quinta-feira, 30 de junho de 2011

Coisas de Casal


O sujeito abriu a janela encheu o peito e soltou um arroto. Isso quando não levantava a perna e eliminava todos os gases sentado na poltrona da sala assistindo a TV. Ela estava farta disso tudo. Não fosse o tal cara o parceiro perfeito, aquele que vez por outra a levava as raias da loucura já tinha mandado ele pastar ou cantar noutra freguesia...
Mas o problema não se resumia aos gases acumulados, expelidos com freqüência e naturalidade. O cidadão não era polido. A falta de postura e educação era de saltar os olhos. Bastava dar de cara com ele e ficava fácil perceber que o dito cujo era um ogro.
Certo dia, já cansada, resolveu abrir o jogo com uma amiga.
Falou de todas as merdas que o marido fazia, queixou-se, maldisse o boquirroto de tal forma que recebeu de volta: “porra, manda esse cara pra esquina amiga. Nem filhos vocês tem que possa criar uma ruptura complicada!”
Mas a banda não tocava apenas nesse acorde. A mulher era fetichista de carteirinha, lavrada em cartório e assinado por três tabeliães. Um fetiche complicado, daqueles que não se acha em qualquer birosca mais próxima. Pra ela somente um instrumento calibre quarenta e cinco era capaz de saciar sua libido, sua tara, seu fetiche. O ogro sem qualquer tipo de polimento era um super dotado, dono de um cacete enorme!
Falou meio constrangida. Sabia que contar uma tara nem sempre é legal. A impressão que fica em quem escuta pode ser de reprovação, essas coisas. Mas já era tarde, ela tinha que dizer a alguém ou apelaria a um terapeuta, mas pra isso faltava grana.
Naquele instante a amiga pensava... E ela louca pra ouvir qualquer coisa roia as unhas.
A colega soltou um muxoxo: “sendo assim amiga, a coisa complica. Melhor aturar do que ficar sem.”
Mas era pouco. Ela queria uma possível solução através de um conselho ou até mesmo um ombro amigo que naquele momento lhe ajudasse a segurar a barra. Não deu.
Voltou pra casa e no ônibus veio matutando, mas cada vez que pensava no que havia feito mais arrependimento lhe passava pela cabeça. Abrir o jogo às vezes tem suas desvantagens.
A vida foi em frente e pouco a pouco começou a notar uma mudança brusca no marido. Antes distante e extremamente egoísta – fora os arrotos e bufas – o sujeito passou a ser mais atencioso e cuidadoso.
Não reclamava tanto, elogiava sua roupa, sua dedicação, coisas que o passado escondeu em meio a tanta convivência conturbada. Ela nem se lembrava mais que um dia ela fora assim.
Passou a vir correndo do trabalho pra preparar a janta do marmanjo. Ele nem sempre a deixava esperando quando voltava do batente pra se exilar no bar da esquina.
Entretanto, um detalhe a intrigava. Em seus momentos de fúria e falta de educação e atenção o marido era mais participativo. Por mais ignorante que se mostrasse pelo menos três vezes por semana a procurava antes de dormir, ainda que viesse com bafo de cerveja e cheirando a pinga pelos poros. Sua mudança aparente trouxe uma distância e o sexo uma vez na semana era o máximo que rolava...
Sem que ele soubesse juntou uma grana e comprou um vibrador bem grande pra afagar suas noites vazias. O fetiche precisava ser praticado e preservado.
Pelo menos o caralho de borracha não a tratava mal e ela o tinha na hora que fosse.

Foi levando na boa até o dia em que se atrasou na volta do trabalho (ele normalmente chegava mais cedo) e o viu entrar num bar de melhor freqüência, perto de casa. Observou atenta e curiosa, afinal a mudança de hábitos também incluiria deixar de ir ao pé sujo?
Na espreita percebeu o marido num papo animado numa mesa com sua amiga a qual havia contado seu caso. Ela gelou, tremeu, mas foi corajosa e parou diante dos dois e da mesa.
Todas as explicações não colaram, nem mesmo quando a cínica disse que estavam de conversas na tentativa de fazê-lo mudar em relação a ela no casamento. Decidida, juntou suas coisas e foi embora.

Hoje espera apenas o divórcio e pensa em praticar bondage. Mas não se animem aqueles que não preenchem seu principal requisito!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Os Selos


Eu tenho uma teoria: mulher nasceu pra interagir...
São como formigas, se comunicam em fração de segundos. Já percebeu como as formigas se tocam e se comunicam? Pois é assim. As mulheres são assim.
Independente se elas se topam ou não se cruzam, estão sempre interagindo. Antes que pensem que ando meio estranho, talvez entediado, ou quem sabe influenciado pelo filme “o homem que odiava as mulheres” quero dizer que gosto muito dessa espécie. Aliás, como gosto!
Tanto é verdade que, coincidência ou não, a grande maioria das minhas amizades na blogosfera é composta de lindas damas. Elas são mais propensas a criar espaços, por isso, ganham dos marmanjos que preferem observar e depois dar o bote. É, bote mesmo!
E neste oceano de unhas pintadas, batom e saltos, essas minhas intrépidas amigas criaram uma fórmula de disseminar um incrível senso comunitário, o qual congrega gente de norte a sul e por vezes atravessa até o Atlântico em direção a Portugal.
Quem não gosta dum carinho? E os selos são uma espécie de carinho, de valorização do que você posta e que chega aos olhos e ao entendimento dessas meninas atentas. E estes selinhos representam um afago, uma forcinha extra pra vir aqui no dia seguinte escrever algumas palavras. Andei pensando até em criar uma página dedicada a esses mimos, e ando venho com o Ynno aqui uma fórmula de mudar este template.
Esta semana ganhei presentes da Aldrey e da Angelike. Imaginem; duas grandes damas que naquele momento estavam pensando nesse escriba carioca. Quanta honra...
E em meio a esta tricotada diária algumas vertentes fetichistas se encontram. Sim porque nem sempre as meninas são assumidamente praticantes de BDSM. Na verdade, existe muito mais curiosidade do que tendência, o que não diminui a importância destes espaços num universo de fetiches diariamente atualizado pelas garotas.
Um assumido cretino bondagista outro dia me falou o seguinte: “pede a elas que não enviem apenas selinhos. Que venham calcinhas usadas, meias, essas coisas, ficaríamos mais felizes...”
Pois é brother, é fato isso. Também ficaria. Porém, por mais cara de pau que eu seja jamais falaria isso a estas moças – já escrevendo, é claro – uma vez que presente não se escolhe, apenas se aceita e agradece.
A idéia do cretino bondagista tem certa lógica. Imaginem vocês que este cidadão já me levou diversos pedaços de cordas usadas no Bound Brazil, meias de seda rasgadas e alguns lenços babados em ensaios. Vai ser tarado assim na casa do Judas brother! Coisas de fetichista...
Qualquer dia destes crio um selo e mando pra toda essa galera em retribuição. Não sei o que diria, mas várias frases feitas já me vieram ao pensamento.
Então aqui vai ilustrando estas linhas um buque dos selinhos recebidos os quais faço reverencia. Incluo nesta lista meu camarada Senhor Etrom que com muita gentileza lembrou deste espaço.

Pra fechar o artigo uma historinha hilária: a Layla é uma amiga que se dedica a trabalhar na horizontal. Se é que me entendem, a moça gosta de recolher donativos de senhores dispostos a ajudá-la com as despesas. Não tem qualquer impulso fetichista, mas já conheceu de perto todas as mazelas de alguns de seus “amigos” e suas taras mais loucas.
Esteve comigo semana passada num papo animado depois do trabalho. Em nossa companhia um gaiato parceiro que nunca tinha colocado os olhos na menina, embora soubesse ao que ela se dedica. Lá pras tantas, o sujeito com ar de paspalho tentando levar a conversa onde queria, mas de forma indireta, soltou essa:

“Uma amiga prostituta tem um vício horrível. Se chega antes das seis ainda não almoçou e se vier depois das seis ainda não jantou. Conclusão: estou sempre pagando pra ela.”
A Layla com toda a calma do mundo lhe disse: “você já experimentou chamar sua mamãe pra almoçar ou jantar junto com sua amiga?”
Fecha a cortina!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Desejos e Cia…


Ela me disse assim: “estou fazendo uma tatuagem que vai desde o dedão do pé até a metade da minha perna. O resultado que pretendo alcançar é que alguns homens reparem em mim essa parte do corpo até hoje ignorada por tantos.”
Realmente a construção da imagem feminina começa pelo glamour.
As manifestações fetichistas atuam diretamente nesse quesito. Roupas e acessórios representam a primeira parte da história, mas chega o momento em que o corpo aparece e deve desvendar uma noção de continuidade...
Mas como, ter tatuagem é necessário para despertar desejos? Nem sempre, pelo menos em alguns que não têm fetiche por desenhos tatuados no corpo. Mas a idéia que isso pode representar é justamente o desejo de quem se tatua de que haja interesse por certas partes corpóreas, que na visão desta amiga andam meio esquecidas por quem dela se aproxima.
Na verdade, pra quem gosta, a mulher é um caminhão de desejos explícitos.
E o manual do fetiche fala sobre isso. Por mais que existam encantos no homem que despertem o tesão nas mulheres, elas são a engrenagem da roda que move o fetiche. Porque a sociedade é assim, o mundo sempre imaginou a mulher como musa, como o objeto do desejo máximo, o ponto a ser alcançado.
A conquista ainda é – e sempre será – o fator do equilíbrio entre os sexos. Costumo dizer que a mulher conquista por imposição e o homem por pretensão.
Os metrosexuais hoje tentam mudar o rumo da prosa. O homem se arruma mais, investe mais nele próprio e, com isso, pretende abocanhar um pouco do que a mulher tem de sobra.
A ópera aqui tem um resumo bem simples: não é necessário praticar BDSM pra ser fetichista.
O fetiche é um impulso que quando relacionado com o sexo e praticado várias vezes seguidas, passa a ser fundamental para a obtenção do prazer. Da mesma forma que as práticas inseridas na sigla BDSM funcionam num patamar identico.
Algumas pessoas ao se aproximarem do meio BDSM buscam interagir com determinadas práticas por achá-las simpáticas, da mesma forma em que imaginam que a introdução neste universo lhes abrirá as portas para um mundo novo. Nem sempre as coisas saem como o previsto e é comum perceber fetichistas perambulando em meio a um milhão de oportunidades sem alcançar o principal objetivo.
Porque é mais fácil interagir sexualmente com pessoas sem tendências fetichistas claras, incutir-lhes na cabeça a própria necessidade sexual, do que convencer a outros também fetichistas a aceitarem suas regras do jogo. E nesse jogo de sedução e interesses a mulher sai sempre em vantagem, ainda que lá adiante ela venha a sofrer enormes decepções.
E tal fato ocorre pelo poder que o sexo feminino exerce quando o assunto é conquista.
Pra quem já teve a oportunidade de viver meio século fica mais fácil entender determinados aspectos como moda e comportamento. O tempo passa, o mundo se redescobre e se reinventa. As diferenças são claras, desde a máquina de escrever ao computador como a televisão a cores ou em preto e branco.

É pertinente perceber como tudo muda e com essa mudança as pessoas costumam tecer seus caminhos seguindo os passos do universo ao redor. Daí, se a mulher coloca uma bota ou uma roupa de couro no claro intuito de seduzir a quem está ao seu lado ou ao primeiro que cruzar seu caminho, ela está apenas deixando claro que o desejo de quem passa e não lhe desgruda os olhos está devidamente despertado.
Seria essa dama uma dominadora em potencial em busca de um súdito ou uma submissa confessa pronta pra aflorar os desejos de seu parceiro?

Pode apenas estar na moda, afinal, nossos sonhos e desejos fetichistas algumas vezes representam parte de nossa rica e fértil imaginação...
Quantos segredos guardam as mulheres...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Um Piauiense em Antuérpia


"Da série vale à pena postar de novo"

Não. Um masoquista não sente prazer quando acerta uma martelada no dedo ou prende a mão numa porta fechando. É necessário todo um contexto para que tal tesão aconteça.
Mas é melhor ficar por aqui quanto a esse assunto, afinal já estou cansado de levar cacetada de psicólogos e não tenho nada de masoquista pra ficar apanhando.
Nosso papo de hoje é pra contar as aventuras de um sujeito com um parafuso a menos na cabeça, que um belo dia resolveu juntar o que tinha pra se arriscar pelo Velho Mundo.
Em plena virada do século, esse nordestino com jeitão carioca, soube por um amigo que vivia em Paris da abertura do Fetish Café na bela Antuérpia, e resolveu se entregar aos caprichos de uma dominadora dos Países Baixos que lhe desse todas as surras que cabiam na sua imaginação masoquista.
Arranjou um daqueles vôos de promoção que parece um trem parador. É tanta escala que não se percebe o momento da chegada ao destino. Mais amassado que tomate em fim de feira perambulou por um aeroporto imenso sem falar uma palavra de Francês, e contou horas intermináveis até dar de cara com o amigo no saguão de espera.
Nunca se viu tão feliz.
Experimentou Paris e suas delicias, tentou convencer o amigo fetichista que ir ao Fetish Café era melhor que ganhar na loteria, mas o máximo que conseguiu foram duas noites grátis no pequeno apartamento que o colega alugava com o pouco que recebia de um emprego secundário e uma carona até a estação ferroviária.
Partiu com a mesma coragem que o levou a viajar tão longe na direção da sua terra prometida.
Batendo cabeça aqui e ali, conseguiu se hospedar numa espelunca de segunda categoria e à noite bateu na porta do Fetish Café. Trazia nas mãos um pequeno dicionário daqueles se usa em viagens, com frases feitas, onde normalmente quem pergunta alguma coisa nem imagina o significado da resposta. Tentou sem sucesso aproximar-se das dominadoras, sempre com as perguntas marcadas nas páginas de seu livrinho de bolso.
Já cansado em sua busca inglória de se fazer entender, encontrou um Espanhol que com muita paciência e devido à proximidade do idioma conseguiu compreender o que queria o viajante. Mesmo com a ajuda providencial foi impossível descolar uma cena e ele voltou ao hotel desolado.
Sua grana agüentava mais dois dias em Antuérpia e ele insistiu em tentar. No final, já sem se importar com a cena perfeita debaixo das botas de uma domme qualquer, ele resolveu desafiar as regras munido de uma máquina fotográfica para registrar sua presença no Fetish Café em seu currículo.
Corrido pelos seguranças por pouco não vive uma sessão de spanking na saída forçada e foi embora sem realizar sua fantasia, embora tivesse vivido uma grande aventura.
Ao amigo em Paris contou as mais incríveis mentiras que se podia supor, e claro, devidamente comprovadas pela seqüência fotográfica que quase lhe custou hematomas e outras escoriações.

Fez o caminho de volta e aos que deixou aqui resolveu contar a verdade. As fotos lhe valeram o cartaz de estar num lugar onde os sonhos de muitos fetichistas se tornam reais, e isso já era o suficiente para justificar o tamanho da aventura que esse Piauiense destemido resolveu viver em apenas uma semana.
Nos encontramos há algum tempo atrás e por isso resolvi contar essa história, tão verdadeira quanto as fotografias sacadas numa noite de outono, dentro de um dos lugares mais badalados da Europa.
Para quem quiser conhecer o Fetish Café anote o endereço eletrônico: http://www.fetish-cafe.com/


As fotos que ilustram esse artigo são das dependências do Fetish Café e devidamente permitidas.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Furada?


Colocar alguém numa furada nunca foi minha intenção, embora algumas vezes a inevitável surpresa desagradável possa ter sido parte de um cenário destes. Porém nem tudo que a princípio parece um grande mico termina em tragédia.
Pois anteontem numa bela noite clara algo surreal sucedeu.
Saí do trabalho e encontrei um parceiro. Assíduo leitor do blog, bondagista de fato e de direito, pessoa que merece toda a consideração e respeito. Ponto. Vamos ao fato.
Estávamos nós no bairro da Lapa aqui no Rio tramando um acontecimento futuro, quando nos foi sugerido que este tal fato a ocorrer em breve fosse realizado numa casa GLS. A busca, até então, se limitava a inspecionar o local e tratar de detalhes relacionados com o nosso objetivo.
Só que em se tratando de véspera de feriado a casa abrigava uma festa.
Éramos três, porque junto a nós estava um amigo em comum com claras tendências à podolatria. Quando fetichistas se reúnem, seja lá por qual motivo, a conversa sempre descamba para um lado só e o nobre bondagista parceiro não desgrudava o olhar de duas “moças” próximo a porta de entrada.
Neste instante lhe chamei a atenção: “brother, muda o destino do teu campo de visão porque aquela mulher tem tromba!” Havia feito a minha parte...
Ele sabia, claro que sabia, mas mesmo assim seguiu firme com suas lunetas apontadas para as duas que eram uma espécie de hostess da balada. O outro parceiro o provocava e em tom de brincadeira mostrava-se interessado nos pés das “meninas”. Em determinado momento não me contive a falei: “cara, ela calça mais que você e é macho brother. Pode estar disfarçado, mas os indícios denunciam por mais que existam semelhanças incríveis.”
Quando comecei às conversas sobre nossa razão de estar ali era tarde, os dois, juntos, já haviam dado inicio ao approach! Tal fato estava incomodando o dono do local que falava comigo a olhava a cena ao mesmo tempo. Na certa porque elas estavam ali a trabalho...
Tudo falado me despedi do sujeito e chamei os parceiros pra partir. Quando me aproximei tudo se resumia a sorrisos e papo fetichista. Pensei: esses caras são foda!
“Esse aqui é o ACM que tem o site que te falei. Ele pode te filmar depois que você estiver numa cena de bondage...” Cortei a prosa. Dei uma cutucada com força no bondagista animado e com muita delicadeza expliquei que o site apenas utiliza mulheres, e blá, blá, blá.
Mas já era tarde. O trem já estava pronto pra partir com um detalhe: o carro era meu!
As “moças” não estavam a serviço, ou o trabalho pretendido era outro, vai saber. Esperavam outras que por lá apareceriam e, por isso, estavam na porta da casa. E os caras cheios de planos e intenções me fizeram ter a certeza absoluta de que não os havia metido numa furada, ao contrário, eles estavam se sentindo a dois passos do paraíso.
“Carona rola, mas estou fora da festa. Nada contra, apenas meu caminho é outro. Amanha começo a trabalhar no filme, acordo cedo e a festa é de vocês.” Tranqüilo e sereno deixei os caras na cara do gol e segui meu rumo.
Pra minha surpresa recebi ontem no feriado várias fotografias da festinha. Nada além de fetiche, sem sexo, apenas fetiche bem feito e com execução de primeira. Os caras estão cada vez mais afiados...

O travestismo é um fetiche. Vários homens héteros apostam nisso. Alguns fetichistas praticam com travestis e garantem que não comem gato por lebre, ou seja, sabem exatamente quem estão levando para suas fantasias.
Já realizei trabalhos de bondage com transexuais, em estúdio, e não tenho nada contra quem pratica ou até mesmo quem opta por mudar de sexo. Pura liberdade de escolha.
Quando recebi ontem à tarde as fotos e os detalhes dos meus parceiros comentei sobre a possibilidade disso virar matéria por aqui, do qual fui autorizado por ambos a relatar o fato.

Cara agora é contigo. Segura essa batata quente e manda ver nos comentários!
Pra quem andou por aqui postando comentários sobre meninas amarradas em fuga, hoje o Bound Brazil exibe "Escape" com Débora e Lovett. Imperdível.

Um excelente final de semana a todos! 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Hora de Fazer Bem Feito


Fosse uma receita de bolo não seria tão complicado assim. Claro que quando se erra na mão nada sai como planejado e o resultado desola.
Fazer um filme fetichista não tem uma regrinha básica. O espectador não quer assistir uma seqüência de cenas as quais está acostumado a conviver durante o ano todo nos diversos sites do gênero aos quais tem acesso. Ele quer mais, merece mais. Deseja a aventura completa, repleta de movimentos e muitas cenas do fetiche favorito.
Como juntar tudo isso?
Foram três meses de trabalho minucioso. Local, estrutura, equipamentos de primeira e uma criteriosa escolha do elenco. As meninas devem estar prontas pra representar aquilo que trago na cabeça. Diálogos e cenas ensaiadas. Tudo pronto: é hora de fazer bem feito!
Como no ano passado o enredo veio de fora. Desta vez reuni uma seleção de escritos de um grande amigo pra contar uma história fetichista. Nem ele sabe como será a salada, mas posso garantir que tudo que o Léo Vinhas escreve dá panos pra manga. Portanto, pra quem adora assistir um triler de suspense e ação recheado de belas mulheres em total perigo a novidade em breve estará na tela: o novo filme fetichista do Bound Brazil já começou.
Três semanas de trabalho de campo e cerca de vinte dias de finalização. Não há mais retrocesso, o gato subiu no telhado...
Todo o estresse causado pela ansiedade de ver tudo pronto tem a sua recompensa. Esta é a melhor parte do que me toca quando o assunto é fetiche. Nada contra o que faço o ano inteiro na condução das produções do site, mas quando o papo é levar adiante um projeto dessa dimensão e, por que não dizer, risco, a adrenalina me faz renascer.
Há segredos, por enquanto, irreveláveis. Tudo está sendo mantido a sete chaves e nem mesmo a turma que entra na frente das câmeras sabe o rumo da prosa. Todos estão cientes das cenas, inclusive a galera do apoio, mas sequer imaginam o titulo ou tão pouco como tudo termina.
Então se há tanto segredo assim por que relatar aqui no blog essa conversa? Desabafo, talvez? Pode ser. Aqui tenho tantos amigos e amigas e nada melhor que extravasar um pouco.
Posso garantir uma coisa: quem está à espera de uma aventura surpreendente cercada das mais excitantes fantasias sexuais que se tem noticia, essa espera valerá à pena. Aposto.
Algumas dicas: nada de mainstream desta vez. O novo filme não está na moda e tão pouco é habitué dos portais onde os gringos exibem sua tecnologia de ponta. As cenas de bondage farão parte de um contexto, porque nesse roteiro só a ação e o suspense interessam. Tomadas entrecortadas, flashes de idas e vindas, um final imprevisto e um aspecto super interessante: o desejo que sobrepõe à razão.
Um filme capaz de agradar a vários segmentos dentro do que se chama fetiche. Nada em excesso, tudo dentro de um padrão que englobe tendências convivendo numa mesma fantasia. Some-se a tudo isso a realização de um making of que fará parte do pacote. Entrevistas, entretenimento e os bastidores de como se monta cenas reais para serem exibidas durante mais de oitenta minutos. Sem cortes, sem truques.
Por trás, a repetição da receita que fez de “The Resort” um sucesso de vendas. A mesma equipe, desta vez com a companhia de novos parceiros prontos a escrever mais um capitulo dessa história que quando teve inicio muitos pensaram que se tratava de uma dessas loucuras passageiras, sonhos de uma noite de verão.

É esperar pra ver.
Que a sorte nos sorria e as meninas estejam em seus melhores dias.
E se a fortuna sorri aos audazes está mais do que na hora de ver esse sorriso bonito.
Prometo mais adiante, antes do lançamento, contar detalhes.
Revelar curiosidades, e após a estréia no site ter a alegria de convidar alguns dos muitos amigos, amigas e incentivadores para uma grande festa de lançamento de uma história que está começando a ter as suas primeiras linhas desenhadas.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Direito de Escolha


O ser humano é complexo, mas acima de tudo interessante.
E quando se torna um fetichista por qualquer fonte de desejo ou prazer, ele assume uma forma tão particular quanto a própria escolha. Isto está acima de qualquer influência ou vivência, porque até os ratos sobrevivem num porão.
Quebrando a cara aqui e ali ele persegue o que mais gosta vez por outra calculando os riscos e suas prováveis conseqüências. Por isso, faz porque quer.
Acontece que todos nós somos acima de tudo críticos de nós mesmos e dos outros. Se o vizinho toma sopa no verão debaixo de um sol escaldante, prá nós pouco importa se tal atitude está relacionada com o prazer do sujeito, porque aquilo que nos parece estranho ou esquisito merece antes de tudo um olhar de reprovação.
Então se alguém consegue encontrar prazer através de eletro choques ou pela dor do açoite é normal que esta pessoa seja encaminhada diretamente ao psiquiatra para tratar de suas sandices. Pelo menos assim pensa a humanidade evoluída e atenta.
Ou vai que o pacato cidadão no auge de sua intensa relação com o próprio desejo, resolve sair à procura de uma boa balada fetichista com desejos extremos de morder pés com altos índices de calosidades e mau cheiro? O pobre infeliz seria conduzido ao sanatório imediatamente. Seria despojado de todos os seus bens e valores por pura falta de juízo e por viver em desalinho com as regras impostas pela sociedade. Um verdadeiro marginal à solta!
Essa é, todavia, a visão que o planeta administra de pessoas com desejos considerados anormais. As chamadas anomalias sexuais não reúnem adeptos dispostos a realizar uma passeata e tão pouco recebe apoio de congressistas interessados em obter votos de uma conhecida minoria.
Essa “regrinha idiota” de bom comportamento todos nós já sabemos, assim como estamos de saco cheio de ler queixas e lamúrias. Porém, num espaço onde os passos caminham numa única direção deveria haver bom senso. Quanto mais divisível o universo em que se habita maiores são as chances de ruptura.
Porque aqui, diante dos nossos próprios olhares, as práticas de alto risco ou as mais audazes são as que provocam mais frisson. Todos querem ser o cara que atira facas ou a mocinha que encosta na roda. O sujeito que manuseia o chicote, o que brinca com fogo, audazes habitantes admirados por todos, boquiabertos com tamanha ousadia. Num mar de hipocrisia desenfreada o único podólatra que presta é aquele que se submete ao trampling da dominadora, já os outros... Ah, os outros, pobres diabos atirados ao chão...
Portanto, aqui dentro da nossa casa falta coerência, compreensão e entendimento.
A frase que diz que cada um deve cuidar do seu nariz infelizmente não se aplica nesse mundo.
E é justamente esta divisão tola que faz com que os praticantes tornem-se cada vez mais dispersos. O anonimato e falta de interesse pela coletividade é cada vez mais comum no BDSM. Não tenho nada contra quem valoriza o espetáculo em eventos, a prática bem feita, elaborada com esmero. Me irrita profundamente a exclusão de praticantes que optam por manifestações fetichistas menos ousadas.
Concordo que cada um deve buscar o que mais lhe agrada. Aceito a tese de que o que os olhos vêem o coração não sente, ou de que o desejo é a Célula Mater que move essa gigantesca roda, entretanto, deve existir acima de tudo respeito pelo próximo e por seus critérios de escolha, ainda que por qualquer razão a prática não seja de agrado da grande maioria.

Por isso aqui não faço distinção. Aplico a regra que acho mais conveniente no sentido de dar espaço a todos que se propõem a ler o que escrevo. Falo de bondage com intensidade porque gosto, estudo, conheço e pratico, entretanto, sem desmerecer o que tantos outros fetichistas escolhem como opção.
Se minha prática não é tão ousada e, por tal razão não agrada a tanta gente, fico com ela, coexisto, e num dia destes ela acha resultado nos olhos ou na cabeça de alguém como eu.
Bem simples, como qualquer fetiche!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Sem Identidade


Em discussão recente no Fetlife, vários produtores colocaram uma questão que nos últimos tempos tem tirado o sono de muita gente: as produções amadoras.
Em fotos que em sua grande maioria escondem o rosto da modelo, estes sites avançaram e hoje representam uma verdadeira praga para quem investe e lucra com o fetiche na rede.
A propaganda é farta e muitas vezes enganosa.
Anunciam um set inteiro e ao assinar o consumidor se vê num emaranhado de fotografias que normalmente os exibicionistas enviam a estes portais.
O resultado é bem simples: o sujeito paga uma vez e não volta mais.
Porém, a divulgação nos sites de busca é tão grande que cada vez mais material chega a estes destinos. Sem o menor cuidado com a qualidade das fotos já que todo o material recebido vem de praticantes de BDSM, eles abastecem as atualizações. Com a exibição por completo ou pela metade, a nova praga do amadorismo que pra muitos é gratuito tem um alto preço para quem se habilita a conhecer.
E você enviaria suas fotografias a estes portais para serem comercializadas sem obter lucro?
Seguem algumas amostras.



sexta-feira, 17 de junho de 2011

Estrelas no Céu


A vantagem da maturidade é poder perceber nossas próprias mutações.
Existir é um desafio. É como se fosse uma estante de livros que vez por outra necessita de organização e cuidados.
Então olhando pra trás é possível perceber as voltas que precisamos dar até chegar aqui.
Tudo muda. A cor do cabelo, a responsabilidade que cresce, e o entendimento. Pois se existir é um desafio, entender é uma arte, principalmente quando é necessário compreender a nós mesmos, exorcizar medos, derrubar barreiras e resistir.
O fetichista quando se descobre diferente dos demais a sua volta busca o recolhimento, mas quando encontra abrigo, tenta de todas as formas uma intensa compensação de perdas. A fronteira entre o antes e o agora parece um precipício.
E eu gosto de olhar pro passado pra entender o presente. Acho um exercício de reflexão e sabedoria. Claro que não me recolho como um monge budista de Sera Monastery, no Tibet, e tão pouco passo a habitar o mundo da Lua, entretanto, analiso como mais um passo em busca da minha própria evolução.
Não me refiro à evolução do meu fetiche. A idéia é refletir sobre minha relação com o que sinto, o que acredito e o que faço. Ser convicto é estar feliz consigo mesmo, por isso, é preciso ter plena consciência de um detalhe chamado desejo.
O que gosto é mono, não é estéreo. Não demorei tanto tempo pra perceber isso e tão pouco critico quem gasta tempo até se encontrar, porque se há uma estrada logo ali a frente é necessário conhecer os atalhos para chegar ao destino.
Deve ser essa a razão que tanto me aproxima das opiniões alheias, porque se alguém posta um artigo num blog de opinião interessante eu leio, se há uma fotografia que me salta os olhos eu admiro. A curiosidade não pode e não deve ser encarada como defeito e sim como virtude. Ser curioso é estar atento, conservando a chama acesa que ilumina o mundo em que vivo.
Houve um tempo em que a literatura e o conhecimento me fizeram falta e foi preciso escalar uma colina pra encontrar uma fonte confiável onde a água fosse transparente. Hoje, os fetichistas têm o mundo diante dos olhos e num simples toque numa tecla de computador tudo se revela em instantes, segundos.
Quem vem de longe traz consigo na bagagem o peso da dificuldade.
Porque quando me vi diante do que mais desejava pela primeira vez, passei a acreditar que seria possível materializar os sonhos. De que forma? Pouco importa, desde que não haja vergonha de admitir o que gosto diante do meu próprio espelho.
Passo a passo conquistei a mim mesmo.
Sou bondagista sim. Abuso do direito de gostar de ser o que sou e me orgulho de não deixar meu desejo trancado num armário qualquer. O convívio nesse universo paralelo, nessa babel de desejos e planos, me fez aprender a respeitar o que os outros sentem, mas me fez entender também que não abrir mão do que penso e do que sou foi à melhor das escolhas.
Hoje, prestes a realizar um destes sonhos que até pouco tempo era considerado por mim mesmo como impossível, mais do que nunca é o momento certo pra declarar meu amor incondicional ao que, pelo menos por momentos, me faz muito feliz. Minha segunda grande produção está no forno, meu segundo longa metragem está alinhavado e tem data marcada pra acontecer.

Diante disso, volto no tempo e recordo como tudo isso parecia tão distante e, agora, está diante dos olhos e perto do coração. Se aqui ao lado este esforço não vale nada e ninguém sabe da minha existência, pior pra eles, pois fico com os mais de dois mil loucos por bondage como eu que me deram a honra de assistir meu primeiro trabalho.
E no pouco que me sobra de tempo pra dedicar ao que tanto gosto, só me resta fazer o que sei de melhor. Porque quando me vi fetichista na certa havia estrelas no meu céu.


Na foto acima, Jordana e a estreante Isadora numa linda tomada do vídeo Two Girls que o Bound Brazil exibe hoje aos seus assinantes.
Um ótimo final de semana a todos!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Aposta ou Desafio


Quando se fala em bondage as prováveis diferenças aparecem. Cada qual puxa a brasa pra sua sardinha e o fetiche sobrevive.
O Marcos Shinobi que além de gostar muito do assunto tem uma excelente vocação para a pesquisa sobre o fetiche postou em seu blog algo que pode parecer comum, mas em se tratando de bondage, praticantes e apaixonados, sugere divergências. E tudo começa num desafio, numa aposta, ou quem sabe numa simples brincadeira dessas que o canal do Youtube distribui todos os dias: duas meninas aprisionadas que conseguem a façanha de escapar.
E por que façanha? Porque quando submetidas a imobilizações por experientes bondagistas a tarefa é árdua e demorada. Nos vídeos do Youtube elas próprias buscam maneiras de imobilizar, sem técnica e utilizando materiais que encontram.
Mas o Shinobi em sua pesquisa foi além deste tipo de entretenimento. Encontrou em sites especializados em bondage este tipo de produção já com o intuito comercial. O chamado “bondage challenge” é um velho conhecido dos aficionados por esta prática e consegue reunir centenas de espectadores assíduos destas produções.
Como toda idéia o challenge tem seus prós e contras, tanto em experiências fetichistas pessoais como em imagens com apelo comercial. Todo desafio tem a pretensão de eleger um lado vitorioso, e neste caso, alguns praticantes têm suas próprias convicções. De um lado existem aqueles a quem só a vitoria interessa, ou seja, ele prepara a imobilização e lança o desafio na esperança de que a parceira não tenha a menor chance de escapar de sua armadilha. Do outro, aparecem aqueles que admiram a luta e consentem perder o desafio em prol de sua própria realização sexual. Explico: o camarada amarra a garota e delira com ela livre apresentando as marcas deixadas pelas cordas, correntes ou algemas.
Então o Marcos sugere que eu produza um vídeo curta com esse tipo de temática.
Há controvérsias meu caro amigo. O primeiro aspecto a ser enfocado é o tempo de produção. De uma forma geral estes curtas metragens têm a duração de dez a doze minutos, o que significa um tempo muito limitado para filmar uma modelo em fuga sem cortes de edição.
Um segundo elemento a ser analisado é o material utilizado e a forma como se faz a amarração. Quanto mais cordas melhor para o espectador, assim como a impossibilidade de escapar causa furor em quem assiste às cenas. Some-se a isso o tipo de corda usada para esse fim, do tipo cru, sem tratamento de ceras ou enzimas. Em face da alta porosidade do material quanto mais força a modelo aplica na tentativa de escapar, mais apertados ficam os nós. O caminho do escape diminui, a corda não cede, não desliza e quanto mais a modelo se move na vã tentativa de escapar mais aprisionada fica.
Normalmente os portais que disponibilizam estas cenas usam cordas de seda ou com tratamento para facilitar a elasticidade do material, o que logicamente possibilita a modelo imobilizada em se ver livre das amarras. Outro aspecto importante é o tempo de produção.
Há sites que produzem estes curtas e dividem em várias partes de forma a exibir a cena por completo, sem cortes, o que de fato vai ao encontro do que o amante deste tipo de fetiche deseja assistir.
Claro que a intenção do Bound Brazil é agradar aos seus assinantes na íntegra.

Semana passada filmei a Terps e a Lia em fuga, numa cena de ajuda mútua. A idéia surtiu um bom efeito, houve retorno positivo e o tema em breve estará em pauta outra vez.
E como sou um atento observador e compro todas as dicas dos parceiros, já vou pensar numa próxima produção de bondage challenge segundo a idéia do Shinobi. Brincadeiras, apostas e, por fim, um desafio, sempre representou um bom começo pra quem pratica bondage.
Lógico que sempre vai existir os que preferem outros tipos de fantasias, como seqüestros

lúdicos ou casos mais requintados, porém, o importante é que o desejo esteja plenamente retratado, pra quem pratica ou assiste confortavelmente em sua poltrona.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A Cor do Pecado


Qual é a cor do pecado?
Alguns poderiam afirmar que o vermelho é a cor que mais harmoniza com o pecado. Talvez por representar coisas quentes e intensas exista essa associação. Mas que pecado é esse?
Se querer, amar, desejar é pecado, nada mais me resta na vida a não ser me assumir um pecador contumaz.
Outro dia conversando com uma amiga com doutorado em fetichismo, freqüentadora deste meio há anos, ela do alto de sua exuberância dominante me fez crer que seus súditos podólatras e grande parte dos seus correlatos, admitem que a mulher com as unhas pintadas de vermelho contribui para aumentar consideravelmente o pólo de atração entre os adoradores e os pés.
Será? Em se tratando de sedução confesso que já ouvi muito a esse respeito...
E o que analisar diante de toneladas de pedidos que o site Bound Brazil – o qual se apega a exibir algumas cenas de podolatria em suas produções – recebe de seus assinantes com pedidos apaixonados por unhas sem pintar ou outras cores?
Pausa pra pensar...
Daí, recebo do meu camarada e amigo VH ontem pela manhã um argumento interessante que toca diretamente no sonho dos bondagistas: a cor das cordas. Difícil interpretar desejos!
Antes de falar das preferências e possibilidades vale repetir minha colocação quando indagado sobre a utilização de cordas cruas ou brancas pelo Bound Brazil em lugar das coloridas como em outros portais do gênero.
Aqui existem dois aspectos: resolução de imagem e técnica.
A corda crua, de juta ou cânhamo, além de ter uma melhor condição de manuseio, não contrasta com as roupas e assessórios das moças, deixando o campo de captação de imagem mais atrativo e, por sua vez, oferecendo destaque ao desenho das cordas no corpo das modelos. A corda branca é neutra, e com exceção do próprio branco combina com qualquer cor de vestimenta.
Sim, mas determinados sites famosos e há tempos na estrada utilizam cores de cordas em profusão, que vão desde o amarelo, vermelho, rosa, azul e assim por diante. Alguns chegam a ousar e publicam fotografias com cordas em tons de roxo ou até com cores trançadas.
Eu diria que em sets nos quais a modelo se apresenta nua ou em trajes de biquíni elas funcionam bem, representam criatividade e agradam a uma grande quantidade de amantes de bondage. Portanto, quando utilizadas em combinação com vestidos estampados ou com roupas de duas ou mais cores, a tendência é que o traço se esconda em meio à mescla cromática que a fotografia retrata.
O resumo de tudo isso é bem simples: uma questão absoluta de preferência, tanto do fotografo quanto do rigger (o bondagista), quando ele não está nos dois lados.
Então é hora de subir um pouco mais e outro debate – desta vez intenso – martela na cabeça de quem gosta de bondage: a cor das mordaças. Aqui brother, o buraco é sem fundo.
Meu amigo Nauticus, bondagista por excelência e vocação, não abre mão de usar branco ou preto nos ensaios que realiza em sua belíssima esposa Becky, também modelo do Bound Brazil. Outros, milhares, preferem cores fortes ou até lenços estampados. Nessa eu passo literalmente e atendo a todos. Uso preto, branco, rosa choque, vermelho, cinza, o que for, e procuro às vezes combinar com a roupa das moças na hora de finalizar o set.

E quando o assunto é tapar belas bocas com fita adesiva, geralmente o pecado veste silver.
O fetiche de uma forma geral abusa dos detalhes.
Muito se apregoa sobre a combinação do fetiche com o negro, o dark, mas nem todas as expressões fetichistas tocam num mesmo compasso. Em bondage, por exemplo, cores e tons demonstram a síntese do pecado e aprofundam um debate interessante e sadio entre quem se habilita a tanto.

As fotografias de hoje mostram o trabalho de dois amigos: J.B.Roper e Hywel Phillips.

terça-feira, 14 de junho de 2011

The Image (1975)


Seguindo a trilha dos consagrados "A História de O” e "Emmanuelle” este filme de Radley Metzger realizado em 1975 pode ser considerado um clássico do BDSM.
Maravilhosamente filmado, sem o mínimo de fanfarra, ele vai direto ao ponto em poucos minutos. E esse ponto não é pornográfico, mas sim sensual e erótico.
A submissão total da jovem estrela Anne, interpretada por Mary Mendum, à sua antiga dominadora e namorada Claire junto com seu parceiro Jean, é o sonho de consumo de um casal de meia idade que se torna realidade.
A partir deste instante se sua intenção é ver sua esposa ou namorada interessada no enredo, e na fantasia, apague as luzes e assista com ela a este filme, na sua totalidade, e tenho certeza de que qualquer mulher vai desenhar aos poucos toda a trama nos pensamentos e se embrenhar nessa história rica em fetiches e sensualidade!
Dito isto – porque este não é um filme para ver em grupo, ao lado de familiares ou de seu vizinho – esteja prestes a conhecer todos os atalhos que levam praticantes de BDSM ao delírio através das fantasias sexuais.
Ao contrário de vídeos dessa época com temas sploitation, “The Image” flui sem rodeios, bem distante de obras pornográficas comuns que chegam a ser consideradas Cult nos dias de hoje. "The Image" foi filmado de forma a mostrar apenas o suficiente, ou o que é bom o suficiente para ser mostrado. Embora existam algumas cenas chocantes de sexo oral entre os personagens, este filme trata principalmente com a tensão sexual e sentimentos lascivos, dentro de qualquer pessoa (homem ou mulher) que sempre "desejou" depois da fase adolescente ser uma jovem fetichista, onde a dor e o prazer fossem a veia tentadora.
Avaliar esse filme pode não ser o suficiente para definir uma obra-prima de coleção erótica.
Pessoas que gostam de fantasiar com sexo, entrega, e expressões fetichistas, na certa vão entender as diferenças quanto ao que está sendo produzido hoje em dia.
Os clássicos traziam a exuberância do fetiche sem efeitos e a magia estava inserida na realidade das cenas.
“The Image” tem uma fotografia excelente e retrata com fidelidade a cidade de Paris nos anos setenta. Baseado em um best-seller famoso francês este filme é totalmente embasado em seu retrato implacável de um relacionamento estranho, um triângulo amoroso e sensual entre uma mulher madura, sua namorada submissa jovem e um autor curioso.
O filme também ficou conhecido como “The Punishment of Anne” e pode ser encontrado em versão em DVD.
Alguns especialistas da sétima arte tecem severas críticas a escolha de Metzger pelo tema. Dizem que ficou muito abaixo do esperado por se tratar de mais uma obra sobre o tema sexualidade – muito comum nos anos setenta – e fala até no aproveitamento de atores e atrizes que anteriormente desempenharam ótimos papéis em sua lente, na tentativa de fazer o filme dar certo.
É obvio que uma trama segmentada não agrada a grande maioria dos críticos assim como o público em geral. Mas Metzger mostrou que era possível brincar com a fantasia e rodar este inusitado roteiro apostando no desempenho dos atores escolhidos por ele para isso.

Na verdade, todos estes clássicos que o cinema mostrou na década de setenta tem algo em comum: eles nunca envelhecem. Fato é que, por tratarem de um tema ousado em que a então liberdade de expressão da época permitia, estes intrépidos diretores usaram de todos os recursos que possuíam para mostrar no cinema o que muita gente imaginava realizar.
Por isso, alguns aspectos técnicos são esquecidos nos enfoques que tratam de delimitar o tema BDSM a um possível underground

comum, e seguir na insistência cretina de mesclar pornografia barata com sensualidade e expressão.
Portanto, noves fora as opiniões em contrario eu sigo apostando no lado positivo do filme e coloco “The Image” no topo da minha galeria.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pureza


Definir um fetichista é complicado.
Pessoas com fetiches sexuais têm suas preferências particulares. Isto se chama essência.
É legal esclarecer que uma fantasia só se torna um fetiche quando repetida várias vezes, passando a significar uma necessidade básica para que a relação sexual tenha sentido.
Portanto, como um bom vinho ou um velho whisky o fetiche tem seu sabor.
Então, pra conhecer um fetichista é preciso saber o que o faz andar na Lua.
Daí eu me lembro de uma história marcante: a estrela do mar e o rei de copas.
Ela costumava dizer que escolheu esse Nick por pertencer a um mar de submissão plena. Entretanto, jamais havia compreendido a até onde iria se comprometer ao assumir essa tendência.
A grande vantagem de pertencer apenas ao mundo virtual é a não necessidade de assumir na plenitude o traço fetichista. Enquanto internauta apenas, os sonhos são possíveis. Porém, quando tudo se torna real é preciso ter consciência exata dos caminhos que o personagem vai trilhar em sua existência no universo fetichista.
Foi quando a estrela do mar precisou se materializar naquilo que tanto propagou atrás de um monitor. O personagem ganhou vida e com essa existência, essa materialização, todos os medos e angustias brotaram. Porque por mais que seja permissivo estabelecer uma distância entre fantasia e realidade, o ser humano sempre traz pra suas fantasias muito de sua vida real.
A submissa mais doce carrega suas características, assim como o carrasco mais sádico.
E o rei de copas seduziu a estrela do mar por encantos que ultrapassavam os limites do planeta fetiche. O dominador camuflava um sujeito bonachão, um verdadeiro exemplar do quarentão simpático. Aquele cara que vinha de longe e trazia na bagagem muita coisa além do sonho de uma relação entre fetichistas que sonhavam com entrega e poder.
As melhores lembranças que trago daqueles dias dá conta desse envolvimento particular.
Por morarmos na mesma cidade conhecia um pouco dos segredos que a estrela escondia. Foram algumas viagens juntos e muita conversa que delimitou fronteiras. Muita gente pensou que estivéssemos caminhando para uma negociação direta, mas nossas preferências eram claras e objetivas. Assim como ela deixava estabelecidos seus critérios de submissão eu não daria um passo fora do que havia direcionado como meta.
Às vezes a submissão está aquém do que um bondagista pode proporcionar a quem está à procura de um envolvimento. Ao fetichista não é permitido por herança genética brincar com sentimentos de parceiros ou parceiras. Minha meta era translúcida naqueles dias e continua impávida e devidamente preservada até os dias de hoje.
Por isso, e por estar completamente ciente daquilo que estava prestes a ser um fato real, acompanhei os passos que os levaram a se relacionar. Em pouco tempo ela não estava mais por perto. Havia partido com ele de mala e cuia pra viver uma vida nova. Casaram-se.
É incrível como este tipo de relação pode chegar a lugares imprevistos.
Tempos depois a encontrei num restaurante pelos lados do Jardim Botânico, onde por acaso resido aqui no Rio de Janeiro. Ela hesitou num momento, estava entre amigos e me viu acompanhado, mas veio falar comigo mesmo assim.

Contou que aquela relação durou apenas um ano e pouco e que havia abandonado de vez qualquer relação com o fetiche, com o BDSM, por achar que tudo não passou de impulsos insólitos de uma fase conturbada que vivia. Agradeceu a pouca conversa, a atenção devida e se foi pra sempre e nunca mais tive qualquer noticia.
Mais não soube, e os detalhes que a fizeram desistir nunca chegaram ao meu conhecimento.
As suposições são várias, motivos podem chegar a mil, mas fico com o que ela me disse e me arrisco a dizer que alguma coisa de sua vida pessoal a levou a tomar tal atitude. Pode ser...
As mulheres são muito estranhas...


A foto acima vem do meu amigo “dansbondagebabes”.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Parece que foi ontem


Mil e noventa e cinco dias.
Pra alguns uma eternidade, pra outros muito pouco tempo. Engraçado que quando falamos em tempo, em existência, cada qual tem a sua versão, a sua preferência.
Esse blog hoje completa três anos. Quando se dá início a qualquer empreendimento a idéia de supor aonde vai chegar é efêmera. Prever é uma das virtudes que ainda não consegui aprender.
Daí eu penso: quanta coisa aconteceu durante esse tempo! Talvez esse conceito ajude a descrever cada palavra digitada, cada idéia que teve início num sopro de inspiração. E haja inspiração quando se escreve sobre um assunto único, sem desvios, porque fetiche é matéria pra poucos, embora este espaço esteja prestes a ter um milhão de páginas lidas.
E se naquele 10 de Junho de 2008 era o momento de recomeçar, passados três anos é hora de seguir em frente. Alguém um dia falou que o blog nasceu pra falar do site Bound Brazil. Até concordo que muitas vezes falei desse caso de amor entre este escriba e sua arte, mas num computo geral, casos e causos roubaram a cena por essas bandas.
Registrados são setecentos e cinqüenta artigos. Tirando finais de semana e feriados, sigo minha idéia de fazer dessas linhas um diário. E nesses dias tantos, as histórias apareceram sem se importar se dentro desse peito fetichista de nascença havia um dia de sol ou de chuva.
Opinião é um caso sério. Nem sempre agrada os olhos de quem passa vistas no que você afirma categoricamente. Por isso, nunca moderei comentário, por achar que a democracia deve imperar e cada um tem o direito de vir aqui e contestar o que digo.
Se alguém me perguntasse qual dos textos escritos seria de minha preferência eu não teria essa resposta. Como tudo na vida alguma coisa escrita pode representar uma lembrança, um dia especial, mas dentre tantas que escorri pelos dedos a mais importante sempre virá no dia seguinte, porque pensando dessa forma a vontade de escrever torna-se infinita...
Um filme bem feito, uma cena pra relembrar, tudo isso veio parar aqui.
Orgulhos, mancadas, deslizes, quem escreve acaba por fazer de seus textos um pequeno retrato do que se passa ao redor. Não dá pra compor uma musica sem emoção, sem sentimento, muito menos digitar palavras que não se encaixam num todo. Se manifestações fetichistas são estranhas a pessoas do meio imaginem aos que nunca toparam com esse bando de gente maluca que acha tesão onde os outros imaginam ser o limiar da demência?
Pois é brother, somos o rochedo e o mundo lá fora é o mar...
Hoje não luto contra tudo e contra todos. Levo a minha mensagem a quem vem aqui e espera pelo próximo capítulo. Foi-se o tempo em que eu achava que segurar uma bandeira era a coisa certa a fazer sem se importar com o que A ou B ia pensar. Ainda creio que haverá o dia em que sentaremos ao redor de uma fogueira e contaremos nossas histórias sem medo ou preconceito, e todos poderão exercer o sagrado direito de ser apenas o que deseja.
Contestar preferência sexual é o mesmo que achar que laranja é uma merda e o sujeito ao lado não deveria gostar tanto da fruta.
Então, que outros trezentos e sessenta e cinco dias venham e levem consigo a minha mensagem sobre o que acontece deste lado do planeta, onde sonhos fetichistas povoam as mentes de pessoas diferentes e especiais como todos nós. Que outros mais se encontrem nas linhas que escrevo e se embebedem com as imagens que dão vida as matérias.

A cada um que durante todo esse tempo apareceu por aqui deixo meu muito obrigado.
Aos que me ajudam a escrever essas páginas enviando suas histórias por email humildemente agradeço.
Enfim, se houvesse uma festa todos estariam convidados. E se nesta festa fosse possível reservar um lugar, o faria sem sombra de dúvida aos que comentam as matérias e ilustram o que escrevo através de sábias palavras.

Falta pouco pra quatro...
Na foto ao lado, Anna e Jackie.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Radiografia da Herengracht


O Arjan é um amigo. Uma pessoa que conheço há bastante tempo, e embora não nos vejamos há cerca de nove anos, jamais deixamos de trocar palavras, seja por telefone ou pela Internet.
Aprendemos juntos o que muitos chamam de técnicas de bondage.
Hoje, temos sites comerciais que mostram nossos trabalhos. O meu, todos aqui conhecem, e o do Arjan, que também é recente, merece uma visita: http://www.strugglingbabes.com/
Deixei Amsterdam no final de 1992. O Arjan seguiu seu caminho fetichista em sua cidade natal.
Trouxe comigo boas lembranças e algumas delas vieram parar aqui nas páginas do blog.
Ele costuma dizer que desde esse tempo em que deixei Amsterdam muita coisa mudou. Segundo o Arjan, as pessoas se tornaram menos receptivas e agora andam amedrontadas devido a toda essa onda de terror que se espalhou pelo mundo. Entretanto, ele garante que aquela cidade hospitaleira e fetichista na essência, ainda guarda espaço para grandes atrações.
E por conta dessas conversas, dessa troca de recordações, o Arjan resolveu elaborar um trabalho através de textos que relatam as experiências vividas nas diversas play-parties que marcaram época na Rua Herengracht.
Como material fetichista estes escritos são de grande relevância.
Um apanhado de histórias reais vividas por pessoas comuns que se tornavam astros para uma platéia sedenta por cenas fetichistas numa rua à beira de um canal e suas casas tortas. Os eventos da Rua Herengracht não exerceram fascínio numa mente sul-americana a procura de um mundo novo apenas. Eles ensinaram, significaram evolução para antigos praticantes e, por fim, criaram uma atmosfera íntima entre pessoas que com o passar do tempo, e o fim destes encontros, seguiram seus rumos.
A idéia do Arjan além de revelar como tudo se passava naquele sobrado do século dezessete, é tentar reconstruir um cenário através das pessoas que participavam dos eventos. Sem se importar com o tempo, com possíveis mudanças de comportamento daqueles que viveram momentos inesquecíveis, a divulgação dos personagens e suas práticas pode ajudar no crescimento dentro do BDSM daqueles que por qualquer razão não puderam pertencer àquele grupo que por mais de três anos plantou sementes e colheu frutos.
A Herengracht foi a nossa escola. Não só de iniciação ao bondage, aos nós perfeitos, mas como uma aproximação definitiva e um encontro com o universo BDSM do qual nunca mais fizemos a mínima questão de sair.
Ao regressar ao Brasil naquele final de 1992, senti uma lacuna aberta como uma ferida ao me afastar de forma definitiva das festas da Herengracht. O Arjan, alguns anos mais jovem, seguiu até o fechamento do sobrado. Novas festas surgiam na região ainda no tempo em que eu era freqüentador dos eventos de Madame Laarsen, o que aos poucos representou a derrocada do lugar e seus habitués.
Todo esse material, essa radiografia cibernética de um templo do BDSM estará em breve à disposição de todos que gostam de boas histórias sobre práticas fetichistas diversas. As passagens mais interessantes serão traduzidas e publicadas aqui. Democraticamente todas as práticas serão abordadas, e será uma regra, assim como funcionava no velho sobrado.

Este presente que a vida me concedeu de poder ter vivido esse tempo com aquelas pessoas, tem a chance agora de virar o enredo de uma grande história. Ainda que jamais tenha sido um grande protagonista nas noites de segunda-feira na Rua Herengracht, minha pequena parcela de contribuição se juntará a outras tantas que me serviram como um aprendizado e que me capacita a escrever alguns conceitos nas páginas do blog ou em qualquer lugar onde me convidam. Ansioso espero a abertura desses arquivos secretos de coisas que vi e das que não pude presenciar por compromissos que me fizeram regressar.

Portanto, melhor estar bem preparados pra viver cada uma dessas histórias que um dia foram fatos reais.

A Rua Herengracht em Amsterdam segue como um importante pólo fetichista e até hoje abriga ótimas festas como a Obsession, todo primeiro Sábado de cada mês.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Na Calada da Noite


Ela queria a fantasia sem retoques.
Tinha que ser dois supostos seqüestradores. O estupro era a cereja do bolo.
Não abria mão de reagir tornando a cena altamente real. Eles teriam que ter força e agüentar a tentativa de escapar ao ataque planejado. “Vou mexer minhas pernas, meus braços e tentar escapar. Vai haver gritos e xingamentos. Preciso de realismo, nada que seja mamão com açúcar.”
De maneira límpida e clara como água cristalina da fonte ela contratou o rapto.
O sujeito que fora contratado tinha que buscar um parceiro, contar a história e realizar a fantasia da moça de qualquer jeito.
Freqüentou as salas de bate-papo e pelas conversas flechou um camarada com um Nick interessante. Custou a fazer o cara acreditar que tudo aquilo seria real. Por fim, marcou um encontro num café onde juntos armariam o esquema perfeito pra atender aos anseios daquela mulher.
Claro que o dono da idéia além de fetichista era um tipo de “fantasy maker”. Cobrava uma grana pra saciar a sede de algumas mulheres que conhecia pela rede com posses para pagar por seus serviços. Virou uma espécie de guru dessa mulherada ao ter boas referencias por conta de “serviços” prestados com lisura. Só que desta vez um parceiro era solicitado e pela boa remuneração ele não pensou duas vezes em tentar o tal comparsa.
O papo fluiu. Em nenhum momento, porém, ele procurou afagar o bolso do fetichista. Criou um caso doido e capenga de uma amiga submissa a qual desejava ter uma experiência com dois varões. Pensava em fisgar o cara pelo desejo e assim ficaria com tudo.
Depois de mil perguntas, desconfianças sinceras e esclarecimentos precisos, o fetichista topou a parada. Foi claro ao dizer que não aceitaria nada que houvesse envolvimento com outro homem e no máximo toparia que ele observasse a sessão como um voyeur comportado, fosse esse o caso.
Sorriram, trocaram um aperto de mão e selaram o pacto.
Chegaram à residência da mulher e a chave da porta estava no lugar combinado. Isso deu força ao fetichista que passou a partir daquele momento a acreditar na história do desconhecido.
Com máscaras de esqui no rosto entraram discretamente e avistaram a moça lendo um livro no sofá da sala. O cara foi abrupto e abafou-lhe os gritos apertando a boca com uma das mãos enquanto com a outra dava uma bela gravata. O fetichista ainda sem jeito tentou ajudar e ao pegar as pernas da bela morena levou um pontapé que o fez cair por cima da mesa de centro.
Já com receio de levar outra pernada ele preferiu correr para o lado do cidadão e ajudar a abafar os gritos da mulher em desespero.
Foi repreendido pelo idealizador do ataque que ordenou que ele segurasse as pernas da garota para tentar por as coisas em ordem. Mas nada, cada coice gerava um novo tombo.
Com esforço e acostumado com aquele tipo de fantasia, conseguiu por a mulher de lado para que o parceiro pudesse, enfim, justificar o combinado. Ao olhar o fetichista ainda sem jeito pra coisa, bobeou e levou uma dentada na mão. Após um grito de dor, desferiu um violento tapa no rosto da mulher que a fez aquietar.
Neste instante, o fetichista amedrontado bateu em retirada...
Encerrado o ato recebeu apenas metade do combinado por não ter um parceiro como devia.
Retirou-se odiando o sujeito e com receio de que ela lançasse criticas ao seu “trabalho.”

Voltou algumas vezes às salas de bate-papo na tentativa de encontrar o tal fetichista que lhe deixou na mão. Nada, nenhuma pista. Perguntou daqui e dali sem sucesso, jamais o haviam visto por aquelas bandas outra vez.
Outros convites iguais chegaram, mas ele declinou de todos, sabiamente afirmando que não tinha confiança em introduzir alguém na cena por temer outro fracasso.
Várias são as conclusões possíveis: o fetichista não entendeu a trama, lhe faltava experiência ou era apenas alguém iniciante no meio sem saber ao certo o que representava um estupro consentido. Qual das opções é a que mais se adéqua ao caso?

terça-feira, 7 de junho de 2011

A Porta dos Fundos


Nos tempos idos a onda era comer a empregada do vizinho. Em caso de flagra, a porta dos fundos era a saída mais próxima. Que me perdoem as domésticas, das quais tenho muito apreço e respeito, ainda mais pela minha secretária de todas as horas, afinal, cuidar de homem que mora sozinho é ter vida dura.
Mas a porta dos fundos não é o caminho mais curto apenas pra escapar de possíveis flagrantes. O perigo pré-estabelecido nas praticas fetichistas sugere a porta dos fundos como uma possível entrada sorrateira de um (ou uma) raptor (ou raptora) a procura da vitima que consciente lhe espera.
Quem se dispor a fuçar dentre as setecentas e tantas matérias aqui do blog saberá que tenho como princípio admitir que uma fantasia pra ser bem concebida precisa de total dedicação.
E o que é isto? Os personagens da trama, no caso os praticantes, devem estar cientes de que a aventura só tem graça se o teatro de sonhos estiver montado. Ora, se eu sou o algoz e ela é a vítima precisa haver a química, a entrega de ambos pra que tudo saia de forma perfeita.
Um sorriso, uma possível volta à realidade, uma frase mal colocada, qualquer ato deste tipo é o prenuncio de uma grande cagada. Neste caso, o ponteiro baixa de cem a zero num mísero segundo...
E se isso acontecer brother, a porta dos fundos poderá ser também a serventia da casa.
Por isso a necessidade extrema de tudo ser acertado antes. Como num filme fetichista em que cada ator ou atriz sabe exatamente o que vai fazer pra que tudo saia correto.
Não dizem que a vida imita a arte? Pois então, a regra aqui se aplica na totalidade.
Claro que contado causos há passagens hilárias.
Um amigo a pedido da parceira se vestiu de Batman, o homem morcego, para simular um ataque consentido que terminasse numa noite perfeita. O sujeito foi atrás, alugou a fantasia e correu o sério risco de ser flagrado pela câmera de segurança do prédio onde ela morava. Tudo ensaiado, combinado, enfim, a moça de camisola assistindo televisão e o intrépido super-herói mascarado entrando pela porta de serviço.
Ela não o tinha visto antes com o traje, o que foi o problema. Porque ao ver o parceiro vestido de Batman a mulher soltou uma gargalhada infinita que pôs tudo a perder. Foi-se a noite, e, por fim, o relacionamento.
Imagine a cara de tacho do cidadão vestido de Batman ante um sorriso descontrolado da parceira? É de doer.
Há casos, porém, em que o acaso conspira contra. Uma amiga me disse que combinou uma cena com o parceiro de estupro consentido. Até aí tudo certo. Roupa rasgada, a mulher atirada na cama, tudo indo de vento em poupa até o momento que já com o drops encapado ela percebeu que a camisinha tinha furado. Aqui a falta de sorte foi à questão.
Exemplos existem aos montes e cada um pode contar uma dessas historias em que nada dá certo. Os finais nem sempre têm o mesmo sentido. Podem terminar em lamentações entre ambos e a conseqüente promessa de tentar outra vez ou até mesmo num rompimento definitivo, quando uma das partes percebe ironia e descaso de quem deveria estar também inserido num mesmo contexto.
Uma exposição ao ridículo pode fazer do fetichista uma pessoa grosseira ou arrasada. Grosseiro se ele apontar a porta dos fundos como o caminho para que a parceira se retire, e arrasado se ele tomar esse rumo cercado por um sentimento de vergonha absoluta.

A solução pra isso é bem simples: problemas e neuras devem ficar do lado de fora.
Feito isso, a possibilidade de tudo dar certo aumenta consideravelmente e o fetichista poderá, enfim, usar a porta da frente, pra entrar e sair com o mesmo pensamento e satisfação.
Porque se alguma coisa não sair como foi combinado, basta uma conversa pra que tudo se ajeite e noutro dia se pratique mais uma vez.
Lembrando sempre que a fantasia só se torna um fetiche quando praticada várias de vezes, e, por essa razão, passe a ser essencial para que o prazer seja alcançado na totalidade.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ser diferente

Um dia eu escrevi isso aqui.

Ser diferente é olhar o mundo de uma maneira particular.
É acreditar em convicções sem se importar com opiniões e conceitos contrários.
É gostar de gostar sem medo, sempre sorrindo, sonhando, querendo, desejando.
Saber levantar a cada tombo, emendar o coração despedaçado por decepções e infortúnios.
Ser diferente é negar ser mais um na multidão, é ser ousado e pensar grande.
É não desistir nunca, perseverar em busca de um caminho que tem começo e não tem fim.
É entender e aceitar, persuadir e conquistar.
Fazer valer o pensamento em cada conversa e negar a outra face, sempre.
Ter sabedoria para lutar sem tréguas e voltar sempre à batalha jamais se dando por vencido.
Ser diferente é conhecer o coração alheio e entender seus anseios sendo simpático ainda que eles pareçam esquisitos.
Se mostrar mesmo escondido, e conhecer a si mesmo, exaltar as próprias virtudes e combater os defeitos. Ter liberdade com responsabilidade e fazer a escolha certa, sem medo de ser feliz.
Pensar antes de decidir, discutir, estudar e saber seus próprios limites.
Não desejar para o próximo aquilo que você jamais gostaria que desejassem a si.
Escolher os amigos, participar, vencer a timidez aos poucos.
Ser elegante e ter postura.
Virar as costas a olhares preconceituosos e encarar com alegria sua opção de viver.
Ser diferente é acima de tudo crer que a solidão não existe e a qualquer momento outros tantos diferentes farão parte da sua vida.
É esperar tentando, ter a noção exata que o próximo passo pode ser o caminho para a felicidade. É um dia descobrir que a fuga não cura feridas e assim aceitá-las, porque elas farão parte da sua vida pra sempre.
É se abastecer dos sonhos e tentar seduzi-los a serem reais, tendo pleno entendimento que isso só depende de você.
Enxergar-se no espelho com orgulho e jamais se arrepender.
Acreditar que existe uma luz no fim do túnel e que dentro dele passa um turbilhão de afortunados que um dia chegarão ao mesmo destino. Beber na fonte e agarrar a oportunidade que a vida conceder.
Ser diferente é saber que a fortuna sorri aos audazes e só os fortes sobrevivem.
Ser diferente é acolher e ser acolhido.
É conversar com o travesseiro e tirar as lições do próprio pensamento.
Liderar e seguir.
Falar e ouvir.

Não se achar o dono da verdade, mas ter a sua versão preservada.
É não se imaginar o dono do mundo, mas deixar sua marca e não passar pela vida despercebido.
É ter criatividade e realizar seus sonhos sabendo onde estão os obstáculos a serem superados.
É viver em busca de um final feliz.
Ser diferente é sempre ter certeza que haverá uma segunda vez.

E ser fetichista (bondagista) é ser diferente.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Desculpas que “Não” Colam


Cabeça de fetichista é como caverna em beira de precipício, difícil de explorar.
E como pra tudo que se move existe uma razão pra tanto, é sensato arranjar um cesto de desculpas, ainda que esfarrapadas, para um possível flagra na hora de flertar com o desejo.
Pois é, porque o papo aqui é sobre calcinha de mulher.
Normalmente o hábito de observar as calcinhas das moças vira febre na fase adolescente, mas ao se tornar um fetiche, aquele desejo incontrolável e impulsivo, pode perdurar por longos e longos anos.
O voyeurismo por ver calcinha de mulher como toda manifestação fetichista tem seus detalhes. A evolução com o passar do tempo é nítida, e o exemplo é bastante óbvio. Há anos atrás a onda era colar um pedaço de espelho com goma plástica no sapato e parar ao lado da colega de turma na escola. Era tido e queda, não havia calcinha que ficasse escondida uma vez refletida no espelhinho indiscreto que passava aos olhos do voyeur as cores e formas do objeto de desejo.
Hoje em dia é possível utilizar equipamentos eletrônicos e parafernálias sofisticadas capazes de reproduzir as imagens além do que os olhos alcançam. Através do uso de mini webcams, caneta espiã ou chaveiro espião é possível captar a imagem, gravar em arquivo e observar diversas vezes ou enquanto durar o encantamento.
Esta, porém, é uma forma de realização fetichista não consensual, ou seja, a pessoa observada não tem a menor idéia do que se passa ao seu redor. Por isso, a desculpa tem que estar afiada e na ponta da língua em caso de flagrante. Quem se arrisca nessa aventura tem que estar ciente de todas as conseqüências que a atividade pode trazer, desde um simples e firme puxão de orelhas até um processo.
Um amigo viciado em observar as calcinhas das moças jura de pés juntos que todas as vezes que se viu em situações de aperto se saiu muito bem. Afirma que a maioria das garotas sorri, não cria caso, mesmo diante de um olhar indiscreto em suas partes íntimas. Que fique claro, entretanto, que é ele quem diz. Talvez uma exibicionista pudesse ter este tipo de reação, ou ainda, alguém que ache a ousadia do sujeito uma forma de aproximação, mas ficar escolado não custa caro, porque se seguro morreu de velho, essa é, sem duvida, uma situação de risco total. Uma bofetada bem dada é o mínimo que se pode esperar de volta.
Em meio a estes incorrigíveis cidadãos chama a atenção aqueles que montam suas arapucas na esperança de garantir a prática fetichista e em seguida se ferram. São vários os exemplos de mancadas terríveis. Os caras passam recibo e na cara dura não sabem onde se enfiar depois da gafe. O vídeo que ilustra esse artigo é a prova viva de uma idéia que a principio parecia perfeita durante a execução provou totalmente o contrário. E aí brother, como sair dessa?




No Trabalho

Meninas em perigo no trabalho é receita que sempre dá certo quando se fala de bondage.
O conceito DiD (Damsels in Distress) habita as fantasias dos loucos por bondage na hora do batente. É inegável que imaginar a colega de trabalho passando por apuros dá uma onda surreal.
Então é tempo de se ligar no vídeo do Bound Brazil desta semana.
Kell e Vaní tratam desse assunto com muita categoria. É só conferir!

Um excelente final de semana a todos!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Inventando Perigos


Com este espaço prestes a completar três anos de existência algumas passagens desde então são deliciosas de relembrar, por isso, nada mais justo que dividir com todos estas boas sensações.
O Blog coincide com uma retomada pessoal. À volta ao lar depois de anos de afastamento.
A agonia de vencer um desafio que hoje se torna concreto cada vez que crio uma cena do site Bound Brazil e posto na tela. Concluo que faz três anos que invento historinhas perigosas e construo cenários vivos, através de personagens concebidos por pessoas, até então, totalmente estranhas ao ninho.
E em meio a esse apanhado de idéias que encenam desejos, a inserção do fetiche e o estabelecimento de novos limites tornam o desafio eterno. Enquanto houver energia haverá força e novos rumos a serem desvendados. A alquimia não é tão simples. Pessoas comuns que adentram ao desconhecido se transformam em estrelas de um universo no qual jamais sonharam habitar algum dia.
O segredo se resume a uma palavra: interesse.
E quando a mescla consegue reunir vontade e um rosto bonito e fotogênico a receita está pronta. Daí em diante basta que apareçam novos perigos a serem retratados por uma lente indiscreta.
Hoje o trabalho no site conta com cento e trinta meninas diferentes que chegaram de algum lugar por uma razão qualquer. Ora por conta do ganho através de um trabalho honesto e, por que não dizer, artístico, e em alguns casos a identificação com determinados aspectos fez com que existisse a continuidade. Pequenos detalhes acentuam as diferenças.
A maneira de lidar com o trabalho mostra até onde é possível evoluir para obter resultados expressivos. Há as que chegam realizam o trabalho e saem apressadas e existem as que se apresentam, analisam, debatem ou interferem de forma positiva por meio de opinião e, no final, fazem questão absoluta de conferir o resultado do que foi executado.
Toda relação comercial é via de mão dupla. Concordo, mas é inegável que as diferenças existem e são tão obvias que se repetem diariamente em qualquer segmento da vida.
Por isso, se alguém me pergunta como crio as histórias posso prontamente responder que a dedicação de quem vai interpretar é o caminho mais curto, o tiro certo, que se reflete nas vendas de assinaturas e no próprio desempenho comercial do empreendimento.
Bondage não se faz com robôs, e embora exista tecnologia avançada o ser humano ainda é a fonte que alimenta a cadeia de consumo.
Lá no começo as coisas eram mais complicadas. Não havia feedback suficiente para medir os batimentos que levariam o site a progredir. Novos talentos chegavam todos os dias e a ordem era não perder tempo através do acumulo de rostos que apareceriam ostentando uma mordaça. Hoje, ao contrário, eu escolho o rosto e a mordaça de acordo com o desempenho de cada modelo que é medido por meu feeling fetichista e pela preferência dos assinantes.
A experiência ensina que a melhor maneira de analisar o desempenho de uma cena de bondage é verificar detalhadamente se o que foi idealizado surtiu o efeito desejado. Uma vez completo o circuito, é fácil perceber que o personagem que saiu do imaginário ganhou vida e expressão através de uma atuação perfeita de quem participou da trama.

A partir de então novos roteiros passarão a ser criados com os personagens desenhados de acordo com a imagem e semelhança da atriz escolhida para o papel.
Dessa forma a engrenagem se move macia, sem transtornos e cada vez mais eficaz.
Novas modelos virão e irão se juntar as que hoje estão no elenco. Chega-se a conclusão de que além de criar historias e inventar perigos, é possível obter a essência fetichista representada por alguém que jamais imaginou que no mundo houvesse gente interessada naquilo que ela protagoniza.

A sensação de trabalho bem executado reflete diretamente no relógio, principalmente quando me dou conta de que é hora de fechar o filme.
Nas fotos duas fases do Bound Brazil: acima 2008 e abaixo 2011

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Bons Ventos


O fetichismo não é complexo, mas as cabeças das pessoas sim.
Ser fetichista não significa ser praticante de BDSM, embora os praticantes sejam fetichistas em potencial. Complicado? Um pouco, mas basta entender.
Ressalto, sempre, que o fetichista citado aqui é aquele que insere fetiches em suas práticas sexuais. Porque o individuo pode ter fetiche por objetos que não necessariamente se enquadram em atividades sexuais.
Portanto, o universo fetichista está sempre disposto a receber novos inquilinos que queiram aprender a lidar com o fetiche apimentando suas fantasias eróticas. Estas pessoas normalmente são chamadas de baunilhas. Embora eu nada tenha contra esse termo, desde que não haja uma conotação pejorativa, muitas vezes admito que em conversas fechadas essa palavra é proferida com ares preconceituosos. Ora, não é leviano afirmar que os praticantes de BDSM detestam ser taxados de pervertidos ou doentes pelo planeta fora desse gueto, então, por contrapartida, não deveriam utilizar da mesma retórica ao se referir a pessoas que chegam com o claro interesse de descobrir o que existe deste lado dos trilhos.
Essa guerrilha ideológica ou patrulhamento excessivo leva determinadas pessoas a diminuir seu circulo de amizades, e por conseqüência, traz um isolamento, porque nem todas as chegadas e partidas são idênticas e existem comportamentos passíveis de compreensão.
Por mais “descolada” que seja a pessoa a timidez é regra básica de conduta dos recém chegados. A transição leva tempo, e a acolhida sincera e afetiva é o melhor caminho.
Conheço pessoas que nasceram com sonhos e interesses fetichistas correndo nas veias, e outras, que ao longo dos anos, descobriram atração sexual pelas chamadas vibrações extracorpóreas latentes. Uma amiga, advogada, me revelou que aos trinta e nove anos se viu atraída por práticas sadomasoquistas depois de ter contato com a literatura a respeito do assunto pela primeira vez.
É fácil concluir que minha amiga até se achar no meio era uma verdadeira baunilha como costumam chamar.
Claro que pra toda regra existe exceção, por isso, o universo fetichista também recebe alguns aventureiros toda vez que abre suas portas. Pessoas que se valem de apregoar dotes que não possuem em busca de sexo fácil ou outros que contam vantagens e se vêem em palpos de aranha quando são chamados as práticas.
Porém, costumo dizer que toda vez que percorro a rede e encontro um blog com um bom conteúdo de BDSM rapidamente adiciono ou dou as boas vindas a quem chega. Do outro lado da tela, os escritos e fotografias talvez representem apenas o retrato da vontade de quem cria o espaço ou podem conter uma dissertação de práticas vivenciadas, o que pouco importa, porque de um jeito ou de outro é um sinal claro que bons ventos me levaram a conhecer o que pensa um correlato.
Esse mundo novo cresce a passos lentos por essas bandas. Isso é fato. Carrega também consigo algumas críticas, leves e pesadas, de praticantes que desconhecem algumas origens ou porque se encontram fora do que a sigla BDSM determina como base. Um adorador de pés, por exemplo, não se sente dentro do contexto do BDSM porque seu prazer não vem seguido de doses de submissão ou dominação. Ele adora os pés e nada mais.

Entretanto, para esses e outros casos a equação se resolve de forma simples: a sigla BDSM se fizesse referência a todas as manifestações fetichistas que se tem noticia, seria imensa, interminável, e seria chamada de “sopa de letrinhas” devido a sua longa extensão.
O que vale é se adequar, participar e encontrar quorum naquilo que se imagina praticar dentro de um rumo do que a sociedade taxa como desvio, e algumas vezes até como algolagnia.
Resumindo, abrir as portas e receber bem quem chega é muito mais que uma obrigação.


É praticar BDSM sem culpa, sem preconceito e sem barreiras. Essa regra vale para festas, espaços cibernéticos, encontros e pra todos nós que há mais tempo fazemos uso desse meio por simples opção.