segunda-feira, 30 de junho de 2008

Franco Saudelli a arte de Bondage & Podolatria


Outra vez, transcrevo um texto de Leonardo Vinhas. Desta vez a respeito de Franco Saudelli, um mestre na arte de desenhar mulheres amarradas e seus pés sempre a mostra.

Franco Saudelli é quase desconhecido no Brasil. Também, pudera: o bondage não é um fetiche abertamente comentado na Terra de Santa Cruz, e é justamente esse o aspecto mais chamativo do trabalho deste escritor e desenhista italiano nascido em 1952 em Latina, cidade próxima à Roma, na Itália.

Primeiro, um esclarecimento aos neófitos: bondage é o nome que se dá ao hábito de amarrar o(a) parceiro(a) para exercer domínio consensual através de toques, carícias, conjunção carnal ou até mesmo cócegas, sem contudo atentar contra a integridade física da pessoa. Um sadomasoquismo light, para simplificar. Sabe aqueles filmes antigos em que a mocinha está amordaçada e amarrada aos trilhos de trem enquanto algum vilão estereotipado se delicia com a cena? Bondage é mais ou menos isso.

E quando começou a inserir bondage em suas obras, Saudelli tornou-se sucesso absoluto no meio dos "quadrinhos adultos" na Europa. Depois de trabalhar muito tempo na revista Lanciostory e em outras publicações de quadrinhos underground italianas, Saudelli deslocou-se, em 1983, para a Orient Express e para a Comic Art, duas revistas de grande expressão em boa parte da Europa. Com personagens como o detetive Porfiri ou Rude X e discretas inserções de bondage, o nome de Saudelli - já notário graças à conquista do Prêmio Albertarelli em 1982 - começou a ser reconhecido como um selo de qualidade. A consolidação da fama veio a partir de 1987, com a criação e publicação das histórias da personagem Bionda na revista Comic Art.

Em um tempo não definido, que mistura passado e futuro (com alguns vícios oitentistas no visual algo new wave de alguns prédios, penteados e roupas), Bionda é uma ladra que amarra e amordaça suas vítimas, todas mulheres, e exerce sobre elas um misto de intimidação e fascínio. O que poderia ser um pretexto para um erotismo banal que apenas exibisse mulheres seminuas amarradas como salame torna-se um trabalho singular de arte seqüencial graças ao humor e à arte empregados.

O roteiro de Saudelli apresenta reviravoltas a cada duas ou três páginas, mantendo o suspense mesmo à custa de um humor ora ingênuo, ora cínico. Sátiras ao mercantilismo das empresas européias e ao consumismo são recorrentes, porém o que mais se detecta são divertidas referências aos contos policiais. Já seu traço fino e elegante confere o erotismo necessário aos fetichistas. Saudelli não desenha cordas, desenha mulheres. Não mulheres perfeitas como nos quadrinhos mainstream americanos, mas mulheres comuns - porém transbordando sensualidades. Gordinhas, magricelas, atléticas ou balzaquianas, as damas de Saudelli sempre transbordam volúpia.

Saudelli continua trabalhando até hoje, e Bionda ainda é seu maior sucesso. No Brasil, apenas duas histórias foram publicadas na extinta revista Animal: a clássica Colpo Doppio (traduzida como "Golpe Duplo") e a breve Colpo Di Sonno ("Bionda Cai na Modorra"). Em importadoras, é possível achar álbuns de Bionda ou histórias de outros personagens do autor nas revistas Orient Express ou em edições antigas da finada publicação espanhola Cimoc. Na internet, o caminho para exemplos gratuitos da arte de Saudelli é através do site de busca www.ask.com, bastando digitar o nome do artista na barra de pesquisa.

Vale a pena procurar o trabalho desse italiano que comemora meio século de serviços prestados aos fãs de quadrinhos e aos adeptos do bondage. Saudelli sabe que arte e sexo devem ser divertidos, e deixa isso transparente em seu trabalho. Se você concorda com ele, procure sua arte o quanto antes, e se amarre!

PS - A única coisa que o autor do texto esqueceu de dizer sobre Saudelli, é que em TODAS as suas imagens, os pés, tanto quanto o bondage, são os artistas principais.

www.francosaudelli.com/


Nota: Não concordo com Leonardo Vinhas quando compara Bondage e Sadomasoquismo Light. Cada qual no seu canto ficaria melhor.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Nefer e a Festa FetiXe


Existem pessoas abnegadas com seus projetos e sonhos aos quais se dedicam de maneira full time, deixando a vida de lado e vivendo em função de um caminho que nem sempre se tem a certeza de onde pode dar.
Conheci Nefer há uns quatro anos atrás quando através de um amigo em comum me pediu que cedesse um horário em um bar que eu possuía na época, para abrigar a sua festa semanal.
Vi naquela mulher uma mistura da firme e forte Bárbara Reine criadora do Grupo Somos de São Paulo, com a empreendedora Bela do Clube Dominna. Senti muito mais do que isso quando vi na primeira festa, a presença de pessoas que enfim encontravam abrigo para seus fetiches.
Havia uma organização impecável, mesmo sabendo que só se chegava até onde a grana podia levar. Presenciei sua força e me deixei levar de volta ao mundo do fetiche, à cena dos nós, e vi delirar uma plêiade de podólatras.
Hoje a festa FetiXe(*) é uma realidade e faz parte do calendário nacional de quem é do ramo. Nefer nunca concorreu com ninguém, apenas abraçou a sua causa e a leva adiante até hoje, contra tudo e contra todos, rumando firme e forte muito além de suas próprias possibilidades.
Passados esses anos, vários canais de mídia reconhecem seu trabalho e ela dá cada gota do seu sangue para ter uma sede, um lugar só dela e da sua festa, para onde essa verdadeira turma de seguidores tenha, enfim, seu lugar demarcado e de lá nunca mais possam sair.
Esse Blog em parte deve a Nefer essa citação, que nem de longe pode e deve soar como homenagem porque simplesmente a sua luta continua e sei que jamais vai deixar de acontecer. Minha volta ao mundo do fetiche se deve aos exemplos passados e deixados a cada dia, por cada uma dessas pessoas as quais me referi nesse artigo. Mesmo que parte da intelectualidade hipócrita desse buraco encravado no cone sul da América Latina, siga torcendo o nariz a essa gente simpática que só deseja se misturar com quem gosta do que eles gostam, a Neffer, a Bela e o Podo com sua festa Desejo, pouco vão se importar com essas críticas desmedidas de quem nunca ouviu falar do assunto em pleno século vinte e um. Gente dos canais GNT, que hoje se acham verdadeiros baluartes da intelectualidade, podem achar ridículo um milhão de vezes que um homem se deixe acorrentar e coma comida de cachorro numa casinha, que outro seja pisoteado e por gratidão beije os pés de sua algoz, porém, essa gente jamais vai deixar de por pra fora o que é desejo e a luz do seu tesão.
Portanto, Bárbara, Nefer, Bela, Podo, obrigado por tudo que vocês fizeram e fazem pra que nós, fetichistas assumidos, nunca deixemos de lado a nossa razão de existir.

(*) FetiXe com X é uma forma simbólica de denominar a Cruz de Santo André, muito usada nessas festas de fetiche para apresentações sado-masoquistas.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O Fetiche e o tempo


Um fetichista não fica velho, apenas amadurece e tem como recompensa a experiência do assunto que lhe faz ficar e sentir cada vez mais jovem.
Certa vez, ouvi dizer, não me lembro quem nem quando ou onde, que um fetichista não perde a libido e muito menos o interesse sexual.
É, pode até ser, afinal ainda me sinto bastante jovem e ativo para poder pensar no assunto. Entretanto, cabe sempre aquela pergunta de como será o nosso amanhã. Dirão alguns que “a Deus pertence”, outros sequer pensam no assunto, mas vale a pena imaginar de onde vem todo esse tesão de um fetichista.
Quem gosta de pés e assiste a um comercial de televisão em que os pés ficam em total evidência, liga de imediato a antena. Aliás, fica aqui meu protesto, mesmo que solitário, do por que nos comerciais das famosas e brasileiríssimas Havaianas os belos pés das atrizes não tem um pouco mais de close-up do que se mostra por aí?
Quem gosta de bondage, sado-maso, fica doido quando assiste em um filme uma linda heroína totalmente amarrada e indefesa. Alguns podem pensar que isso só acontecia durante a infância, quando ainda não podíamos praticar nosso fetiche abertamente. Pois eu discordo, até porque isso me excita até hoje, depois de meio século de vida. Que fique registrado meu segundo protesto nessa crônica, porque todo diretor de cinema ou novela que se preze, deveria consultar um mestre de bondage para as cenas que filmam, onde é muito comum ver cordas frouxas em total desrespeito a arte.
Na peça “Nó” da Deborah Colker, um mestre foi consultado para que o trabalho saísse bem feito. Bem, voltando ao fetichista, li uma vez num texto do Carlos Eduardo Novaes que admirar um belo pé, embrulhado em uma sandália de salto bem fino, ficava muito mais atraente quando visto debaixo de uma mesa. Então, os amigos devem concordar que o fetiche é muito abrangente e totalmente infinito, porque conota uma história que um dia teve um início e, na certa nunca terá um final. Portanto, é obrigação entender que o fetichista é um escravo do seu próprio desejo, seja ele ou ela dominador ou não, mas mesmo assim terá seu dia de escravo.
A excitação do fetichista caminha junto com a sua imaginação e por isso tem esse aspecto duradouro, daí o assunto do interesse sexual na nossa primeira linha. As cordas, os chicotes e as sandálias, assim como outros casos que poderíamos citar aqui, desafiam o tempo e os limites, nos levando a pensar de qual seria a nossa reação ao depararmos com um desses instrumentos do fetiche nos anos que virão pela frente. Estejamos certos que esse tesão é eterno, pela simples razão de vir diretamente do nosso “eu” interior. Aquilo que trazemos e que é impossível se desvencilhar ou simplesmente ignorar, faz parte dessa coisa que cresce por dentro e aflora no nosso desejo.
O sexo é a comida, mas o sexo com fetiche dá um sabor muito mais que especial.
Dito isso, vamos usar e abusar da imaginação e deixar o fetiche acontecer, pois sabemos que aquilo que não corre o risco de acabar, é sempre muito mais gostoso.
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terça-feira, 24 de junho de 2008

Como amarrar

videoEsses caras são o máximo. Decidi postar esse vídeo para que todos possam apreciar a técnica e elegancia de como eles produzem os nós. Apresento, pra quem não conhece, "Two Knotty Boys".
Aproveitem!

Tudo sobre Bondage (Parte 3 - Mordaça & Safe Word)


Algumas pessoas mais enérgicas gostam também de ser amordaçadas. Como uma senhora disse "mantém o gás do champanhe". Amordaçar e ser amordaçado excita muitos homens - a maioria das mulheres diz que não gosta, mas a expressão de espanto erótico na cara de uma mulher bem amordaçada, quando descobre que só pode "mugir", é irresistível para os instintos de violação do homem. Além do simbolismo e da "sensação de desamparo", permite à vítima gritar e morder durante o orgasmo, sem se preocupar em se controlar, o que só poderia fazer sem a mordaça se possuísse uma cabana isolada ou dispusesse de um quarto à prova de som. Torna o dirigismo impossível, de maneira que as iniciativas do seu amante estão fora do seu controle. A maior parte dos homens que se excita com isto gosta de ser completamente silenciado. As mulheres ousadas acabam gostando disto após algumas tentativas, se forem do tipo que morde ou se gostarem de se sentir “desamparada” - outras detestam este método e não conseguem o orgasmo. Algumas gostam que seus olhos sejam vendados além de ou em vez de serem amordaçadas.

Mas é difícil amordaçar alguém com uma segurança de cem por cento, exceto nos filmes em que um pedacinho de seda sobre a boca da heroína permite que o herói passe a seu lado, sem ouvi-Ia. Também o "prisioneiro" nunca deve ficar em situação de não poder indicar algo de errado que esteja acontecendo. Um pedaço de pano comprido, que dê várias voltas, bem colocado entre os dentes, ou uma bolinha de borracha fixada no meio de uma fita de três centímetros de largura por um parafuso e porca (a "poire" tradicional dos bordéis franceses) são suficientes. A fita adesiva silencia quem quer que seja, mas é dificílima de tirar. Tudo o que se usar deve ser firme, não interferir com a respiração e ser fácil de tirar se alguma coisa correr mal para o "prisioneiro": se ele sufocar, se sentir mal ou qualquer outra situação de desconforto. Os sinais (isto se aplica a todos os jogos de imobilização) devem ser combinados de antemão e nunca se deve abusar deles ou ignorá-los - a sanção do seu uso ilícito pode ser, por exemplo, ter que "sofrer" mais dois orgasmos amarrado. Um grunhido em código Morse ou sinais como os usados em leilões são boas escolhas. O Código Federal de Segurança deve ser respeitado e colocado bem à vista, no quarto. Reza o seguinte:

1 - Nada pode ser amarrado em volta da parte anterior do pescoço do outro, ainda que sem apertar, e mesmo que seja a seu pedido.

2 - Nada que seja macio ou solto que possa ser engolido, ou qualquer outra coisa não especificada, pode ser enfiada na boca do outro, ou colocado no seu rosto, e qualquer mordaça ou nó. Deve desatar-se facilmente.

3 - Ninguém deve ser abandonado sem ajuda, mesmo que por pouco tempo, especialmente de bruços ou numa superfície macia como a de uma cama. Não adormeçam sem primeiro desatar o amante, sobretudo se tiverem bebido. Não mantenham ninguém amarrado mais de meia hora.

4 - Pratiquem jogos de imobilização apenas com pessoas que conheçam, não só social, mas também sexualmente; nunca um conhecimento ocasional, e tenham cuidado com os jogos de grupo. Isto se aplica tanto a casais como a todos os amantes em geral - algumas pessoas são pouco cuidadosas e outras sádicas.

Além de tudo isto, qualquer tipo de crueldade como amarrar alguém que tenha medo mesmo, cordas apertadas, meter coisas pela boca das pessoas, truques idiotas como pendurar alguém por qualquer parte do corpo. A imobilização como jogo sexual agradável nunca é dolorosa e sequer perigosa, pode claro, ser praticada apenas pela sua agressividade simbólica, mas pelo menos metade da recompensa diretamente física das pessoas que a praticam (e há muitas) reside no fato de a pessoa amarrada ter de lutar contra a prisão e nas sensações epidérmicas e musculares, alem da liberação de certos bloqueios infantis, pelo fato de terem prazer de qualquer maneira. Também ajuda a superação do nosso tabu cultural referente às sensações extragenitais intensas, que pertence ao mesmo tipo de bloqueios. Se tiverem cuidado, as marcas das cordas desaparecem em poucas horas. Queimaduras e hematomas provocados por cordas é conseqüência de falta de jeito - deve-se também ser rápido ao tirar as cordas de modo que o homem não fique tolhido por ter continuado "preso" depois do orgasmo e a mulher possa "voltar a terra" confortavelmente abraçada ao amante. Você pode ser agradável, adequado e simbolicamente impetuoso, qualquer que seja o sexo, sem se tornar mal nem desajeitado, estragando tudo. A receita certa, aqui como em toda a atividade sexual é violência e ternura em proporções iguais. Se não se consegue "sentir" a medida exata de violência que o amante aprecia, é preciso lhe perguntar e tirar vinte por cento, desconto justificado pela diferença entre realidade e fantasia. Qualquer casal que aprecie o amor violento e goste desta idéia, desde que siga as regras, não perderá nada em aprender a executar a técnica de imobilização suave, rápida e eficientemente. Isto não é esquisito nem assustador, mas apenas humano.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Dominação ou Submissão?


Já foi dito aqui antes, aliás, muita gente já disse que o ato de manter uma pessoa amarrada durante o ato sexual é uma relação onde denota a dominação e a submissão. Submeter uma pessoa ao sexo com o domínio através de cordas, com ou sem nós perfeitos, nunca deixará de ser um ato de dominação da parte de quem submete, ou de submissão, da parte de quem é submetido.
Os que buscam os dois lados desse imenso prazer são chamados de switchers, que vêm nas duas faces da moeda a melhor forma de obter prazer.
Um grande mestre da arte de bondage, mais precisamente um exímio praticante de shibari, me disse certa vez que ao mesmo tempo em que exercia o ato de dominar através de seus nós em suas parceiras, buscava ensinar parte da técnica e tinha experiências fantásticas quando essa aluna lhe submetia ao ato sexual totalmente indefeso. Confessou-me também que o fato de ser amarrado por uma pessoa a quem havia ensinado causava-lhe um prazer muito maior, pela razão bem simples dos nós serem muito parecidos aos praticados por ele.
Ao longo desse tempo, presenciei mulheres submissas ao extremo, dentro de uma relação sexual, tornarem-se implacáveis dommes submetendo seus parceiros inclusive em extremas relações sadomasoquistas.
Portanto, a conclusão que se chega ao buscarmos explicações para essas atividades dentro da esfera sexual é que no mundo do fetiche cada dia se dá um passo a mais, seja ele em qualquer direção. Mesmo os que nunca trocaram de lado, buscam enriquecimento através de aprendizado de novas técnicas até o aperfeiçoamento em pequenos detalhes.
Qual homem por mais dominador que seja não gostaria de ser subjugado por duas mulheres durante o ato sexual? Será essa uma forma de entrega, de submissão de um mestre?
O fetiche tudo abriga e nada relega.
Eric Holmann, grande amigo desde 1994, dono do site Helpeless Heroine e tantos outros que vieram na cola, como Cloloformed Gilrs, FM Concepts, e outros, me confessou que sua paixão por pés sobrepunha a sua loucura por amarrar as suas parceiras. Claro que nada lhe tirava as duas coisas, mas tornei-me seu amigo justo e quando lhe traduzi uma crônica do português para o inglês de Carlos Eduardo Novaes, sobre o cheiro dos pés femininos. Pergunto: será que Eric aceitaria participar de uma sessão de trampling com algumas dommes, ou rainhas?
Creio que não, porque não é necessário ser submisso para gostar de pés. Porém, há os que já experimentaram esse lado e se não me falha a memória, alguns esqueceram de vez seu lado dominador.
Essa é a minha opinião, como tudo que proponho escrever aqui nesse espaço, mas gostaria de saber a opinião de cada um que me dá a honra de visitar essa página. Por isso, peço seus comentários, os quais prometo publicar aqui mesmo, com o crédito dado a quem de direito.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Betty Page - Ela começou tudo isso...


Page nasceu em Nashville, Tennessee, segunda filha de Walter Roy Page e Edna Mae Pirtle. Durante os primeiros anos, a família de Page viajou todo o país à procura da estabilidade economica. Na pré-adolescência, Bettie teve que enfrentar as responsabilidades de ajudar na criação de seus irmãos mais novos. Seus pais se divorciaram quando Betty tinha apenas 10 anos de idade. Depois do divórcio, Page e sua irmã viveram em um orfanato por um ano. Durante este tempo, sua mãe enfrentava dois trabalhos, um como cabeleireira durante o dia e numa lavanderia à noite. Como uma adolescente, Bettie e suas irmãs criaram diferentes estilos de moda que imitavam suas estrelas de cinema favoritas. Bettie igualmente aprendeu a atuar. Estas habilidades provaram que anos mais tarde quando sua fotografia se fez necessária, Bettie fez suas próprias composições e estilos de cabelo, posando com biquínis e trajes. Membro vibrante da turma quando estudante universitária de Hume-Fogg, Bettie era reconhecida como um provável sucesso futuro.
Após o casamento seguido do divórcio, Page trabalhou momentaneamente em San Francisco, e no Haiti. Mudou-se para New York City, onde tentou encontrar trabalho como atriz. Entretanto, contentou-se em trabalhar como secretária. Em 1950, passeando por Coney Island, na costa de New York City, Bettie encontrou Jerry Tibbs, um oficial de polícia com interesse em fotografia. Bettie era uma modelo disposta, e Tibbs fotografou Bettie e fez seu primeiro “Book”. Depois que Bunny Yeager fotografou Bettie para a Playboy, e o seu fundador Hugh Hefner classificou Batty Page como a “Playmate” do mês de janeiro 1955, a modelo da Centerfold foi escolhida por dois anos consecutivos a coelhinha da playboy. Em 1955, Bettie ganhou o título de “Miss Pin up Girl of the World."
Quando as “Pin up e Glamour Girls” tiverem freqüentemente as carreiras medidas aos meses de aparições na revista, Page estava na vitrine por diversos anos, continuando a ser modelo até 1957. Embora freqüentemente usasse o nu para posar, nunca apareceu nas cenas com conteúdo sexual explícito. As razões relatam desde esse momento sua passagem do “Pin up e Glamour” para a cena fetiche. Alguns arquivos mencionam as audições de Kefauver na subcomissão do Senado sobre o tema da delinqüência juvenil, que terminou tendo seu fotógrafo e principal incentivador Irving Klaw suspeito de participação em divulgação de fotografias de Sadomasoquismo e Bondage através do serviço de correios, considerado ilegal à época. De fato, o congresso dos Estados Unidos chamou-a para depor e para explicar as fotos em que apareceu. Quando foi dispensada de aparecer perante o comitê, os negativos das cópias de muitas de suas fotos foram destruídos por ordem do tribunal. Muitos anos após, os negativos que sobreviveram foram considerados ilegíveis para imprimir. Imediatamente depois desse fato, Page assinou com o agente de Chicago James Swanson. Três anos mais tarde, quase sem dinheiro e falida por não receber todos os direitos das fotos, Page demitiu Swanson e assinou com o Curtis Management Group, uma companhia que igualmente representava os direitos de imagem de James Dean e de Marilyn Monroe. Começou então a receber os pagamentos que asseguraram sua segurança financeira. Em 1997, a emissora de televisão E! Entreteniment Television's apresentou um programa chamado: A história verdadeira de Hollywood e nele publicou uma legenda intitulada, “Bettie Page: De Pin up à rainha do Sexo”. Pequenos trechos de filmes de Page foram reeditadas em DVD, com os nomes de Varietease/Teaserama assim como uma coleção de cinco clipes chamados Betty Page in Bondage.
Em 2006, Halo Guitars e Betty Page colaboraram para produzir uma edição limitada de guitarras feitas sob encomenda, que foi apresentada em 2007 na mostra de inverno do NAMM na Califórnia do sul. A obra foi feita de forma caseira por Luttier Waylon Ford, pintada pelo artista Pamelina H., e assinada por Bettie Page.
A pergunta porque Betty Page ficou anos na obscuridade após o sucesso como modelo e atriz de filmes de bondage foi respondida em parte com a publicação de uma biografia oficial em 1996, “Bettie Page: A vida de uma lenda”. Sua biografia descreveu uma mulher que encarou a adversidade, olhando sempre para a frente, nunca olhando para trás. Uma outra biografia, a “Bettie Page: A verdade sobre a rainha de Pinups” escrita por Richard Foster e publicada em 1997, descreve uma história menos feliz. Foster desfere ataques sobre seus fãs no livro, incluindo Hefner e Harlan Ellison, assim como descreve Betty Page como uma mulher cercada de mentiras. Entretanto, Steve Brewster, fundador dos Fies Escoteiros e Fãs de Bettie na América, afirma que a reputação de Betty não é nada daquilo que as páginas do livro de Foster quis dizer. Brewster adiciona que igualmente leu o capítulo sobre suas transações do negócio com Swanson e afirma que Page estava satisfeita com a divulgação dessa parte de sua história.
Nos últimos anos, Page contratou uma empresa legal para ajudá-la a conservar alguns dos lucros que estão sendo obtidos com sua imagem. Em 2003, Page foi fotografada com Hugh Hefner em uma festa que comemorava o aniversário de 50 anos da Playboy Magazine. Quatro anos mais tarde, participando do Festival de Miami de Curtas, afirmou ao ver um pequeno curta de sua biografia, que as cenas de violação retratadas naquela película nada tinham a ver com o que foi produzido por ela nos anos cinqüenta.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Tudo sobre Bondage (Parte 2 - Praticando)


Jogos deste tipo (Bondage) são um extra ocasional e opcional de todas as formas de atividade sexual e de cópula, já que o amante amarrado pode ser beijado, masturbado, montado ou simplesmente acariciado até o orgasmo; mas são muito adequados às sensações intensas e quase insuportáveis produzidas pelas carícias manuais lentas e hábeis, tanto no homem corno na mulher. A prisão dá ao amante passivo algo de muscular para fazer, enquanto fica incapaz de alterar o curso dos acontecimentos ou o ritmo e velocidade da estimulação (a que Theodor Reik chamava o "fator de suspense") e permite ao amante ativo levar a mulher, pelo menos, a "alturas" estonteantes (esta pode, quando chegar a sua vez, enlouquecê-lo, demorando ainda mais o processo).
Os amantes experimentados e audaciosos descobrirão logo o contexto adequado à imobilização. Esta surge naturalmente no tipo de batalhas amorosas - tão ao gosto de certas pessoas dinâmicas - em que a mulher finge resistência; no fim, ou ele lhe torce um braço atrás das costas, a amarra e continua com ela dominada - ou então, ela ainda resiste quando o cronômetro toca e ela adquire o direito de amarrá-lo. Também se pode fazê-lo com menos violência e sortear ou jogar "prenda" - de qualquer modo, deve-se fazer por turnos. Outro contexto, para os que fazem jogo de adultos, é simplesmente determinado pelo impulso. Um ou outro pede ou diz: "agora é a minha vez", ou o parceiro de espírito mais empreendedor começa e realiza as suas aspirações.
Pode ser que ele acorde e descubra que ela o virou e que está acabando de lhe amarrar os pulsos; então, já é tarde demais para protestar (algumas mulheres conseguem ir mais longe com um homem de sono pesado). Ou ele pode pegá-la de emboscada quando, vulnerável, ela estiver voltando do chuveiro.
Para que isto funcione como jogo, é evidente que deve ser efetivo, mas não doloroso ou perigoso. Vale a pena gastar algumas palavras com a técnica a ser empregada, visto se tratar de uma fantasia sexual muito popular, ainda que não incluída nos livros puritanos sobre sexo; certa habilidade e cuidado são necessários. Amarra-se um dos parceiros em qualquer cama com quatro colunas, pondo-se uma ou mais almofadas por baixo dele. Este é o método típico dos bordéis, talvez porque não requeira habilidade. Levado a este ponto, inibe os orgasmos de algumas pessoas - algumas preferem ficar com as pernas abertas, mas com os pulsos e cotovelos atrás das costas, ou ser amarradas a uma cadeira ou ficar de pé amarradas a uma coluna. As áreas chaves em que a prisão aumenta a sensibilidade sexual são os pulsos, tornozelos (não tentem encostá-los atrás das costas à força), sola dos pés, polegares e dedos dos pés (as mulheres experientes param no meio das carícias e amarram estes dois últimos com uma tira de couro - se duvidam, experimentem). Há divergências de gosto quanto ao que se deve usar para amarrar. Pondo de lado esquisitices como camisas-de-força ou ligas de escoteiro, há casais que usam tiras de couro ou borracha, fitas de pano, cordões de pijama, laços e até corda macia e grossa. As fitas são o mais prático para mulheres frágeis ou que não saibam dar nós de marinheiro. Devem ter orifícios de centímetro em centímetro. Os lenços triangulares servem para amarrar pés e mãos rapidamente, mas não são muito sexy - e o bom aspecto e o fato de estar bem amarrado é que tornam o "embrulho" atraente para o participante ativo. As meias velhas são um recurso comum, mas numa emergência, é difícil desamarrá-las. Correntes, algemas, etc., são meios rápidos, mas não exercem pressão e machucam quando ficam por baixo. Os aparelhos estranhos vendidos pelos fabricantes de brinquedos para adultos são "para inglês ver", a não ser que só sejam utilizados para fotografias. Se gostarem deles, faça um. Para a maior parte dos casais, um pedaço de corda de varal serve perfeitamente. Cortem-na em cinco ou seis pedaços, de metro e vinte e dois ou três de um metro e oitenta e dêem-lhe várias voltas apertadas - mas sempre com cuidado, para não machucar.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Andrea Neal


Nossos olhos sempre captaram imagens ligadas àquilo que sentimos. Pois bem, essa conversa começa em meados dos anos noventa quando inúmeros sites americanos que espalharam pela internet seus trabalhos, até então relegado ao envio de correspondência com seus anúncios de revistas e vídeos, ao mesmo tempo em que suas modelos tornaram-se verdadeiras obras de arte envoltas em cordas, algemas e mordaças. Diversas vezes sonhamos com elas, flertamos pela tela e tivemos sim, e ainda temos nossas preferidas. Dentro desse universo, garotinhas na época e hoje mulheres de trinta e poucos anos, roubaram a cena em diversos sites que costumávamos freqüentar para apreciar seu desempenho. Apresento-vos então Andréa Neal.
Verdadeira musa e figura carimbada em variados sites de bondage, Andréa Neal hoje perdeu seu espaço e não temos mais a chance de vê-la desfilando seus olhares submissos e todo o desconforto provocado pelas diversas amarrações a que foi submetida.
Atriz impecável pela expressão do olhar, sussurros e gemidos, Andréa Neal fez a lente captar a forma ideal do fetiche, sendo a heroína preferida deste seu amigo escriba aqui e de diversos outros espalhados mundo afora.
Houve outras importantes, mas o olhar de Andréa diversas vezes me serviu de inspiração para minha prática e entendimento de bondage.
Cada um deve ter tido e ainda tem a sua preferida, mas meus olhos por mais sites e fotos que percorram, jamais poderão sequer tecer a teia da comparação, tudo isso porque Andréa Neal pra mim é parte de uma obra de um tempo, tipo aqueles que nossos olhos nunca mais vão encarar da mesma forma.

Entrevista com Isaac W - Por Leonardo Vinhas


Respeito muito esse cara. Conhece a fundo o assunto e as suas entrevistas sempre são de grande importância pra cena Bondage-Podolatria- Fetiches. Reproduzo na íntegra a entevista com um dos mais conceituados produtores de videos dos EUA.


"Entrevista - Isaac W."
por Leonardo Vinhas
Fotos - Divulgação
lvinhas1@yahoo.com.br

São inúmeros os fatores, itens e sensações que podem atiçar e até ferver a libido de um indivíduo. Quando uma situação ou objeto ou parte do corpo vira um desses agentes ebulidores, categoriza-se o chamado fetiche. Existem centenas deles catalogados, muitos ainda não listados, por serem demasiadamente inconfessáveis, pífios ou mesmo risíveis (sei de quem gosta de se fingir de estrela-do-mar durante a cópula). Agora pense: se há tantos fetiches, e existe no mundo uma enorme e rentável indústria pornográfica, por que não haveria pornografia fetichista?

Claro que há, e ela é tão diversificada quanto as preferências e taras da humanidade. Um mundo onde nomes como Andrea Neal, Eve Ellis, Lorelei, Gia Mancini (atrizes), Jon Woods, Derek Barker, David Knight (fotógrafos) e muitos outros são celebridades. Mas ninguém é tão bem-sucedido e singular quanto Isaac W., produtor, diretor, fotógrafo e ator de filmes e ensaios fotográficos de bondage.

Bondage, antes que os sabidinhos apressados confundam, não é sadomasoquismo. Não envolve dor, humilhação ou frustração (ainda que consensual), embora use cordas. Tem mais a ver com aquelas pessoas, que parecem ser poucas no Brasil (mas são muitas ao redor do mundo - os americanos e os italianos que o digam), que desde criança se excitavam ao ver aqueles seriados policiais ou de espionagem em que a mocinha aparecia amarrada ou amordaçada, em uma situação de "vítima", mas que não envolvia crime nem violência direta.

Foi trabalhando com esse imaginário que Isaac W, um americano natural de Chicago, construiu a sólida Centaur Celluloid, produtora de vídeos e também site comercializador de fotos. De saco cheio de seu emprego comum (que ele não revela qual era), Isaac adotou o do-it-yourself ao extremo: comprou uma câmera caseira e começou a filmar e mandar seus vídeos para a Harmony Concepts, companhia que na época reinava suprema no ramo. Fez free lances para ela e em pouco tempo montou sua própria produtora.

A câmera caseira ficou na história. Isaac se profissionalizou a ponto de virar referência para demais cineastas do ramo, e mesmo assim não há quem consiga atingir seu padrão, que chama a atenção até de quem acha que corda só serve para laçar bezerros. O que assegura essa qualidade, além do apuro técnico (atingido mesmo com orçamentos baixos), é sua criatividade combinada com sua capacidade de reciclar (ou distorcer) clichês. Tal qual um Tarantino do bondage, esse ruivo de aparência rocker, mas de fino trato, cria as tramas mais inusitadas a partir dos clichês mais surrados. De sombrias relações entre traficantes e viciados (os filmes H e e, iniciais de heroína e ecstasy) até divertidas contendas entre empregadas domésticas (Maids, Inc.), não há assunto que ele não trate com uma abordagem original e envolvente.

Até temas religiosos já entraram em suas películas - no macabro Pride, uma fanática religiosa decide purgar (à força) os pecados de sua devassa colega de quarto, no que é ajudada por um padre cheio das piores intenções (interpretado pelo próprio Isaac), e ainda há a interferência de uma freira que não concorda muito com o plano, tendo seus próprios planos macabros...

Porém, são nas idéias que revolvem os velhos filmes de espionagem ou intrigas policialescas que Isaac se esbalda. Em filmes como The Money, The Process e Ransomed Wife, não faltam vítimas inocentes, reviravoltas e chantagens. Sempre, é claro, de modo a deixar as mulheres bem amarradas e quietas...

O público delira. Tanto que, embora mantenha em segredo os números, seu trabalho é apontado como o mais procurado da Web. E esse trabalho, além da Centaur, compreende o site que montou com sua namorada, Natasha Flade, e atingiu um sucesso que superou até as mais otimistas expectativas, e outro site que opera por créditos (paga-se por ensaio ou vídeo que se queira assistir), Bondage Athenaeum.

Investindo no sexo explícito que não aparece nas produções da Centaur (e em quase nenhuma outra produção bondagista), Isaac e Natasha conseguiram contrariar todos os costumes carolas ao combinar sexo, relacionamentos pessoais e negócios. Natasha é uma bombshell ao gosto dos sonhos eróticos americanos, e foi trabalhar com Isaac para complementar a renda enquanto estava na faculdade de Direito. Não só virou modelo em tempo integral como passou a namorá-lo. O site que leva seu nome veio depois. O dinheiro não pára de entrar, o público pede mais e o casal ganha mais um motivo para se descontrair com vontade em frente às câmeras.

O Scream & Yell entrevistou esse exemplo de empreendedor moderno, que achou uma maneira de se dar bem licitamente às custas do que ele mais gosta. Extremamente solícito, articulado e inteligente, ele só não contou se um dia vem filmar no Brasil...

Podemos começar dos primórdios: o que fez um fã de bondage virar um produtor de bondage?
Desapontamento com minha carreira profissional foi o fator que me motivou a me arriscar a fazer vídeos de bondage para ganhar dinheiro. Para dar os primeiros passos, comprei uma câmera de vídeo caseira, coloquei um anúncio procurando por modelos em um jornal alternativo local, o Metro Times, e fiz um vídeo com vinhetas de mais ou menos duas horas de duração ao todo. Mandei esse vídeo para a Harmony Concepts, a maior companhia de soft bondage da época (1998). Eles responderam e disseram que meu vídeo era bem precário, mas que eu tinha talento para a coisa. Eles me trouxeram até Los Angeles e eu aprendi o básico com Jon Woods e Chelsea Pfeiffer. Cheguei com um roteiro e esse pessoal me deixou filmar com algumas modelos que eles contrataram, Eve Ellis e Lorelei (nota: megaestrelas da companhia) entre elas. Eles me mandaram de volta para casa em Chicago e me disseram para mandar um vídeo por mês Eu segui diligentemente o que aprendi com eles e produzi uma fita por mês. Após um ano desse jeito, eu criei a Centaur Celluloid.

Você já tinha feito alguma filmagem ou fotografia amadora de bondage antes disso?
Várias. Eu estava mandando fotos para a Harmony Concepts desde 1990. Duas namoradas minhas, Becca e Deirdre, apareceram em ensaios das revistas da Harmony ao longo da década de 90.

Mesmo depois de começar a Centaur, você continuou filmando para a Harmony por mais de um ano. Como foi esse outro período da Harmony?
Fazer freelances para a Harmony foi ótimo como um primeiro passo. Até então, essa coisa da Internet como entretenimento estava apenas ganhando terreno. Essa foi a grande transição para a indústria adulta: mudar de pedidos pelo correio e revistas para a Internet. Com a Harmony foi possível divulgar bem o meu nome, com o mínimo esforço. Tudo que eu tinha a fazer era filmar e mandar o vídeo para eles. Eles cuidavam de toda a reprodução, marketing, pedidos, etc. Era fácil para mim. E nesse tempo eu consolidei minhas habilidades de filmagem e edição. Ganhei confiança em tudo que era necessário para tocar a produção de vídeos. Essa confiança, e a falta de dinheiro proveniente das comissões da Harmony, levaram à criação da Centaur Celluloid. Continuei mandando vídeos para a Harmony durante o começo, não querendo abdicar da parcela de dinheiro que vinha deles. E depois de um tempo, só o fiz para ser um marketing extra do meu nome. Meu trabalho é um pouco mais pesado do que aquilo que a Harmony permite, então não havia muito uma relação competitiva. Finalmente, tornou-se muito trabalhoso fazer vídeos para eles e para mim, e dei um fim à série IW (nota: prefixo que antecedia o título de seus mais de 30 vídeos para a Harmony).

Como você apresentaria seus filmes para alguém que não sabe o que é bondage? A propósito, como você definiria bondage para uma pessoa assim?
Bondage é uma expressão de poder em uma situação mais ou menos sexual. Lidamos com a expressão do poder (dominação) de um homem sobre uma mulher, outras companhias podem centrar seu foco no oposto. O bondage NÃO tem a ver com abuso. Essas fantasias brotam em pessoas de ambos os sexos - Natasha tem fantasias submissas, e eu tenho fantasias dominadoras. Nós trabalhamos juntos para satisfazer os desejos um do outro. As fotos e os vídeos que fazemos são nossa imaginação correndo livre por tramas que envolvem bondage. É tudo encenação, brincadeira. Alguns críticos não compreendem o gênero e acham que estamos encorajando o abuso e estupro de mulheres. Nosso trabalho não tem a ver com isso mais que um filme de suspense encoraja alguém a cometer assassinatos.

Que dificuldades você enfrentou nos primeiros anos da Centaur Celluloid?
As dificuldades foram muitas, mas nenhuma insuperável. Primeiro, eu precisei adquirir conhecimento em ser um webmaster e fazer comércio pela Internet. Isso veio devagar. Quanto à minha fotografia, eu aprendi conforme as coisas foram andando. E minhas fotos no começo eram, bem… eram ruins. O dinheiro era escasso, mas o suficiente para pagar as contas. Eu persisti, segui perpetuamente melhorando a qualidade de todos os aspectos do trabalho. Eu era determinado, ambicioso, e tinha confiança em mim mesmo. Essas qualidades essenciais são necessárias para perseverar no início de qualquer negócio.

Lembro que uma vez houve uma acusação de "exposição indecente", ou algo do tipo, porque você estava filmando em um bosque perto de uma escola local. O que aconteceu exatamente?
Nós filmamos o primeiro filme da Centaur numa área florestada de um parque de Chicago. O parque é muito grande, e a frente dele dá fundos para uma escola ginasial. Filmamos nos fundos do parque, a cerca de 800m da área escolar, no meio do mato. E filmamos durante o horário de aulas, então sabíamos muito bem que as crianças poderiam estar ali a qualquer hora! [Tempos depois] duas repórteres apareceram se dizendo modelos procurando trabalho. Uma delas continuou telefonando e pedindo para ser fotografada numa área silvestre, o que era muito incomum. Quando eu finalmente decidi fotografá-la, uma repórter e um cameraman literalmente pularam em nossa frente, dizendo que eu estava tentando fotografar nudez em um parque público. Eles me mostraram no noticiário (em nada menos que um especial em duas partes) como sendo perigoso para crianças - fotografando pornografia "próximo a uma escola ginasial". A matéria até foi batizada de "pornografia no parque". Eu apareci em um popular programa de rádio, contando o meu lado da história, e até coloquei minha própria versão no site da Centaur. Nenhuma das repórteres envolvidas conheceu Natasha, nem sabia que ela era uma advogada. Ela se juntou a um advogado especializado na Primeira Emenda (que garante a liberdade de expressão pessoal e artística a qualquer cidadão) ameaçando processar o Channel 4 por "exposição falseada" - fazer alguém parecer terrível quando não o é. Chegou-se a um acordo.

Nesse ramo, a criatividade não é muito comum, e seu trabalho a esbanja. Você é freqüentemente citado como o mais criativo cineasta do ramo. De fato, você estabeleceu um padrão superior de filmagem e fotografia. É assim que você vê seu trabalho, você concorda com isso?
Estou muito satisfeito com meu trabalho atualmente. Na arena do entretenimento para adultos, e no subgênero do fetiche, tem muito trabalho meia-boca. E eu sempre me esforcei para filmar e fotografar melhor que isso. Sempre quis que meu trabalho se parecesse mais com Hollywood do que com os vídeos caseiros do tio Ted. Sempre há espaço para melhoria. Há pessoas filmando melhor que eu hoje em dia, e provavelmente sempre haverá. Eu poderia utilizar mais locações, poderia usar uma iluminação melhor. E eu poderia gastar um pouco mais de tempo, de modo que minhas sessões não fossem tão corridas. Mas todo mundo tem que trabalhar dentro das restrições orçamentárias.

Suas tramas também são bastante incomuns. Elas não seguem o clichê "vilão-invade-casa", elas envolvem padres, freiras, namorados ciumentos, tráfico de drogas, canais de TV, empregadas domésticas… É parte da excitação, ou tão fundamental como o próprio bondage?
Eu acho que é essencial para esse bondage de "donzelas em perigo" (damsel-in-distress). Alguns caras se atrapalham filmando cenas muito mal feitas de bondage num filme de Hollywood. Mas o que torna essas cenas eróticas, apesar das cordas frouxas e tudo, é a situação que a envolve, regiamente retratada por uma produção séria. Eu tento capturar um pouco disso, ao invés de apenas amarrar uma garota no chão da sala de estar.

No filme Pride, você usou imagens e elementos religiosos. Culpa católica? (risos)
Fui criado em um ambiente religioso e mandado para escolas religiosas, mas nada especificamente católico. Os católicos simplesmente têm as melhores roupas. Ser não-religioso na minha vida adulta me deixou um tanto rebelde quanto a religiões, mas me certifiquei que a história de Pride girasse em torno de personagens pirados - nenhum padre ou freira em sã consciência agiria como no filme.

Levou um tempo até que você encontrasse Natasha Flade, e o relacionamento de vocês calhou de ser a mais lucrativa, proficiente e bem-sucedida associação entre fotógrafo e modelo já estabelecida.
Nós dois temos sorte. Principalmente eu. Encontrei amor, sacanagem, e negócios, tudo na mesma pessoa! (risos)

O site "Natasha Flade" ficou bastante explícito de uns tempos pra cá. Raramente se vê bondage algo assim na Web, eu até diria que não há nada do tipo, já que o sexo só aparece em sites hardcore. Por que vocês decidiram tomar esse rumo?
Foi uma experiência para ver o quanto seria popular. Quer dizer, nós transamos com a câmera desligada, por que não ligar a câmera e ver se isso dá lucro? Devemos dizer que foi uma mudança de sucesso. E divertida. (risos)

Vocês têm muitos sócios e clientes ao redor do mundo ou a maioria do seu público está nos EUA?
Números exatos são um segredinho nosso, mas divertimos muita gente ao redor do mundo. Cerca de 60% é dos EUA, com a Alemanha ocupando um forte segundo posto. Mas temos clientes de nações tão diferentes como África do Sul, Arábia Saudita, Chile e Tailândia. (nota: e nenhum do Brasil...)

Aqui no Brasil, bondage é uma coisa quase desconhecida, e geralmente confundida com fetiches SM extremos. Aí nos EUA, as coisas parecem ser um pouco diferentes. O bondage é parte das fantasias dos americanos? E por quê ainda é um tabu em países como o Brasil?
Nos EUA, nossa consciência sexual foi escancarada por Larry Flynt (criador da revista Hustler, cuja vida virou um filme dirigido por Milos Forman), o campeão da Primeira Emenda da Constituição e responsável pela aceitação das fotos de sexo explícito. Veja só, publicamente, mesmo hoje muitos falam contra a indústria pornográfica, mas a julgar pelos bilhões de dólares que ela gera, isso é uma prova que a maioria das pessoas gosta dela. A aceitação em ver fotos regulares de sexo nos anos 70 veio por fim ajudar a indústria do fetiche nas décadas seguintes. Realmente, não sei o que dizer sobre o clima sexual do Brasil já que nunca estive aí. Visitei alguns países vizinhos, como Venezuela e Argentina, mas ainda assim uma visita não me dá dados suficientes para fazer qualquer comentário.

Agora você cuida de três sites, e até onde eu sei, é você quem se encarrega de tudo: filmar, fotografar, dirigir, pagar, e editar os sites. Você nunca se cansa? (risos)
Eu e Natasha estamos encarregados de três websites (há ainda Bondage Athanaeum, que comercializa o rebotalho dos outros dois), junto com nossa linha de DVDs. E para falar a verdade, é uma semana de trabalho normal. Não ficamos mais cansados do que qualquer outra pessoa fica. (nota: só que o trabalho deles é bem mais "foda"...)

[Os filmes citados só estão disponíveis para membros filiados aos sites (em versão streaming) ou por compra internacional (em VHS ou DVD). Não há distribuidora brasileira que disponibilize os títulos para o mercado nacional.]

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Tudo sobre Bondage (Parte 1 - Conceito e Iniciação)


Bondage em inglês Ou figottage em francês é a arte não violenta de amarrar o parceiro - não para dominar a relutância, mas para incrementar o orgasmo. É uma técnica sexual não programada, que muitas pessoas acham extremamente excitante, mas têm medo de tentar, e um expediente humano respeitável para aumentar as sensações sexuais em parte porque é uma expressão inofensiva da agressividade sexual - algo de que necessitamos imensamente, devido aos preconceitos da nossa cultura neste campo - mas, mais ainda, por causa dos seus efeitos físicos: um orgasmo lento em situação de imobilidade forçada é uma experiência inesquecível para aqueles que o tentam sem medo da própria agressividade.
"Qualquer imposição à atividade muscular e emocional tende normalmente a aumentar o estado de excitação sexual", nas palavras de Havelock Ellis. Os homens e as mulheres sempre se excitaram com a idéia de obter o máximo uns dos outros e a "imobilização erótica" foi sempre um excitante apreciado. Qualquer herói ou heroína popular que se prezem são amarrados periodicamente pelos pés e mãos, a fim de poderem ser posteriormente resgatados. Num casamento berbere o padrinho amarra a noiva para ela se debater tentando escapar, e é o que tradicionalmente ela deve fazer, para ser amarrada. Fantasias deste tipo são freqüentes na literatura pornográfica escrita e ilustrada (na sua maior parte são absolutamente impraticáveis e dirigidas à retina e não à inteligência do leitor) que age corno um escape para as pessoas que têm problemas de agressividade ou precisam de um simulacro de violação para poder ir para a cama e ter prazer sem sentir culpa. A maioria das pessoas tem vestígios destas necessidades e gostam de dominar simbolicamente umas às outras de vez em quando, ou até de se sentir dominada (sem ofensa para o Movimento de Libertação Feminina, dado que esta necessidade é mútua). Mas os jogos de imobilização são praticados por muitos amantes sérios que desejam sensações e não sucedâneos, preenchendo assim muitas lacunas importantes. Isto exige certa aprendizagem (os primeiros esforços freqüentemente são penosos ou estéreis ou até inutilizam uma ereção por falta de jeito), mas com rapidez e habilidade, muitas pessoas, surpreendentemente, os recomendam para serem praticados ocasionalmente - se não por outras razões, pelo menos porque uma masturbação lenta e realmente bem executada não é possível sem que o parceiro esteja bem amarrado.
Com efeito, uma imobilização verdadeiramente hábil produz resultados sensacionais, do ponto de vista sexual, na maior parte dos homens que não sejam tímidos, quer dando, quer recebendo (como, aliás, qualquer outra técnica que envolva estímulo e simbolismo, o "prisioneiro" sexual bem amarrado não só parece, mas também se sente sexy) - e numa proporção respeitável de mulheres, uma vez que tenham aceitado a idéia; as pessoas que potencialmente poderiam reagir bem a este método podem necessitar de uma preparação cuidadosa, no caso de recearem o seu simbolismo agressivo, mas este tipo de fantasia apenas atemoriza as pessoas cuja concepção de ternura é terna demais. Algumas mulheres de vez em quando precisam se sentir dominadas. Outras gostam dos símbolos de domínio e preferem ser agressivas desde o início. Deve-se amarrar o outro pelos pés e pelas mãos, firme, mas confortavelmente, de modo que ele possa se mexer tanto quanto quiser sem se soltar e, depois, levá-lo ao orgasmo. Além de ser uma sensação sexual excitante, permite a muitas pessoas (que não o conseguem de outra maneira) o descontrole total. Pode ser que berrem no momento crítico, mas vão gostar muito (a habilidade, aqui, reside em distinguir os ruídos que exprimem mal-estar - pulsos torcidos, cãibras ou outras dores - e as manifestações normais do êxtase; os primeiros significam "Pare já" e os outros "Continue, pelo amor de Deus, e faça-me acabar").

sexta-feira, 13 de junho de 2008

As melhores




Antes de completar uma semana, me vem a cabeça colocar aqui algumas fotos que foram as mais acessadas no fotoblog ( http://amarradinhas.nafoto.net).
Gostaria da opinião dos que ajudam a construir esse espaço para a eleição da melhor entre as melhores nos últimos dois meses. A foto à sua esquerda é da Anna, a foto central da Thays e a foto à direita é da Nathalia.
Portanto, aí vai. A escolha é sua e vale o seu comentário.
BlogBlogs.Com.Br

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Bondage & Podolatria



Existem várias formas de expressar o desejo por pés, porém basicamente encontramos entre os podolatras três diferentes ângulos de gostar de pés.
Primeiro vamos passar pelos podolatras submissos, aqueles que gostam dos pés de baixo para cima, tendo-os como objeto de prazer e adoração. Um podolatra submisso gosta de ser pisado, aceitar ordens e, principalmente, ser conduzido a esse fascínio pela dona dos pés que o domina. A ele sequer importa a relação sexual de introduzir o membro na vagina para atingir o clímax. A própria submissão e o momento da dominação se transformam no clímax para esse tipo de podolatra. Admiram lindas sandálias e desejam sempre estar sob domínio delas. Geralmente, esse grupo não tem tanta preferência pelo tipo de pé que ele admira e venera, pois busca na podolatria uma forma expressa de submissão total e absoluta.
Existe o grupo de podolatras que admira os pés da mulher dominada, subjugada e que seus pés estejam inteiramente a sua disposição. Esse grupo é um pouco mais exigente e jamais aceitaria adorar um pé ou ser pisado. Eles gostam de “bound feet” ou seja, de pés bem amarardos e cuidados, em alguns casos com cordas atando os dedos. Gostam de lindos calçados e precisam ter a dona dos pés à sua inteira disposição para atingir o clímax. São muito mais tímidos ao tocar no assunto podolatria do que os submissos e jamais estariam dispostos a dividir o pé de sua parceira com os demais.
Há também o grupo daqueles que apenas gostam dos pés e que não querem ser dominados ou dominar ninguém. São apenas podolatras e pronto. Adam nas ruas como os outros tipos de podolatras admirando os pés que passam, porém são discretos demais para expor seus desejos. São muito mais inibidos que os podolatras dominadores e buscam os pés pelo conceito da beleza natural do que no calçado que reveste o pé.
Em todos os tipos de podolatras vamos encontrar diversas maneiras de atração do que as citadas aqui. Por exemplo, existem casos de podolatras em que o cheiro dos pés é a principal atração. Há também os submissos que adorariam serem ordenados a beijar e lamber os pés sujos de suas donas para sentirem-se humilhados e há os podolatras dominadores que adoram tirar um pé bem cuidado de um calçado e deliciar-se com o cheiro que um sapato novo deixa na sola dos pés.
Nisso tudo, porém, há um só conceito e vários caminhos para aqueles que dedicam aos pés um status de órgão sexual capaz de virar a cabeça de qualquer pessoa que se embriague com esse desejo. É importante ressaltar que de cada dez homens podolatras, existe uma mulher que tenha tesão em um pé alheio, seja de um homem ou até mesmo de um belo pé feminino. Nas mulheres encontramos geralmente aquelas que adoram ter seus pés beijados, adorados, sentindo-se objeto do desejo e prazer.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Sonhos com nós


A idéia sempre foi apresentar um trabalho de bondage resultado de toda a experiência acumulada em simples relações sexuais, troca de idéias e visualização do trabalho de terceiros. Por que seguir um padrão? Não que seja regra seguir o que está estampado em inúmeros sites americanos que usam o fetiche como simples forma de obter lucro rápido, aliás, típico “american way of life”, ou mesmo contratar modelos com certa experiência em fotografia, alguém famoso e competente para dentro de estúdio tirar essas fotos, enfim, nada disso supera ou superou o sonho de chegar até aqui.
A forma que encontrei de mostrar meu trabalho e minhas idéias a respeito do assunto, foi realizar em pessoas comuns, sem muito know-how de cenários, sem tanta técnica fotográfica e sem muito glamour.
Juntei pessoas comuns, como cada um de nós, que vivem no dia a dia, trabalham, estudam, e olharam o fetiche a principio de forma curiosa e aos poucos ajudam até na troca de idéia quanto às imobilizações.
Procurei a forma mais simples de imobilização, mas ao mesmo tempo com um apelo visual que faça vistas aos olhos daqueles que têm acompanhado o trabalho. Tenho hoje entre dez e doze modelos e pretendo sim, num futuro próximo, lançar esse trabalho em uma página de internet fechada, onde não haja limite para publicação das fotos e se possa, com o tempo, agregar alguns vídeos.
Claro que um trabalho nesses moldes não poderá ser “free of charge”, porque gera despesa, denota tempo e as pessoas que agora se juntaram, sonham com algum estrelato, alguma forma de chegar a “ganhar algum”, até mesmo como recompensa de terem acreditado que um simples sonho com nós, poderia virar realidade.
Bem, aqui estou eu, no alto dos meus cinqüenta anos completados ainda este mês, tentando fazer um sonho virar realidade, ter reconhecida tamanha dedicação com algo que realmente gosto e que me atrai cada dia mais.
O trabalho vai continuar e o que espero de imediato, em curto prazo, nada mais é que a troca de idéias, o olhar atento de cada um e a observação nua e crua de quem conhece o assunto, ou mesmo que esteja familiarizado com o tema.
A sugestão principal é que cada um que visite este blog tenha um canal de debates e mande suas publicações sobre o assunto. Experiências serão bem vindas, críticas construtivas serão levadas em conta, porque quem tem na veia o fetiche, tem também o dom da auto-ajuda.
Que o fotolog seja visitado e as atualizações apreciadas, onde cada um possa olhar a técnica e aplicar com a sua parceira. Esse é o resultado que se espera para um trabalho de bondage, alimentar o sonho e aguçar a vontade de cada um.
Que mulheres acessem e que algum dia alguém mande uma mensagem dizendo: “gostaria de ser modelo deste site”. Por que não? Afinal, sonhar não custa nada, ainda mais quando se tem a absoluta certeza de que essas mesmas linhas que agora me atrevo a escrever, também começaram de um simples sonho com nós.

ACM/RJ

terça-feira, 10 de junho de 2008

Na hora de falar do Fetiche


Muito fetichista conhece parceiros (as) em encontros, palestras, workshops ou clubes de fetiche, entretanto, há os que conhecem parceiros (as) fora do mundo do fetiche, pessoas até, que nunca ouviram falar de BDSM, Podolatria, bondage e outros. Porém a coisa rola, segue em frente e vem a inevitável paixão fazendo com que essa relação torne-se duradoura e afetiva. Haverá um momento em que ou o fetiche entra direto na relação, ou a relação vive sem o fetiche, ou simplesmente acaba, sem que sequer tenha havido menção a esse tipo de assunto.Dentro dessa ótica, é condição de sobrevivência da relação que haja uma conversa franca e aberta a respeito do assunto. E como abordar o tema? Claro que aqueles que vivem nesse mundo e tem o fetiche na veia, tentarão de todas as maneiras encontrar uma brecha para levar ao conhecimento da parceira (o) o assunto. Nessa hora, ideal seria usar da sinceridade e colocar na conversa todo o sentimento sem esconder uma vírgula, para que não se comprometa a relação. Risco maior seria deixar esse assunto de lado e tentar convencer aos poucos a pessoa ao lado, da necessidade da relação sexual acompanhada de certas “taras” e manias pouco compreendidas pela sociedade. Na verdade, um (a) fetichista não pode ter vergonha de expor seus anseios e buscar o limite da pessoa com quem se relaciona, mesmo sendo um assunto muito delicado para quem nunca ouviu falar. Não há maneiras de imaginar um convívio com alguém onde exista uma mentira quase impossível de esconder. Todavia, por mais que essa parceira (o) tente realizar as fantasias do casal, sempre haverá um limite a ser observado, assim como numa relação onde haja os dois fetichistas. Entra então o principio fundamental da consensualidade, onde o direito do primeiro termina quando o do segundo começa. Fetiches como podolatria são muito mais fáceis de expor do que alguns outros como o próprio SM. Para uma parceira, não é empecilho algum colocar uma bota, uma sandália e entrar no mundo do fetiche. Porém, fica um pouco mais complicado quando se vai para o trampling, quando existe o fetiche por chulé ou até mesmo quando se fala em dominação. Mas nisso tudo sempre haverá acima de qualquer coisa o gostar, que muitas vezes leva a pessoa a adentrar na vida de quem está junto, buscando uma maneira de encaixe onde as duas peças possam fluir com harmonia. Para isso, existem os clubes e os encontros, onde essa pessoa que está conhecendo um mundo novo, poderá sair de dentro de quatro paredes e observar que esse mesmo mundo abriga muito mais pessoas do que aquela com quem está se relacionando. Acima de tudo, há que se ter muita confiança a quem se expor na hora de conversar a respeito de tema fetiche. Não que ser fetichista seja algum demérito ou algo parecido, apenas porque deve ser pensado que você estará levando ao conhecimento de alguém algo que até então estava reservado a você e a um grupo seleto de amigos e amigas, os quais vivem sobre as mesmas regras e conceitos. Nunca espere pela benesse da pessoa a quem se está confiando esse segredo. Ninguém se deixaria amarrar e ser chicoteada (o) por alguém pela simples razão de realizar algum desejo secreto. Uma relação fetichista tem que ser plena e duradoura e não pode deixar a desejar em momento algum, sob pena de corroer de forma irreversível. Há casos em que o fetiche é pleno quando a relação começa e desaparece quando se aprofunda. Isso porque o fetichista jamais perderá o interesse, enquanto a parceira (o) poderá um dia achar tudo isso muito chato e monótono.
Concluindo, é muito mais fácil entrar no assunto do fetiche com alguém que se gosta achando que o tema a ser abordado é muito normal e, que ser fetichista não significa que você tem um monstro guardado pronto a sair a qualquer momento, causando sofrimento a quem possa estar ao seu lado. Ser fetichista é ser uma pessoa como outra qualquer, desde que cada um saiba viver dessa forma sem atropelar o sentimento dos outros e, acima de tudo saiba se impor, principalmente, conhecendo a fundo o mundo do qual faz parte. O importante é ser feliz e viver o momento do prazer intenso ao lado da pessoa que se ama, mesmo que seu tesão possa parecer estranho aos olhos de quem nunca ousou experimentá-lo.

ACM/RJ

Agosto de 2000


Fazia frio quando cheguei a São Paulo naquela noite de Agosto.
Havia recebido um convite da Bárbara Reine, pessoa do mais alto caráter e conhecimento do BDSM aqui por essas bandas. Há algum tempo, Bárbara dava a cara à tapa, mostrando a muita gente que havia espaço para que as pessoas pudessem viver um pouco do seu fetiche.
Quem começou tudo foi a Myrta, uma pessoa meiga, submissa gentil que conhecia desde os tempos do chat da Mandic...”Que tempos aqueles”.
O evento era na livraria Futuro Infinito, pois o Somos não tinha um endereço fixo, mas sua alma abrigava gente de todo lado.
Pouca gente conhecia meu trabalho, pois desde que chegara de Amsterdam, havia resolvido levar minha vida solitária e fazendo meu trabalho de bondage com modelos brasileiras, para algumas revistas americanas.
Ao meu hotel vieram a Bárbara, a Myrta, o André Votan e a DelMonica. Sob o olhar atento da Bárbara, realizei um pequeno trabalho de bondage na DelMonica e acho que foi suficiente para tranqüilizar a Rainha de que eu poderia abrilhantar seu evento no dia seguinte.
Uma vez aprovado, comecei a palestra que a principio achava que seria para uma “meia dúzia” de curiosos, mas os olhares e ouvidos atentos daquelas inúmeras pessoas me fez ver pela primeira vez que eu não estava só e, havia muitos outros por esse país a quem poderia dar um pouco da minha contribuição aprendida mundo afora.
A força do André Votam foi importante, assim como o Klaus, o Átila do Shibari, que me acolheram como se ali estivesse um filho pródigo, há muito afastado do ninho.
A Nana, escrava do Átila foi uma das modelos, a outra não lembro bem, mas tudo correu como eu havia planejado, ou seja, com muita doutrina e prática. Pessoas que mal conhecia vieram e praticaram como o Ramsés, a Justine, a Renata, Anja Cruel, e tantos outros que a memória me trai.
Desde essa tarde fria num dia de inverno paulista, outros tantos encontros vieram até que a vida me empurrou pra dentro do meu mundo profissional de tal forma, que hoje me sinto prisioneiro dos meus próprios nós.
Poderia falar aqui das Play-parties, realizadas as Segundas numa boate em Moema e depois de tantas tardes e noites do Valhala. Foram mais de dois anos depois do meu primeiro encontro na Futuro Infinito, mas a primeira dose reserva sempre o doce sabor da bebida.
Prefiro guardar comigo esse momento, mesmo sabendo que depois dele conheci uma outra pessoa organizada e atenta como a Bela já nas dependências do Valhala, digna herdeira do feudo fetichista. Tantas outras pessoas importantes vieram e se foram, muitas são as lembranças, até mesmo com o pessoal do Rio na antiga Arroba Louca.
Hoje, colaboro com o BDSM como colunista tendo a plena consciência que meus nós ficaram na lembrança desses dias inesquecíveis.
Fico aqui lembrando do Klaus que dizia com muita sabedoria que os nós unem, mas levo comigo as palavras da Bárbara que me disse assim: “talvez você não faça idéia do quanto foi importante sua presença aqui, nesse workshop. Mas esteja certo de que te adradeço por cooperar com meu sonho”...
Essas palavras realmente me fazem acreditar que um dia tudo poderá ser possível novamente.

ACM/RJ

O que é bondage?


Love Bondage


Quando as pessoas falam de “Love Bondage”, que alguns chamam de “Bondage Americano”, essas pessoas comumente têm visões de homens mascarados batendo uns nos outros. Então, vale lembrar de quando eram crianças assistindo aos programas infantis onde as atrativas heroínas eram capturadas e amarradas indefesas, esperando pelo resgate de algum herói. Se essas cenas capturaram a sua imaginação e dessa maneira você enxerga o seu fetiche, na certa sabe do que estou falando.

Em minha visão pessoal, “Love Bondage” é quando uma donzela (estamos falando em termo muito coloquial, mas não há outra definição apropriada) está em perigo, com a liberdade privada por seu algoz. Esse é o sentimento de ser capturada, ou do captor, que é o meu caso. Esse é um jogo de sedução, um pequeno estímulo entre dois adultos que consentem que isso aconteça.

Entretanto, quando as pessoas ficam mais adultas, sempre encontram maneiras de aperfeiçoar seus jogos e, ao mesmo tempo, idéias podem ser trocadas entre parceiros, alimentando ainda mais esse fetiche. Assim, em se tratando de um jogo consensual, é muito gostoso de praticar. Esse jogo torna-se inoperante? Já ouvi isso de pessoas que têm desejos masoquistas ou até mesmos de dominadores, mas essa é a questão.

Os adeptos de jogos sádicos e masoquistas deverão entender que o termo BDSM foi criado porque tudo isso é parte de um grande conceito, ou seja, fantasias e fetiches que se completam, apesar de navegarem por mares em paralelo. Os amantes de jogos de bondage podem ter tendências sádicas ou masoquistas, daí criar-se-ão condições de aperfeiçoamento de idéias onde cada um traz um pouco da sua imaginação para dentro desses jogos. Raptar uma pessoa consensualmente é um jogo de “Love Bondage”, mas manter essa pessoa pendurada por corrente, aplicando-lhe castigos dolorosos, é parte de um contexto sádico e masoquista, apesar de ter começado por um simples seqüestro imaginário sem importar por que caminho iria seguir. Sexualidade é sexualidade e, bondage pode ser o começo de uma relação sado-masoquista.

Uma relação de jogos de SM não dá conta do alinhamento dos nós e sequer a forma como a parceira é imobilizada. Nos jogos de “Love Bondage” e a amarração do “Shibari” a corda é artigo fundamental. Nesses fundamentos é importante ressaltar o quão imensa é a atração de pólos opostos. Ao ver uma mulher totalmente amarrada, o dominador pensará nas diversas formas de tortura que lhe seriam aplicadas, enquanto os jogadores de “Love Bondage” estariam imaginando todo um mundo de carícias sexuais que levariam aquela mulher ao delírio. As marcas do açoite atraem o sádico, as marcas deixadas pelas cordas são as libidos do jogador de “Love Bondage”.

Muita gente imagina essas diferenças para erguer um muro entre os dois fetiches. Apesar de nascerem do mesmo instinto, na medida em que avançam, aos poucos vão se tornando duas paralelas que jamais se encontrarão novamente. Porém, um fetichista deve e tem a obrigação de entender o fetiche alheio, porque se é preconceito achar que um simples jogo de “Love Bondage” é uma perversão, também será preconceito tachar uma atividade sexual mais violenta, pelo simples fato de não ir ao encontro de suas idéias. Um simples “tapinha na bunda” não está longe de ser uma chicotada.

Finalizado, melhor deixar a imaginação fluir junto com as tendências que cada um traz desde os tempos dos desenhos animados. O que é nosso não se renega, e o que é dos outros não se contesta.

ACM - RJ