” podem ser mencionados de forma generalizada, sem dar nome aos bois e muito menos dizer quem é o dono ou a dona da banca.
Então é hora de escrever sobre o que tantos querem saber.
Digamos que o site Bound Brazil é uma fonte inesgotável de informação capaz de saciar a curiosidade de muitos. A relação assinante/modelo embora não seja processada de forma direta, é intensa e cada vez mais participativa. As meninas recebem semanalmente uma gama de consultas sobre a possibilidade de venda ou troca de utensílios do vestuário utilizado nos vídeos. Estes objetos disputados quase como num leilão variam desde calcinhas a meias e sapatos.
O gringo escolhe as suas favoritas. Pede produções em que elas sejam as protagonistas e mesmo atendido derrama mensagens na caixa de correio do site com os mais variados desejos. Eles sugerem trocas. Pedem o sapato utilizado em determinada produção em troca de dinheiro ou até de presentes do tipo: eu envio um novo e ela envia o usado. Sai no lucro é claro, porque ela pode atribuir o preço que quiser ao calçado já com “meia vida” e ganhar um novo da forma que desejar. Com a grande vantagem de saber que este mesmo sujeito voltará a comprar o que ele deu de presente. É incrível, mas esse mercado paralelo funciona assim.
Calcinhas e meias de seda também estão sempre na vitrine.
Por aqui pelo hemisfério sul onde reside a minoria que assina o site os pedidos são parecidos.
A favor dos brazucas e sul-americanos o fato de estarem mais perto, falarem o mesmo idioma ou parecido no caso do espanhol, e poder criar um canal de comunicação com a modelo de forma livre, sem a necessidade de um intérprete para a devida tradução.
Não é difícil receber pedidos de pedaços de cordas usadas ou mordaças babadas.
As moças estranham já que não estão acostumadas a conviver com este tipo de relação, mas aos poucos se acostumam e passam a entender a relação anônima que elas mantêm com estes fãs e suas loucas manias.
 
O fetiche por objetos talvez seja o fator mais comum neste universo. Estão acima dos fetiches por práticas sexuais ainda que haja uma ligação direta que mostra claramente que um não sobrevive sem o outro.
Portanto, se você tem fetiche por alguma coisa em especial e ela se torna via-de-regra o seu objeto de desejo não se preocupe, porque a sua volta existem outros tantos iguais, anônimos ou não, porém, com muito em comum.

Um ótimo final de semana a todos!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Nightcomers (1971)


Causou espanto na crítica quando o ator Marlon Brando no auge de sua carreira decidiu participar do filme Nightcomers, do diretor Michael Winner. A trama bem ao estilo terror o que era fato comum entre obras do chamado Cinema B, não prometia muito e ainda representava um sério risco ao ator que um ano depois ganharia o Oscar com o filme “The Godfather”.
Mas Brando gostou do roteiro e topou contracenar da produção inglesa de 1971 ao lado da belíssima Stephanie Beacham num filme que embora apresentasse um conceito ousado e até duvidoso para os padrões da época, foi bem recebido, não só pela eficiente atuação de Brando e Beacham como também pelas altas doses de suspense e horror do enredo.
Cenas de voyeurismo infantil desvendam um universo de práticas fetichistas representadas por cenas de BDSM em parte do filme que conta a história de duas crianças órfãs que tomam lições de sexo através de vigília dos encontros entre o jardineiro Quint, interpretado por Brando, e a governanta Miss Jessel (Stephanie Beacham).
A estranha filosofia sobre sexo e morte que toma corpo através das conversas entre Quint e Jessel, acaba atraindo as crianças que observam atentamente todos os movimentos do casal e seus encontros noturnos. A partir de então, os órfãos passam a imitar aquilo que vêem e são severamente reprovados por sua nova governanta que não admite que crianças assistam tais cenas. Aqui o filme se mostra elucidativo quanto ao comportamento, tentando passar uma importante lição ainda no começo da década de setenta sobre o necessário cuidado de preservar a infância de atos adultos.
Entretanto, o público que baba por cenas fetichistas não fica na mão e ao assistir ao filme é brindado por imagens de tirar o fôlego. Imobilizações de bondage bem feitas e com material adequado, além de excelente desempenho dos protagonistas das cenas. Tudo isso condensado em poucos, mas generosos minutos em que o diretor Michael Winner não economiza ao colocar à disposição de quem assiste a trama.
É possível conferir uma prévia dessas imagens no pequeno clipe no final da matéria.
O filme traz, ainda, um final empolgante e totalmente imprevisível para quem se arrisca em apostar num determinado desfecho. Desafiando a lógica o diretor parte para uma noção de continuidade que bem analisada tem tudo a ver com o fetiche e algumas teorias do personagem interpretado por Brando. Porém, o final fica reservado para quem tiver o prazer de assistir aos noventa e sete minutos de filme na íntegra. Perderia a graça contar por aqui.
Nightcomers é considerado o melhor filme com temática fetichista do ano de 1971. Será?
Recentemente uma versão remasterizada por completo está à venda em alguns sites especializados como CD Universe e Amazon. É possível encontrar em “torrents” o filme disponível para download, mas o internauta deve estar preparado para garimpar pela Internet, porque as versões disponíveis não são as remasterizadas o que fica bem longe da qualidade do que é posto à venda.

Portanto, o filme Nightcomers é muito recomendado para quem se dispõe a sentar na poltrona no intuito de assistir a um ótimo roteiro recheado com cenas de BDSM.
Arriscaria em dizer que os amantes da sétima arte (fetichistas ou não) devem ter essa obra num espaço reservado em sua coleção. Fetiche, conflitos e drama é sempre um prato cheio para quem gosta de emoções fortes na tela.

Confiram.

video

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A Busca do Conceito


Cinco e meia da tarde e nem acredito que consegui encerrar o batente em véspera de feriado.
Deu até tempo pra bater um papinho com a galera do Hemisfério de cima no Fetlife. Teclando para lá e pra cá não é difícil formar opinião sobre o que os caras pensam a respeito do trabalho apresentado em sites comerciais fetichistas.
O que do lado de cá do globo é “coisa esquisita”, perversão e outros bichos, lá é chamado de arte. Esse é o conceito que os camaradas têm a respeito do que se exibe na Internet.
O grande mercado consumidor norte-americano olha uma mulher amarrada como uma obra de arte. Consideram uma escultura, comentam detalhes como se estivessem diante de uma pintura de um artista famoso. Compram e colecionam, por isso escolhem as melhores com profundo conhecimento de causa.
Embora eu tenha um conceito definido quando comparo esse material à exibição de uma fantasia sexual fetichista, devo concordar que muitas vezes, ao longo dos anos, tive meus momentos de turista em visita a um Museu. Várias vezes curti aquela assim: uma pausa, um café, um cigarro e a imagem preferida na tela a um palmo do meu nariz.
Excita, mas também relaxa. Faz a cabeça girar e o pensamento voar. Prá trás ou lá na frente, pouco importa. Até hoje encontro inspiração em sites de amigos e tento produzir algo semelhante, sem cópia exata, apenas uma idéia e nada mais. Aqui a recíproca é verdadeira, porque já discuti sobre sets, posições e os caras também viajaram nas minhas convicções.
O conceito de imagens fetichistas pode estar ligado diretamente à vontade de reproduzir as cenas em fantasias privadas. Nesse caso, funciona como uma preliminar, um aperitivo de uma noite longa entre dois adultos que tenham interesse de apostar nesse game.
A particularidade do fetiche impede que todos, sem exceção, tenham interesse pela mesma coisa. A lógica não perdoa.
Mas nem tudo que se cria na rede é repetido ao vivo e a cores na vida real.
Algumas fantasias ficam por lá. Quem sabe adormecidas no subconsciente de alguém que as deseja e não consegue a tão sonhada reprodução, ou simplesmente não combinam com as idéias dos espectadores.
Não encontro razões para sentimentos como inveja ou desdém, porque quem está na pista respeita o que sai da cabeça do parceiro. Da minha parte prefiro o aplauso pelo belo trabalho realizado. É a expressão do fetiche e se meus olhos captam a mensagem é porque há uma boa razão pra isso.
O legal nessas conversas é comentar sobre o que está em moda e sobre o que já caiu em desuso. Quer um exemplo? Cordas de seda, daquelas que se usava em adereços de cortinas. Quase não se vê mais, com exceção a alguns remakes dos anos oitenta onde elas eram a cereja do bolo. Hoje a moda é o algodão, a juta ou o cânhamo. Há espaço para nylon e cordas de alpinismo, mas em escala bem abaixo de uma quase unânime preferência.
O resultado desses papos, dessa troca de conceitos acaba na tela do consumidor.
Nesse mundo diferente a tendência é tudo, afinal existe o lado comercial, o sucesso ou a sobrevivência acima do sentimento fetichista.

Ficam de fora dessa história as cenas pornográficas. Nada contra, aliás, ninguém da indústria fetichista discrimina, apenas pertencem a outro segmento, mesmo que muitos considerem também como arte.
São horas de conversas transparentes e interessantes que o tempo passa e nem nos damos conta. Bom é saber que amanhã tem mais...
Agradecimento especial a dois amigos por cederem as fotos que ilustram o texto de hoje: Dom (Paragon Videos) e Andre.

Um ótimo feriado a todos!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Gostar por gostar


Então fica muito difícil responder por que se gosta tanto de alguma coisa.
Mas vá lá que eu tenha decidido torrar a cuca e pensar numa forma de expressar um sentimento?
Porque aquilo que está dentro de nós se exterioriza melhor enquanto forma viva, sem retoques, direta e, principalmente, participativa.
Ora, gostar de bondage é bem simples. O sujeito começa se apaixonando pelas heroínas em perigo num programa de televisão qualquer ou numa revista. Parece simples, é verdade, mas com o tempo ele precisa estender este tipo de sentimento à sociedade onde vive.
Daí o garotão brinca com as primas, com as coleguinhas de rua e pratica em silêncio com o tesão reprimido dentro de uma brincadeira banal. Ninguém desconfia e ele dessa forma ultrapassa os anos de adolescência como uma pessoa de um bairro qualquer.
Porém, chega uma hora em que o calor começa a aumentar e a masturbação não é mais a única fonte de saída possível para sua aventura que aflora. As namoradas vêm e vão e a vergonha de se expressar permanece. Passa o tempo, ele se cobra, estabelece prazos e limites, mas nada o faz se decidir.
Os inevitáveis conflitos aparecem, se multiplicam, e o adulto já não sabe se é bom ou mal seguir enraizado nas suas brincadeiras infantis. Sente saudades de quando tudo era fantasia de guri, onde as coisas davam certo e ninguém imaginava o que se passava entre pensamentos.
E quando ele vence a primeira batalha é normal imaginar que todas que virão serão barbada, moleza absoluta, que se deu certo de cara nada o impedirá de seguir com seus planos ousados. Porque um praticante de bondage não precisa de submissa, de dominadora, de masoquista, ele apenas busca uma mulher como qualquer outra que passa na rua e lhe dirige um olhar. Lá fora, na terra do Tio Sam, tal coisa é tão normal que se intitulou chamar a garota que pratica bondage de “girl next door”. Mas a briga é aqui, num lugar onde tudo é proibido até de pensar e se já não existe vergonha de falar do desejo ainda há uma imensa batalha esperando na próxima esquina: transformar a paixão ideal na mais bela parceira fetichista que o universo colocou nas mãos.
É tempo de estabelecer um critério, ou seja, encontrar uma fórmula que possa unir os dois pólos num mesmo destino. Ela e o fetiche. Complicado? Mas não era apenas mais uma simples batalha? Pois é, o desafio parece infinito porque diversos fatores podem contribuir ou não para que exista o êxito total ou um fracasso iminente. Por conta disso, é preciso gostar do fetiche, gostar por gostar mesmo, ainda que signifique abrir mão de fatos e situações importantes em nome de um bem maior, de um sonho.
Claro que nem sempre essa regra funciona de forma perfeita e o praticante, o apaixonado pelo fetiche desde os primeiros passos, encara momentos de imensa frustração justamente por não alcançar a plenitude daquilo que idealiza.
Entretanto, o importante é saber lidar com isso. Não num instante de pura explosão, de altas doses de turbulência, e sim num momento de calma e raciocínio profundo. Na vida nada é fácil, e saber conviver com o desejo e a paixão para procurar uma maneira de encaixar os dois sentimentos somente após alguns deslizes pra se ter pelo menos alguma compreensão.

Mas quem sabe um dia você desperta de bem com a vida e topa com a plenitude na primeira avenida? Nunca se sabe, o destino costuma pregar peças e escrever o caminho por linhas totalmente tortas.
A relação do fetichista com o fetiche só não reserva lugar para o arrependimento. Mesmo diante de fatos desagradáveis, de experiências nada alentadoras, o tempo dispensado deve servir como aprendizado. E se existe uma matéria que os apaixonados por bondage podem ser considerados especialistas é a de saber dar a volta a este tipo de situação, porque

simplesmente gostamos demais!
Bravo VH, essa é pra você. Mas serviria pra mim, pro Carlos, pro Shinobi, pro Jonas...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Devotees


Repostando

Hoje vamos falar dos Devotees, pessoas que se sentem sexualmente atraídos por mulheres amputadas ou homens amputados.
Existem sites contendo fotos e vídeos de mulheres com deficiência, como se fossem uma espécie de Playboy virtual, especificamente destinada a esses homens e seus desejos, como o http://www.amphouse.com/.
Porém, esses casos não são manifestações isoladas, sem interesse. Esse universo paralelo, regido por leis desconhecidas, é parte de um evento muito mais sofisticado do que se imagina.
Existem os devotees que são pessoas (homens ou mulheres, hetero ou homossexuais) que se sentem sexualmente atraídas por pessoas com deficiência.
Há também os pretenders que são pessoas que, além de serem devotees, sentem-se sexualmente estimuladas quando fingem ser deficientes, utilizando, em público ou privadamente, equipamentos como cadeira de rodas, muletas, bengalas, aparelhos ortopédicos como fantasia sexual (fetiche). Além disso, existem os wannabes, que são devotees que desejam tornarem-se, de fato, deficientes.
Embora tenha ganhado visibilidade a partir do advento da Internet, a literatura médica relata casos de devotees desde 1800 e casos de wannabes são documentados a partir de 1882, "sem que, no entanto, suas causas tenham sido devidamente esclarecidas".
Em outros países como, por exemplo, Estados Unidos e Inglaterra, esse assunto tem sido objeto de estudo e discussão, não apenas entre os profissionais da área médica, mas também entre as pessoas com deficiência e suas organizações representativas.
Não existem estudos sobre o devoteísmo no Brasil.
Algumas pessoas com deficiência que (em virtude das limitações físicas e sociais impostas pela própria deficiência) não tiveram muitas oportunidades de ter experiências sexuais e/ou afetivas, ao tomarem conhecimento da existência dos devotees, imaginam que estes podem ser a resposta às suas preces. Outras, por outro lado, crêem que envolver-se com devotees significa necessariamente expor-se ao abuso.
O objetivo desta matéria - mais do que difundir a informação - é suscitar a discussão, que pode colaborar para o estabelecimento de contatos positivos entre as partes. Creio que é possível amenizar a angústia do isolamento e o medo do desconhecido através da nomeação deste lugar ainda oculto pelas sombras da ignorância.

Portanto, conhecer os sentimentos, tanto dos devotees quanto das pessoas com deficiência, a partir de uma discussão desarmada sobre o assunto, é a melhor (e talvez a única) estratégia de que dispomos para compreender o devoteísmo e o que ele representa, ou pode representar, tanto para os devotees quanto para as pessoas objeto de seu desejo.
Dessa forma, cada vez mais pessoas deficientes podem desfrutar de certas emoções que dantes pareciam relegadas às pessoas que não possuem deficiência alguma.

Um excelente final de semana a todos!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Uma Noite de Primavera


Ele olhava para o celular e não se importava muito com o que se passava ao redor naquele bar.
Sequer sabia a razão de estar ali. Mas estava. Não esboçava emanar simpatia gratuita e tão pouco dirigia o olhar a algo específico. Parecia um turista em terra estranha.
De repente um vulto e um cabelo milimetricamente cuidado lhe chamaram a atenção.
Era impossível ver o rosto que ostentava o penteado alinhado e o corpo perfeito. Ela estava de costas.
Bradou pra si mesmo: “santa perdição! Se eu pudesse...”
Naquele instante ela deu uma guinada e ele pode ver a magia absoluta através de um olhar lindo que lhe chamara tanta atenção e cada vez mais se convencia que a bela imagem seria somente admirada, e nada mais.
Distraiu-se com o celular e num instante aquela bela mulher já não estava. Lamentou.
Pôs-se a levantar em busca de um trago e ao fazer a volta no estreito corredor recebeu um pisão na ponta do dedo junto com um esbarrão. Nessas horas que se admite a cumplicidade do Cosmos com o desejo. Porque a dona do cabelo inconfundível encabulada lhe pediu desculpas. Retribuiu com um sorriso, e se lixando se doía ou não a convidou para um drinque. Foi a melhor dor do universo!
Todas as conversas que se seguiram desde então traduziam um encontro que tinha ares de estar previamente marcado. Não se sabia onde ou por que, mas o destino os levava a algum ponto qualquer, parecido com o oceano em busca do céu. O limite não tinha lógica alguma.
Até acontecer a inevitável primeira noite.
Do alto de sua experiência tinha total ciência que deveria saber como lidar com o vaso de porcelana chinês que trazia em mãos. Pensou em Dustin Hoffman, na primeira noite de um homem e seduziu. Era preciso. Aquela Deusa de Negro não cairia num conto qualquer. Era inteligente, sagaz e perceptiva demais pra cair num canto do cisne sem graça.
Porque a idéia era conflitante com o que hoje se entende por encontros. Ela a queria, pra ele, pra sempre, como um todo.
E aquele quadrado mágico rodeado de espelhos e com uma linda banheira próxima a cama era o pedaço mais valorizado do universo naquele dia. Foi então que ele tremeu. Quem sabe o coração quarentão não estivesse pronto para viver aquele tipo de sentimento, mas como ele se preparara a vida toda pra viver a melhor de todas as fantasias que havia sonhado não se deixou abater.
Desembrulhou pernas perfeitas enrolando a meia fina de seda para baixo. Pôde contemplar a olhos nus o que a natureza havia desenhado com extrema relevância. Os pés irretocáveis davam um contorno final a todo o contexto emanando volúpia. E lá estava ela com o busto desnudo como tivesse sido esculpida durante anos em que esperou por aquele dia.
Imaginou o fetiche. A parceria estava numa tira de roupão e com ela amarou-lhe as mãos.
Ela consentiu com um breve sorriso enquanto ele explorava cada pedaço de pecado que tinha diante de si. Chamou-a ao orgasmo, uma, duas, várias vezes. Ela palpitava doses de tesão como quem toma um Martini.
Nem se importou quando ela sem qualquer delicadeza livrou-se das amarras e iniciou uma cavalgada sem fim. Àquelas horas estavam destinadas a que o prazer fosse todo dela, porque o maior dos gozos que ele poderia sentir aconteceu quando cruzou a porta.

Daquela noite levou uma fotografia de um sorriso no celular. Eternizou o momento num simples registro do que foi uma noite fria de começo de primavera.
Sabia que haviam feito um pacto de cumplicidade que o tempo seria incapaz de destruir, e nem mesmo qualquer desistência mudaria o destino traçado por eles naquele dia.
Passado tanto tempo eles conservam o amor e o desejo que construíram através de olhares e doses exatas de fetiche bem feito. Hoje ele a pediu em casamento e ela anda pensando no assunto.