segunda-feira, 31 de maio de 2010

Fair Play


O fetiche é muito particular, mas existem caminhos difíceis de entender ou imaginar.
Por exemplo, as meninas que durante cenas fetichistas gostam de praticar com outras meninas, porém não se consideram lésbicas.
A razão para não se acharem lésbicas vem do fato de não gostarem de sexo com outras garotas, o único contato se dá em práticas fetichistas. A podolatria ente mulheres está entre as preferidas, mas existem as dominadoras que adoram humilhar submissas.
Há explicação lógica?
Pra saber essa resposta só dando a palavra a essas mulheres e suas fantasias.
Desde que haja jogo limpo creio toda e qualquer prática fetichista é aceitável. É o caso de uma amiga que tem verdadeira loucura e adoração por pés femininos. Uma autêntica podólatra.
Coleciona fotografias dos pés das amigas e freqüenta os mesmos espaços destinados aos homens com essa tendência. Tem preferência por determinados calçados e arrisca passos para praticar uma podolatria totalmente submissa.
Do outro lado da linha, uma dominadora convive com o sonho de submeter um casal aos seus caprichos. Ela não aceita a mulher submissa sozinha para uma cena, afirma que deve vir acompanhada e seu parceiro que será obrigado a assistir sua mulher em dolorosos castigos. Mas pasmem, porque ela deseja a presença masculina somente como voyeur e veta qualquer participação do submisso na cena, a qual deseja que seja apenas com a mulher.
Cabeça de fetichista é terra que ninguém se atreve a descobrir...
Poderia citar aqui vários exemplos, afinal a convivência traz o conhecimento necessário que acaba servindo de base para falar desse assunto.
Os homens na esmagadora maioria são loucos por cenas onde duas mulheres se beijam e se tocam até o orgasmo, até os que se dizem não fetichistas, embora achem estimulante quando elas utilizam brinquedinhos que vedem nos sex shops. Foi-se o tempo em que essas lojinhas eram uma parada obrigatória apenas para o público fetichista.
Ainda que alguns considerem uma perversão duas mulheres numa cena BDSM, vale o ingresso ver duas fêmeas em pleno exercício de realização de seus desejos. Por que não?

Depoimento:

“Não sei de onde veio e nem me lembro muito bem como começou. Acho que vinha de uma festa e uma amiga resolveu descansar os pés cansados no meu colo.
Comecei com algumas carícias e me senti bem. Nesse momento me deu muita vontade de beijar-lhes os pés. A cor do esmalte, a perfeição das unhas bem feitas, alguma coisa me levou a fazer o que fiz.
Ficou nisso e não fui além, porque não me interessava outra situação que não fosse aqueles belos pés no meu colo. Desde esse dia passei a gostar dos pés femininos e encontro nisso um estimulo, embora jamais tenha tido desejo de ter algo a mais que os beijos nos pés.
Nunca procurei explicação lógica. Tenho esse desejo e é o que me basta.”

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Cara de Pau


Nada melhor que falar das artimanhas de um intrépido fetichista numa noite de Sexta.
Só que essa ninguém me enviou email pra contar. Conheço a “peça” há um bom tempo e só não sou testemunha ocular por obviamente não estar no local.
A história começou quando aquela mulher foi transferida para seu departamento na empresa. Tentou de todos os modos descolar uma aproximação, mas colheu sucessivos fracassos nas suas tentativas. Talvez devido ao pouco tempo de separação da sua escolhida tudo tenha levado uma eternidade para começar.
E se chegar foi difícil, imaginem na hora de apresentar as armas e dizer: “gatinha, meu negócio é te ver amarrada na cama, te dar uns tapas na bunda e coisa e tal”. Lógico que o que ele imaginou foi um daqueles foras homéricos, mas nem por isso desistiu do seu objetivo.
Tinha que rolar um plano B.
Na segunda noite em que foram a um Motel, meu digníssimo amigo levou escondido de sua nova parceira um belo par de algemas para animar a festa, mas não pensem que ela sabia disso, porque o cidadão escondeu as algemas dentro da cueca.
Disse que estava apertado para ir ao banheiro logo na chegada, e com a maior cara de pau do mundo voltou para o quarto com um sorriso estampado no rosto insinuando que alguém havia esquecido o objeto dentro do banheiro.
Claro que ela não deve ter acreditado piamente no que ele disse, afinal, mesmo que as pessoas que utilizaram a suíte antes da chegada deles tivessem esquecido as algemas por lá, no mínimo as arrumadeiras as teriam encontrado. Porém ela se fez de rogada e achou até interessante passando a brincar com elas.
Quando viu a que as algemas despertaram interesse na mulher, meu amigo pensou ter tirado a sorte grande, mas cometeu um erro imperdoável ao tentar explicar a garota como lidar com aquilo. Ela manjou na hora e acabou com o plano dele ao afirmar que ele havia planejado trazer as algemas.
O cara ficou desconcertado e não sabia onde enfiar a cara. Resolveu tomar uma ducha e fechou a porta do banheiro cabisbaixo, achando que tinha feito uma cagada tão grande que o remendo era impossível. Saiu do banheiro de fininho pensando numa desculpa esfarrapada qualquer e deu de cara com aquela mulher trajando um espartilho negro devidamente algemada na cabeceira da cama.
E como se diz por aí que uma imagem fetichista pra nós é como se fosse a Disneylândia dos adultos, o cara sentiu os batimentos cardíacos acelerarem em disparada e se entregou ao mundo da fantasia que tanto procurava.
Esse escreveu certo por linhas tortas...

WHO IS THE BOSS?

Pensem em duas garotas bonitas trabalhando numa mesma sala.
Imaginem que nesta sala dividem além do trabalho um único computador. Daí começa uma disputa que pode acabar em cordas e mordaças.
Pois este é o roteiro do filme que o site Bound Brazil exibe hoje aos seus assinantes. Lolita Brazil e Bruna Viana travam uma luta de egos para saber quem é a chefe, quem manda no pedaço. Com direito a ótimas resoluções de amarração o vídeo de quinze minutos apresenta uma excelente oportunidade de revanche. É só conferir.
Como de costume, um photoset com as melhores imagens faz parte do pacote.
Uma ótima pedida para começar bem o final de semana.


E por falar em fim de semana, meus desejos de good weekend!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ainda Sobre o Awards 2010…


Tenho que concordar que às vezes encho a paciência alheia com determinados assuntos, sejam eles fetichistas ou não. Mas nesse caso há palavras demais e espaço de menos, porque de outra forma meu artigo de ontem teria o dobro de tamanho e encheria o saco da mesma maneira.
E já que é pra assumir a condição irrevogável de chato, vamos nessa.
Foram muitas mensagens de congratulações, alguns tapinhas nas costas daqui e do exterior. Fazemos amigos e, por isso, eles querem escrever coisas bacanas que acabam inflando o ego aumentando a carga atômica da alegria incontida.
A Sasha Cohen do Danger Theatre que está no “Top Ten” do Awards em dois quesitos, melhor escritora e melhor site grátis, encabeçou a lista ontem mesmo e jurou de pés juntos e amarrados que vem muita coisa boa por aí. Sabe que ela tem razão? Quebrando a barreira do segredo absoluto, adianto em primeiríssima mão que na próxima Quinta, feriado, vamos produzir finalmente o segundo longa metragem. Uma hora e quarenta e cinco minutos de bondage, desejo e sensualidade. Pega bem né? Quer forma melhor de comemorar o resultado do Bondage Awards 2010?
Prometo escrever sobre esse filme na próxima semana. Vai ser do cacete!
De volta ao nosso “Day After” acho que faltou lembrar como isso tudo começou e da importância de ter tido um exército para enfrentar os leões. Desde os primeiros testes com candidatas que apareciam e soltavam sonoras gargalhadas quando eu insista em afirmar que haveria um trabalho sério pela frente, aos dias de hoje em que o senso profissional fala mais alto e cada vez mais buscamos o aperfeiçoamento, aquisição de novos equipamentos e um estúdio próprio.
Isto é sonho? O Bondage Awards também era assim como o próprio Bound Brazil um dia foi sonho também...
E pra viajar nesse túnel do tempo, basta voltar à semana passada, porque todos que estavam no Estúdio da Lucia Sanny fazem parte desse contingente que se juntou para simplesmente acreditar. Ninguém começa a trabalhar às dez da manhã num sábado de sol impunemente. Porque antes de estar a postos para o batente é preciso despertar cedo e achar disposição depois de uma semana de trabalho árduo. Vale lembrar que todo o staff do site Bound Brazil tem sua atividade profissional como qualquer trabalhador proletário que se preze, e fora os horários e dias dedicados ao site o bicho pega pra valer.
Tínhamos que rodar quatro fotoclipes e um vídeo. Pra isso, seis belas modelos se juntaram a nós para a pajelança. Haja corda, haja suor e haja força de vontade.
Por tudo que vi e vivi, tenho a absoluta certeza de que valeu e vale muito a pena.
Senão o que justificaria o meu cansaço, o da Lucia, da Korva, do Carlos, do Ynno, da Glawce e do Saulo quando já estava escurecendo? A batalha é dura e a peteca não pode cair.
E assim nosso barco segue firme na direção do horizonte que a gente ainda não sabe onde termina. Essa gente bronzeada e boa de bola que toca essa vela mar adentro é a razão que me move a seguir em frente, afinal se a minha mente pervertida criou todo esse cenário, nada mais justo que dividir com eles toda e qualquer premiação a que tenhamos direito.

Sinceramente, acho que para alguns deles a ficha ainda não caiu, mas aos poucos os efeitos dessa colocação de destaque na cena fetichista mundial se farão presentes e talvez eles possam sentir o mesmo que desde ontem de manhã não me sai da cabeça.
A sensação é muito esquisita mesmo. Soa como estar num lugar que você sempre imaginou chegar, porém sem ter jamais a certeza de que isso se tornaria mesmo realidade.
Resumindo, pode parecer rasgação de seda em excesso, mas esse povo merece mesmo todas as palavras de agradecimento que ainda não pude dizer.
Temos muito trabalho pela frente galera, porque por mais sacrifício que pareça chegar ao topo pior mesmo é se manter na parte de cima da tabela.
Vamos à luta, tem trampo de sobra!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Eh Nóis!


Segundo um grande amigo ganhar um prêmio na Internet é como ficar rico no banco imobiliário, ou seja, não vale porra nenhuma. Certo? Nada disso, porque o Bondage Awards tem a sua importância, sim!
Pois nessa manhã cinzenta aqui no Rio de Janeiro recebi os resultados do Bondage Awards 2010. Lógico que deu frio na barriga e quando dei de cara com o que apareceu no Hall da Fama a vontade foi de soltar o seguinte: Eh Nóis!
Não veio o ouro, nem a prata e muito menos o bronze. Mas o site Bound Brazil levou o prêmio de oitavo colocado entre cento e dezenove indicados. Não contam os quase mil sites espalhados mundo afora que não entraram na indicação de disputa. E não pensem que os grandes lobos da indústria ficaram de fora, porque o Kink abocanhou o prêmio de melhor site com o Hogtied (merecido, diga-se de passagem) e emplacou o Sex and Submission entre os “Top Ten”.
Pra completar, levei o prêmio de sexto colocado entre os melhores Riggers, (cento e três foram indicados), a Terps ficou como oitava colocada entre as cento e cinqüenta e sete modelos indicadas e a minha amiga e ídolo Lucia Sanny recebeu a medalha de sétima melhor fotógrafa fetichista do Planeta.
Confira aqui os premiados: http://www.bondageawards.com/hall_of_fame.asp
Claro que vai haver chiadeira, chororô e um monte de gente falando por aí que os critérios são isso e aquilo e blá blá blá. Porém, antes de tocar um belíssimo foda-se a esses especialistas de plantão, vale lembrar que esse ano o Awards recebeu mais de quarenta mil votos do público e, além disso, contou com um júri formado por expoentes da indústria fetichista mundial com o peso de cinqüenta por cento na escolha.
Basta dar uma olhada no resultado e ver que mestres do bondage clássico retornaram ao cenário, musas que há anos produzem obras de arte amarradas fincaram suas bandeiras entre as melhores, enfim, a premiação foi o mais justa possível.
Na verdade ver que na lista dos dez melhores riggers não está o nome de feras como o J.B. Roper causa certo desconforto, mas se for levado em conta que o voto para rigger não é somente pela construção da amarração, mas também pela direção dos vídeos, elaboração das cenas e outros detalhes, há de existir uma razão para tal. O melhor é deixar que o critério de escolha fique por conta de quem votou e agora terá que justificar seu voto.
Pensando bem, no BDSM alguém tem sempre que se ferrar, afinal assim é o fetiche e estar no Hall da Fama tem as suas vantagens. Como por exemplo, o aumento considerável da exposição da marca, visibilidade e, quem sabe, novos assinantes que é o que se espera.
Entretanto, virando a bússola aqui para o Hemisfério Sul ainda não haverá nada de novo em nosso reino. A mídia conservadora e incapaz de enxergar um palmo a frente do nariz, não dará nenhum destaque a um brasileiro qualquer que resolveu desafiar a ordem natural das coisas e encarar os caras com as armas que tinha.
Trocará o orgulho de ver um produto brasileiro vencer a concorrência lá fora pela vergonha de falar em pessoas que gostam de ver mulheres amarradas. Vai achar ridículo, estranho, talvez bizarro ou até pervertido. Porém, pouco importa, afinal estou cagando pra essa gente. Não precisei deles para colocar o site no ar e não é agora que vou pedir esmolas.

Se tenho que dizer alguma coisa em especial a platéia já está selecionada, aliás, foi aqui mesmo nessas páginas que fiz meus agradecimentos a quem de direito e reitero depois do resultado.
As medalhas vão ser exibidas pelo site e vão significar a honra de sermos escolhidos entre os dez melhores. Nosso nome ficará no Hall da Fama pra sempre porque fizemos por merecer e de lá ninguém poderá nos tirar.
A minha premiação pessoal será postada aqui no blog com um orgulho imenso, do tamanho da força que meus amigos me deram e a quem eu dedico de todo o coração.
Muito Obrigado!

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Proxeneta


Essa vem de Portugal.
Vendo suas contas acumularem e não tendo outra saída, Alice resolveu cruzar o Atlântico atrás de uma vida fácil em Lisboa. Ouviu conselhos de algumas amigas que haviam estado por lá, juntou o pouco que tinha para partir em busca de seu próprio El Dorado.
Um ano depois ao desembarcar por aqui refez as contas chegando à conclusão que o pote de ouro não era tão grande, mas mesmo assim trouxe na bagagem muita coisa além da estabilidade financeira que ela tentou encontrar.
São tantas histórias que ela deveria escrever um livro relatando as experiências que colecionou e, claro, algumas dessas passagens são tão interessantes que vale a pena dividir aqui. Como o caso do proxeneta (leia-se cafetão) com quem conviveu por mais de oito meses.
Na verdade a Alice foi mais uma das tantas Brazucas que caem no conto do Vigário. Pegam um avião esperando tirar a sorte grande, pensam que haverá um comitê de políticos corruptos e ricos empresários a espera com o bolso forrado de Euros, mas se deparam com um apartamento chinfrim no meio de um bairro afastado qualquer onde outras iludidas dividem as esperanças. Trepam quase dez vezes ao dia e recebem quarenta por cento do que “a casa” faturou. Daí se desconta despesas e outros afins encurtando ainda mais a grana.
Nesse apartamento que ela chama de “local de convívio” um simpático quarentão dava as cartas. Dono de um possante carrão ultimo modelo, ele fazia visitas diárias aos seus quatro ou cinco apartamentos espalhados pelo centro antigo de Lisboa. Justo nas contas, mas quando o assunto era sexo fazia questão de pagar os quarenta por cento da garota para evitar envolvimentos mais íntimos.
Num fim de tarde de verão, chegou com a cara alegre de quem vinha de um almoço festivo. Depois de uns copos a mais, olhou para Alice de forma diferente e a levou para o quarto de mãos dadas. Recém chegada, trazia na bagagem um lindo conjunto de lingerie negro que pareceu enfeitiçar o proxeneta. Com os olhos vidrados em suas pernas, arrancou-lhe as meias e a calcinha e num impulso danou a cheirar e beijar as roupas íntimas de forma incontrolável até ejacular com força e cair quase desfalecido ao seu lado.
Assustada a principio com a volúpia do cafetão, Alice não lhe cobrou explicações e esperou apenas que ele lhe dissesse alguma coisa. Para sua surpresa, o sujeito se confessou fetichista oferecendo uma boa soma pela roupa usada. Ela prontamente aceitou, precisava da grana e estava lá pra isso, mas concordou em guardar segredo perante as outras meninas da casa.
De tempos em tempos ele a chamava para um encontro dentro da própria casa. Trazia lindos conjuntos de lingerie e sapatos. Mandava que ela colocasse as roupas até o fim do expediente quando se deitavam para uma nova sessão fetichista. Ele recolhia tudo, as meias, a calcinha e até a palmilha do sapato para levar de lembrança.
Até que um dia ele não a procurou mais. Talvez outra garota fosse à nova guardiã dos seus segredos, Alice chegou a apostar em alguém, mas lamentou apenas o fato de não contar com as boas gorjetas que ele fazia questão de pagar.

Ela tem outras lembranças de cenas fetichistas pra contar e se sente em casa ao ler esse blog que reacende fatos que adormeceram em seus pensamentos.
Obrigada a retornar ao Brasil depois de um ano na clandestinidade ela sonha em regressar a Portugal para, segundo suas palavras, completar um ciclo que ela ainda persegue mesmo após desencontros e dúvidas. Se nada do que imagina der resultado, Alice levará novas peças de lingeries e buscará trabalho com o mesmo proxeneta ou outros que ainda cruzarão o seu caminho.
Alice promete aprender sobre fetiches e se aprofundar no assunto, afinal, ainda existe algumas histórias a serem contadas. Boa sorte!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Quase Perfeita


Algumas vezes respondi e cheguei até a postar sobre o que eu considero ser uma cena de bondage perfeita. Claro que existem inúmeras razões para que uma cena seja considerada perfeita, mas o aspecto que talvez tenha um valor mais elevado é o olhar de quem está diante da imagem.
Sendo assim, resolvi falar de uma cena gravada Sábado passado nos estúdios do Bound Brazil.
A Luana estava diante das câmeras pela primeira vez, e embora tenha sido apresentada ao trabalho alguns dias antes, seria normal considerar pequenas falhas de uma principiante. As pernas tremem, o coração acelera fruto da insegurança de estar fazendo ou não de forma correta.
“As cordas não mordem”. Assim procurei acalmá-la e arrancar um sorriso para relaxar a tensão. Ela se mostrava ciente do que precisava ser realizado provando que tinha feito a lição de casa.
“Sabe qual é a sensação? De que não vou sair nunca daqui”. Ela mandou a frase certa alguns segundos antes de ser amordaçada. Era a essência, o perfeito entendimento do significado da cena. Livrar-se das cordas seria impossível, embora a tentativa ainda que inútil seja tudo que queremos ver.
Talvez pensando no próximo Bondage Awards, ela ignorou as luzes, as duas câmeras que a seguiam e as duas máquinas fotográficas que registravam todos os seus movimentos tentando escapar do inescapável. Com os cotovelos e braços imobilizados movia o corpo de forma esguia e de pé com as pernas atadas buscava equilíbrio sem poder se apoiar, então deve ter imaginado o porquê de estar tão presa enquanto outra modelo que realizou uma cena anterior lhe parecia menos desconfortável. Não poderia supor, ainda, que a inspiração de um bom trabalho de bondage vem em parte da força da modelo...
Deve ter sentido alívio quando se viu deitada na cama, porém com um olhar de espanto me observou chegar com mais um pedaço de corda para amarrar seus pés em seus braços presos às costas. Jamais poderia faltar um belo e eficiente “hogtie” para dar as boas vindas a essa estreante com jeito de Musa. E como eu previa, ela começou uma tempestade num copo d’água abrindo a caixa de ferramentas para dizer a que veio.
É bom que se diga que nem sempre a química acontece da mesma maneira.
Algumas meninas acham engraçado, estranho, e demoram um bom tempo até entender a mensagem que se espera de uma mulher diante de uma platéia de fetichistas exigentes. Só que a Luana atropelou tudo isso passando a impressão de que vai mesmo buscar um lugar na galeria das grandes estrelas de bondage.

Senhores bondagistas: podem anotar em seus blocos de notas e me cobrar mais tarde. Muitas cenas estão na minha mente pervertida e essa garota com carinha de vitima faz literalmente parte dos meus planos “diabólicos”. Preparem-se para grandes fotografias, ótimos vídeos e atuações cada vez mais brilhantes de alguém que deu mostras de saber o que bondage significa.
Com o tempo a gente se acostuma a descobrir onde a água tem sabor.
O ensaio completo da Luana Fuster será exibido no Bound Brazil daqui a quinze dias, dois dias antes de este blog completar seu segundo ano de existência. Até lá, vale contemplar essas duas imagens que para um conhecedor de bondage valem mais que mil palavras.
Como costumo assumir as facetas da minha vida, do alto do meu egocentrismo magnânimo ufanista não considero essa primeira cena da bela Luana como perfeita, pelo reles detalhe da cama onde foi realizada não ser minha...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Raptos Reais


Essa semana recebi uma mensagem de uma pessoa que pertence ao meu grupo de amigos no FetLife. Até aí nada demais, afinal faz tempo que trocamos mensagens antes mesmo do FetLife existir por conta de um assunto que é a cara desse blog: bondage.
Os que estão há mais tempo nessa estrada virtual devem conhecer a Amalieve. Ela tem um vasto currículo fetichista com participação em inúmeros sites de bondage que estão em atividade ou que simplesmente desapareceram.
Mas no meio de todos esses anos na cena fetichista, me chamou a atenção algumas considerações que ela colocou. A principal delas o fato de ter começado como modelo e na medida em que os trabalhos foram sucedendo, ter se apaixonado pelo fetiche. Ela diz que no começo as coisas não faziam muito sentido e que buscava um elo que ligasse o seu trabalho com o desejo do espectador, entretanto, ao tentar descobrir essa razão acabou tornando-se vitima de sua própria indagação.
Amalieve é louca por bondage hoje em dia, especificamente pelo aspecto DiD (Damsels in Distress).
Segundo suas palavras, o desejo veio bem devagar, comendo pelas beiradas. Em cada cena gravada ou fotografada, ela revia seu trabalho e procurava uma maneira de realizar melhor, até que um dia se deparou com um tesão tão intenso que a levou ao delírio assistindo seu próprio vídeo. Desde então, levou o fetiche para sua vida e toda vez que se prepara para ter uma noite de sexo perfeita, uma cena de captura ou rapto tem que fazer parte do cardápio.
Disse que no começo encenou algumas histórias de seus trabalhos com um namorado, por outras vezes criou seus enredos e se viu amarrada e amordaçada na mala do carro, no banco traseiro ou em assaltos simulados em sua residência.
Seus relacionamentos tornaram-se intensos e duradouros, chegaram a atrapalhar seu trabalho ora por ciúmes ou por simples falta de tempo, mas ela não trocaria nada do que fez por um estrelato maior.
Ultrapassando os quarenta, Amalieve já não recebe tantos convites dos muitos sites americanos, mas nem se importa, uma vez que se sente realizada por ter sido apresentada a algo que deu sentido a sua vida sexual do qual ela não abre mão por nada nesse mundo.
Suas fotos de perfil são de alguns anos atrás quando ela ainda era uma das várias musas que os americanos produziram na década de noventa, mas nem isso mexe com os brios dessa eterna Deusa do bondage, porque ela hoje faz de seus vídeos e fotos uma doce realidade a qual infelizmente para nós fica só entre as suas paredes.
Thank you Amy!

A REAL KIDNAP

Uma garota linda, filha de um empresário rico. Ela prepara-se para entrar em seu carro é rendida e levada a um cativeiro.
Muitas dessas histórias são reais ou estão em vários roteiros de filmes e novelas, mas nós do Bound Brazil também temos as nossas, por isso, o site exibe na noite de hoje aos seus assinantes o vídeo “A Real Kidnap”, um seqüestro real.
Com a linda Barbara Lopes vitima de uma quadrilha de terroristas liderada por Scarlet e Carlos, o filme de dezesseis minutos conta uma história de seqüestro em busca de resgate, mas que pode terminar com traços da Síndrome de Estocolmo, quando a vitima se envolve com a causa de seus algozes.


Acompanha esse belo vídeo um photoset completo com noventa fotos dos melhores momentos.
Um excelente final de semana a todos!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O Doutor Palhares


Preocupada por ter um incrível instinto de submissa, uma amiga resolveu dar ouvidos a algumas pessoas e procurou um analista. Uma velha colega de Faculdade recomendou um terapeuta formado em psiquiatria, Dr. Mancebo Palhares.
Após o fim de seu relacionamento com um fetichista de tendências totalmente dominantes, ela se viu em palpos de aranha para conseguir se firmar noutra relação. Contou que o fetiche lhe fazia tanta falta que chegava ao cumulo de se auto-flagelar durante o ato sexual com seu novo parceiro às escondidas, sem que o cidadão pudesse notar. Buscava na dor o prazer que não tinha nas noites mal resolvidas.
Mínimos detalhes eram relatados com extrema riqueza e devidamente anotados pelo Dr. Palhares que prestava bastante atenção ao que sua paciente dizia. Ouvia e perguntava, principalmente sobre seu relacionamento passado.
Minha amiga estava feliz com as consultas. Tinha no analista um aliado confidente e aquela altura conseguia entender a razão de sua submissão total e sobre sentir prazer com a dor. Convencida de seu masoquismo extremo restava encontrar um novo parceiro que a levasse de volta ao caminho do qual se perdera.
Passou então as práticas solitárias. Através de relatos colhidos pela Internet experimentou sessões secretas que terminavam em marcas profundas e longas masturbações finalizadas com orgasmos intensos. Faltava-lhe, porém a relação carnal, a chamada coisa de pele, o sabor e o cheiro do macho dominador para se sentir completa.
Tentou daqui e dali, mas não apareceu nada que fosse capaz de mudar o panorama.
No final de uma das rotineiras consultas, recebeu do Doutor Palhares o convite para uma conversa fora do ambiente médico-paciente. A confiança era tanta que sequer pestanejou em aceitar tomar uma bebida e ampliar seus horizontes.
Livre das formalidades e da conduta de ética necessária a qualquer profissional, o Doutor Palhares procurou aprofundar o papo fetichista e minha amiga viu-se diante de alguns conselhos ousados, que soavam como experiências de quem tinha amplo conhecimento do assunto.
Não foi difícil perceber a certa altura que o Doutor Mancebo Palhares era um fetichista.
E além de fetichista possuía as mesmas tendências submissas da minha amiga e há um bom tempo convivia com a procura de uma dominadora que pudesse realizar seus desejos.
Ela a principio foi obrigada a assumir o impacto que a revelação lhe causou, mas aos poucos foi entrando na roda e descobriu que daquela forma se sentia bem melhor em discutir seus problemas. Estava diante do “ombro amigo” que tanto lhe faltava, embora tivesse sido providencial as sessões de análise a que fora submetida.

Tronaram-se amigos confidentes a ponto de dividir as angustias e desejos secretos de uma mesma maneira. As consultas terminaram e nas conversas telefônicas, via email ou pessoais, contavam histórias recentes de encontros ou desencontros, além de se divertirem bastante com relatos mútuos de cenas solitárias que experimentavam toda vez que se sentiam sozinhos.
Um dia uma dominadora chegou de outra cidade para um evento e levou com ela o coração do Doutor Palhares. Os encontros ficaram raros e aos poucos desapareceram.
Minha amiga contou que continuou recebendo mensagens do ex-analista onde pedia noticias, mostrava-se preocupado com ela e falava de sua relação cada vez mais sólida e intensa.
Confessou que sentiu ciúmes no começo, embora no fundo do ego desejasse ao amigo toda a felicidade do mundo. Lamenta até hoje que uma amizade sincera e sadia tenha terminado da forma que eles mesmos previam, nos tantos chopinhos de fim de tarde na praia do Leblon.
Vida que segue...
E ela ainda está à procura de seu par perfeito.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

As Próximas (Vítimas)


Dá uma olhada no que vem por aí no Bound Brazil.
Recheado de atrações, belas modelos e roteiros de aventura e sensualidade, o site Bound Brazil exibe aos seus assinantes as suas próximas “vítimas” e, como sempre, o blog dá uma colher de chá aos amigos trazendo aqui uma prévia.
Dois novos foto-clipes com Nina e a estreante Natasha Warzack, bem ao estilo de sua descendência Polonesa. Uma galeria visitante (Guest Gallery) do site British Bound Damsels do meu amigo Kevin e dois vídeos de parar o transito: “Who is the Boss?” com Lolita Brazil e Bruna Viana e “Seduction” com Terps e Sarah Moon esbanjando sensualidade e ação.
Confira.
NINA
Photo Clip


BRUNA VIANA & LOLITA BRAZIL
Vídeo: Who is the Boss?


GUEST GALLERY
Britsh Bound Damsels


TERPS & SARAH MOON
Vídeo: Seduction

terça-feira, 18 de maio de 2010

Cem Preciosos Segundos (Epílogo)


Os estímulos responsáveis pelo prolongamento das sensações do orgasmo relacionados com visão e olfato inegavelmente estão ligados ao fetiche.
E com o corpo humano se comporta no momento do êxtase?
O envolvimento total do corpo na resposta à excitação sexual é experimentado de forma subjetiva pelas pessoas. Existe grande variedade tanto na intensidade quanto na duração da experiência orgástica. É uma fase de muito menor duração que as anteriores, mas de altíssimo nível de prazer. "As sensações produzidas são de intenso alívio, como libertar-se bruscamente de uma carga de tensão acumulada durante certo tempo. Algo assim como subir lentamente por uma escada a um tobogã muito alto e, depois de se sustentar lá em cima por um tempo, soltar-se numa queda vertiginosa, carregada de tensão, mas alegre, vigorosa, relaxante", define o psicanalista Juan Carlos Kusnetzoff.
Na mulher, os músculos do aparelho genital contraem-se ritmicamente. Os movimentos na entrada da vagina, ânus, uretra e útero podem ser espontâneos e ocorrer ao mesmo tempo. Quando as contrações são muito fortes - podem ocorrer a cada doze segundos ou a cada um ou dois minutos -, o muco aglutinado no fundo da vagina pode se liberar junto com a secreção das glândulas de Skene, localizadas na entrada da uretra e responsáveis pela ejaculação feminina. As contrações podem ser rítmicas, simultâneas e podem ocorrer separadas. Às vezes a mulher pode nem perceber os movimentos ondulatórios do baixo ventre, como pode também contribuir para iniciar voluntariamente as contrações do orgasmo.
O controle dessa musculatura vem diminuindo no decorrer dos tempos. As civilizações mais antigas tinham maior controle sobre esse tipo de musculatura. Mas a sexóloga Marilena Vargas ensina: "Basta, porém, que você contraia o abdômen, o ânus e, em seguida o orifício vaginal, tentando engolir o pênis com a vagina e, em seguida, expulsá-lo. Repita isso várias vezes. Dessa forma, você pode “chamar” o orgasmo e pode aumentá-lo em duração (o orgasmo feminino dura de 90 a 104 segundos). Nessa fase, quanto maior a fricção entre o pênis e a vagina, maior o nível de excitação e mais facilmente você chega ao orgasmo."
No homem, iniciam-se as contrações do pênis e dos órgãos que conduzem o líquido ejaculatório até o bulbo uretral. Num segundo momento, ocorre a expulsão desse líquido devido às contrações dos músculos perineais e bulbocavernosos. Quando o líquido ejaculatório está sendo expulso, a uretra do pênis se contrai, assim como o ânus e os músculos do assoalho pélvico.
Segundo Masters e Johnson, o orgasmo masculino pode durar até vinte segundos, mas existem exercícios musculares para aumentar esse tempo, assim como para possibilitar que o homem tenha orgasmos múltiplos.
Geralmente o orgasmo masculino ocorre simultâneo à ejaculação, embora possa existir independente dele.

O homem e a mulher, a partir do ponto culminante do orgasmo, caminham para a fase de resolução do ciclo sexual. A sensação é de plenitude e bem-estar. A mulher pode entrar nessa fase após um único orgasmo ou após vários consecutivos. E também pode retornar a uma nova experiência orgásmica a qualquer momento, desde que submetida a novos estímulos. No homem, geralmente existe um período refratário que varia de duração. Sua capacidade fisiológica para responder à nova estimulação após a ejaculação é muito mais vagarosa do que a da mulher. A não ser que ele aprenda a ter orgasmo sem ejacular e, assim, consiga vários orgasmos consecutivos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cem Preciosos Segundos (Primeira Parte)


Os pesquisadores americanos William Masters e Virginia Johnson estavam decididos a estabelecer os fundamentos do procedimento sexual humano. Mas para isso seria necessário responder a duas perguntas:
1. Quais as reações físicas que se desenvolvem quando o homem e a mulher respondem ao estímulo sexual efetivo?
2. Por que o homem e a mulher procedem como o fazem ao responderem ao estímulo sexual efetivo?
As técnicas para definição e descrição das principais modificações físicas desenvolvidas durante os ciclos de resposta sexual humana masculina e feminina foram, inicialmente, as de observação direta e de medição física.
Em 1966, eles publicaram o livro A conduta sexual humana, no qual dividiram em quatro fases distintas as reações fisiológicas aos estímulos sexuais: fase de excitação, fase de platô, fase de orgasmo e fase final ou de resolução.
A excitação desenvolve-se a partir de qualquer fonte de estímulo físico ou psíquico. Os estímulos que provocam a excitação variam em cada pessoa. Podem ser visuais, olfativos, táteis, lembranças de outros momentos vividos ou um pensamento. Se o estímulo for adequado à necessidade individual, a intensidade da resposta aumenta rapidamente. Se, porventura, o estímulo estiver sujeito a objeções físicas ou psicológicas, ou se for interrompido, a fase de excitação pode prolongar-se muito ou interromper-se.
Os estímulos que provocam a excitação chegam a certas regiões dos centros cerebrais superiores da resposta sexual ocasionando diversas reações corpóreas neurológicas, musculares, endócrinas e vasodilatadoras. Assim, os órgãos genitais passam do estado de repouso para o de excitação.
Na mulher, os órgãos genitais estando em estado de repouso, o útero situa-se dentro da cavidade pélvica, o clitóris escondido no prepúcio, a vagina enxuta. Os estímulos sexuais fazem com que esses órgãos recebam aumento do fluxo sangüíneo.
O clitóris se ingurgita e torna-se sensível ao toque, as glândulas de Bartholin - localizadas na vagina - liberam sua secreção e os músculos circunvaginais começam a transudar (suar) lubrificando a vagina e facilitando a penetração. A sensação de umidade que chega aos órgãos externos é acompanhada pelo relaxamento desses músculos que circundam a entrada vaginal.
Ao mesmo tempo, as mamas aumentam 25% de tamanho, ocorre à ereção dos mamilos, a dilatação das aréolas, os grandes lábios se afastam do orifício vaginal e os pequenos aumentam de tamanho. A vagina se alarga e se aprofunda e os tecidos perivaginais ingurgitados de sangue e suados formam a chamada plataforma orgástica, ou seja: início da fase de platô.
Mas nem sempre a excitação ocorre naturalmente. Se a mulher estiver ansiosa ou preocupada, o estado de excitação pode ser de uma intensidade muito baixa ou mesmo não se produzir. Os músculos estando tensos e a vagina seca, a introdução do pênis é dolorosa e em alguns casos até impossível.

No homem, o pênis é um órgão cilíndrico, cujos tecidos podem enrijecer-se quando se enchem de sangue. Os corpos cavernosos são duas espécies de cilindro que se estendem do osso púbico até a glande. Normalmente suas paredes estão quase secas, pregadas uma à outra. Na fase de excitação o sangue entra nesse tecido e fica retido lá dentro. Enquanto isso acontece, a ereção se mantém. Qualquer distração, mudança de posição ou de estímulo, pode fazer variar a ereção. Quando o sangue flui das veias penianas para o interior do abdômen, ocorre a flacidez.
Os homens excitam-se principalmente com estímulos visuais e a mulher com estímulos táteis. Além dessa diferença, a mulher se excita em geral mais lentamente do que o homem.

(Continua...)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Supremacia Hogtied


O termo Hogtied se traduzido ao português soa esquisito.
Imaginar uma mulher linda e ler na legenda “amarrada como um porco” apaga todo o glamour que a fotografia traduz. Mas é este mesmo o real significado.
Na verdade o termo hogtied é utilizado para denominar uma posição de imobilização de bondage em que uma mulher, ou um homem, tem as mãos amarradas às costas de onde uma ponta da mesma corda é usada para amarrar os pés.
Talvez por representar uma amarração segura de onde é muito difícil escapar, o estilo hogtied ganhou força no meio fetichista e pode ser apontado com tranqüilidade como a preferida dos “riggers”, diria até que existe uma supremacia da imobilização hogtied se comparada às demais.
Outro aspecto importante que merece destaque quando o assunto é imobilização hogtied é a total exibição dos pés. Por estarem diretamente ligados às mãos, os pés ficam em evidência a todo instante durante uma cena no estilo hogtied. Se a modelo amarrada faz qualquer movimento com as mãos na tentativa de se livrar das cordas, os pés ganham uma presença maior na imagem e vice-versa. Em se tratando de exposição dos pés, calçados ou descalços, a atmosfera podólatra entra com tudo no cenário, principalmente para os fetichistas chamados de “podos-dom” ou outros fetichistas podólatras que apreciam a exibição dos pés, com ou sem cordas.
Entretanto, a simplicidade não é a característica dessa posição.
A ousadia do bondagista quando cria a cena dá o toque de personalização do hogtied. Alguns preferem a amarração na forma clássica, mãos e pés ligados apenas, com isso aumenta a capacidade da mulher imobilizada produzir movimentos mais longos, acentuando os quadris e a bunda. Outros dão ênfase ao cerceamento de qualquer movimento, por isso, preferem a imobilização total amarrando os cotovelos juntos às costas, joelhos e, em alguns casos, os tornozelos também são presos às coxas.
Apesar da preferência pelo estilo hogtied na hora de amarrar a parceira, o bondagista deve ter em conta que esta posição diminui consideravelmente a exposição sexual da mulher. O acesso ao órgão genital fica reduzido pelas características da posição, no entanto, pode sugerir o uso de brinquedos fetichistas, pequenos consolos com vibração eletrônica para dar prazer a quem está aprisionada.
Segura, eficiente e sensual a posição hogtied é o supra-sumo de uma cena de bondage quando realizada com consenso e competência.
Experimente, é de apaixonar...

BOUND SLEEP BEAUTY

Por falar em hogtied, o vídeo de hoje do Bound Brazil trás imagens de cair o queixo.
Não pelo efeito dos nós ou trabalho de cordas especificamente, mas pela participação das duas modelos que protagonizam o filme.
Anna Rodrigues e Milena Lopes fazem a diferença nesse vídeo de dezesseis minutos.
O roteiro mostra o conhecido golpe batizado por aqui de “boa noite Cinderela”, quando Anna coloca sonífero na bebida da amiga para apoderar-se de suas roupas e pertences. Cenas de podolatria no momento do roubo das botas de Milena dão um toque fetichista a mais nesse vídeo.
Na parte final, uma estranha surge para deixar as duas belas garotas imobilizadas num clássico estilo hogtied.
Imperdível.

Um excelente final de semana a todos!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Apenas Obrigado


Hoje não vou falar de nenhum fetiche. Vou agradecer.
Agradecer a todos pela força durante as duas fases de votação para o Bondage Awards 2010.
A todos os leitores que deram um pouco do seu tempo acessando o link para colaborar com nossa luta. Aos assinantes do site Bound Brazil, brasileiros ou não, que votaram uma, duas ou mais vezes indicando a sua musa favorita.
Lembrar da forma honesta como se portaram as duas modelos melhores pontuadas, Terps e Monique, por jamais buscarem uma auto-promoção em suas páginas em detrimento da concorrente. São amigas, trabalham juntas para um bem comum e um sonho maior.
Acima de tudo, queria fazer daqui um agradecimento especial a dois amigos. Amigos esses que não tive o prazer, ainda, de conhecer pessoalmente por conta das voltas da vida e até da distancia. O VH e o MrZ.
Fosse somente por nossa longa convivência cibernética ou por nossa luta conjunta desde os tempos em que os fotoblogs censurados vez por outra eram o único caminho, mas na verdade esses caras compraram literalmente a briga e arregaçaram as mangas para levar aos seus inúmeros seguidores a mensagem que falava da importância de conduzir o Bound Brazil a um lugar de destaque num universo onde a competição é extremamente acirrada.
Em seus blogs ou grupos de discussão e fotografias, com tendências fetichistas totalmente diferentes, eles indicaram o caminho e pediram respeitosamente a todos que viessem até aqui para dar um pouco de atenção à causa fetichista brasileira. Se existe apelo comercial ou não, o que importa de verdade é a manifestação que acontece aqui no Hemisfério Sul, a oportunidade de mostrar ao resto do mundo o que pensamos e o que praticamos.
Se vamos estar no “20 Top List” de cada quesito que fomos indicados não sei responder.
Se vamos além, figurar entre os dez mais, é difícil prever.
Se vamos alcançar os três primeiros lugares e obter uma das três medalhas para durante um ano expor no site, é ainda mais difícil, diria até impossível, já que além dos votos populares um júri de expoentes da cena bondage mundial irá ratificar o resultado e, certamente, alguns aspectos que serão levados em conta podem nos tirar pontos preciosos.
Porém o mais importante foi estar indicado.
E isso só foi possível graças a todos que votaram e aqueles que empunharam a bandeira sem medir esforços e, principalmente, de cara limpa, sem compromissos menores.
Essa sensação de vitória antes mesmo de ver o resultado é fruto de ter presenciado todo esse movimento, ter a satisfação de bater no peito e sentir orgulho de ter amigos assim.

Nosso trabalho à frente do site vai seguir em frente qualquer que seja o resultado, porque hoje, antes de completar dois anos já pode ser considerado vitorioso em vários aspectos, sendo o principal, contar com a simpatia de pessoas que também amam o site, que são capazes de sair no tapa para deixá-lo existir.
Se a medalha vier será de todos e teremos que seguir com o mesmo padrão ou ainda melhor, para fazermos jus à luta dos que ajudaram e confiaram.
Se não vier, significará que o trabalho tem que continuar para que o aprimoramento traga o merecimento de voltar a brigar por ela, contra o que vier pela frente.
Aos que não mencionei aqui por falta de espaço e que declararam publicamente seu voto, como o Escravo Roger, a Letícia, o Léo Vinhas, Professor, o Náuticus e outros, faço uma reverência e me junto às meninas do site que os aplaudem, ainda que tenham as mãos amarradas.

Gostaria de agradecer à Comunidade BDSM deste país, mas infelizmente ela não existe, ainda.
A todos, porém, meu muito obrigado!

Em Tempo: o resultado sai dia 22 de Maio.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A Noite do Sádico


Antes vale uma explicação.
Muita gente me pergunta se algumas histórias contadas aqui no blog são verdadeiras ou fazem parte da imaginação, tanto minha, como de leitores amigos. Na verdade, uma pessoa ligada ao fetiche há tanto tempo como eu, têm em arquivo centenas desses casos, uns que presenciei e outros que soube.
Portanto, trocam-se os nomes dos personagens, retoca-se daqui e dali, mas no final sempre haverá uma ponta de veracidade em várias dessas histórias, como essa que me lembrei e achei interessante contar.
Norberto é sádico, mas não pensem que é um sádico qualquer, o cara é muito sádico mesmo, capaz de cenas extremas e coloca o fetiche acima de qualquer coisa na vida. Figurinha carimbada em qualquer evento na capital paulistana no começo do milênio buscava a todo custo uma parceira que aceitasse suas práticas fetichistas.
A galera que se encontrava uma vez por mês no bar América resolveu fazer uma festinha no dia seguinte na casa de um amigo, enfermeiro, também praticante de BDSM. Muitos convidados e no meio dessa gente nova uma garota loira sentada numa mesa com um casal no canto da sala de estar.
A beleza daquela mulher a todo o momento ajeitando seus longos cabelos era mesmo pra ser reparada. Papo vai papo vem, ninguém notou quando o Norberto já gastava sua saliva ao lado da bela garota sem deixar espaço para outra tentativa de alguém.
Como reunião de fetichistas acaba sempre em samba, bastou alguém apresentar as armas pra começar algumas cenas. Amarra daqui, pinga vela de lá, enfim, dentro do respeito coletivo os mais desinibidos colocaram seus instintos à prova. Foi quando o Norberto levantou-se e se ofereceu a espancar a bunda de uma conhecida submissa presente. Quem sabe na tentativa de mostrar serviço diante do olhar atento de sua “paquera”.
Na sexta ou sétima estalada a submissa entornou o caldo e usou a “safeword” – palavra de segurança que impede a continuação da cena – causando descontentamento no sádico. Só que num impulso repentino a sua companheira de mesa levantou oferecendo-se para o lugar da desistente mulher que ajeitava o vestido.
A surpresa foi geral. Desconhecida pela maioria dos presentes, a garota não demonstrou nenhum constrangimento ao encostar na parede e descer as calças até a altura das coxas sorrindo para o Norberto. Mas foi uma das raras vezes em que vi o cara constrangido, não pela ousadia da amiga recente, mas pelos olhares que repararam o defeito físico numa das pernas da bela garota. Ela era manca.
Mas durou só uns míseros minutos, porque o sádico começou uma sessão de torturas que obrigou o anfitrião a buscar uma caixa de primeiros socorros. Um festival de palmadas e chibatas de todos os tipos que só arrancavam pequenos gemidos da garota, tanto que chegou a ser alertada por uma dominadora presente a respeito da palavra de segurança.

Naquele dia tive a certeza de que o Norberto tinha encontrado a sua metade da laranja.
Os fatos que sucederam aquela noite renderam fotografias de tirar o fôlego, principalmente para os que não têm a veia sadomasoquista. Ele exibia as fotos de suas cenas com os olhos brilhando, sempre acompanhado de sua nova escrava.
Se divertiram muito com tudo aquilo.
Dois anos mais tarde deixei de lado a cena fetichista por causa da vida profissional e por conta disso nunca mais tive notícias do Norberto e sua parceira, mas aquela noite ficou gravada em razão da felicidade de um cara que sempre estudou tudo sobre BDSM, mas era dono de um fetiche tão complicado de entender quanto trazer para a realidade.
Na noite do sádico ele não desafinou e encarou todos os olhares preconceituosos de tanta gente que jamais deveria ter esse tipo de sentimento.