segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Estúdio, Bondage e…


Não fui à praia no Sábado passado, nem ao Piscinão de Ramos, claro.
Sábado foi dia de Bondage.
Acho que desde o começo deste blog devia a alguns leitores os detalhes dos bastidores do site Bound Brazil. Assim, quem sabe agente inventa uma promoção e coloca um leitor, ou leitora, no Estúdio atrás das câmeras?
Nosso dia de gravação começa cedo. Toda a luz tem que ser aproveitada assim como o tempo disponível, nosso e das modelos. Elas chegam dispostas, algumas sabem como a banda toca e ajudam as novatas, dão “toques” o que acaba facilitando o trabalho.
Com o roteiro na mão e muita idéia na cabeça, levei para o estúdio número 2 três belos exemplares do sexo feminino, daquelas dignas de reverencia em via pública. Scarlet, a malvada irrequieta, interpretou uma cabeleireira displicente e sacana diante de suas clientes. Débora havia marcado horário e tinha pressa, reclamou e levou a pior. A estreante Emanuelle apareceu de saída de praia com um micro biquíni, pronta para uma passada rápida no salão e seguir seu destino.
É fácil de adivinhar onde esta história termina...
Sem seguida no estúdio número 1, Carolina entre algemas e correntes posava para um photo clipe. Em trajes minúsculos a bela morena reclamou do ar condicionado e achou lindo o set.
Daí pausa para colocar alguma coisa no estômago, afinal saco vazio não fica em pé. A parada foi de mais ou menos duas horas e ainda faltava um vídeo a ser produzido.
Apesar de o verão sugerir biquínis e trajes mais despojados eu prefiro trabalhar com temperaturas mais amenas. Um amigo me disse outro dia que as garotas ficam mais soltas nos dias mais quentes e a conseqüência disso são resultados mais ousados, porém os trajes mais comuns em outras estações do ano, como botas, meias de seda, indicam outro tipo de conotação com o fetiche e as mulheres não esfriam com a temperatura.
Esse intervalo deveria ser filmado. Todos deveriam ver que fetichistas reunidos é sinônimo de piadas e histórias das mais hilárias que deixam as modelos tão a vontade que mesmo após a gravação e o rango nem pensam em ir embora. O dia vai passando e agente quer que ele nunca chegue ao fim. Faz bem a alma e ao coração.
De volta ao estúdio o Carlos gravou um vídeo daqueles de baixar a adrenalina com uma debutante com jeito de veterana, tamanha foi sua identificação com o fetiche. Prefiro falar da Daniela na próxima Sexta quando o vídeo vai estrear, aliás, é bom que se diga que de tão bom resolvi “furar fila” e deixar pra depois outras pérolas. Dá pra imaginar...
Seis da tarde e hora de cada um seguir seu destino.
O Sol seguia aceso lá em cima e o calor cumpria seu papel e ainda insistia em castigar. Cansado, mas feliz, fui pra casa com aquela sensação de dever cumprido deixando aquele gostinho de repetir tudo de novo... Depois do Carnaval tem mais, com certeza.

A noite chegou e me mandei pra Niterói. Engraçado como moro distante, mas não desgrudo de lá. I Love Nikiti...
Ao meu lado uma razão mais que suficiente para pegar a ponte escutando “Soda Stereo” com um sorriso de dar inveja. (Você estava linda...)
Tipo assim: nada como terminar um dia perfeito com alguém que tem a perfeição como a característica mais acentuada.
Voltei nos primeiros minutos de um Domingo tão quente quanto à véspera cheio de lembranças e por conta disso escrevi essas linhas, para quem sabe ficar um registro de como um dia pode ter tanta importância e ser guardado pra sempre...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Timidez


Toda vez que te olho crio um romance, te persigo, mudo todos instantes.
Falo pouco, pois não sou de dar indiretas, me arrependo do que digo em frases incertas...
Muita gente conhece esse pedaço de letra de musica, um sucesso da década de oitenta na voz da banda Biquíni Cavadão.
Porque falar em timidez é como chover no molhado, principalmente para quem é tímido. Mas como acabar de vez com a timidez?
O primeiro passo é deixar a vergonha de lado, com o tempo é claro, e ter consciência das dificuldades sem medo de tentar ser extrovertido. E é aí que o bicho pega, porque a pessoa tímida se vê em maus lençóis diante de uma situação em que precise ser direto.
Faz tempo que venci a minha timidez, e mesmo ganhando um rótulo de libertino justamente por me expor sem medos, garanto que é possível viver melhor mesmo que suas atitudes causem estranheza e deixe pessoas boquiabertas.
A sensação é muito legal, vai desde o friozinho na barriga quando começa até o prazer de se sentir autêntico no fim da história.
Vai que de repente a timidez impeça que você expresse seus sentimentos com a liberdade que eles merecem; daí com toda a certeza escapa a possibilidade de uma oportunidade às vezes em retorno. Por isso é fundamental ser um “sem vergonha” e contar com a sorte de mirar no peixe e acertar no gato.
É aquela velha certeza: quem não arrisca não petisca e para que isso aconteça à timidez deve se mudar pra bem longe, de preferência sem dar noticias.
Algumas vezes é preciso ter uma “bengala” de apoio ao lado, buscar em alguém a força necessária para mudar radicalmente como se fosse um espelho. Um fetichista tímido literalmente deixará seu tesão trancado na gaveta se não conseguir se libertar da timidez.
Engana-se quem pensa que a timidez só aparece em público, porque ela fica evidente até entre quatro paredes, quando é mais perigosa. Como imaginar um podólatra com a timidez tão evidente que não consegue confessar a sua parceira que gosta de chulé? Existem casos reais que chegam a ser inimagináveis, mostrando até que ponto a timidez pode atrapalhar a vida das pessoas.
E sabe quem tem a cura para essa “doença”? Nós mesmos, através da convivência com a realidade de pessoas que há muito tempo deixaram a timidez tão distante que nem se lembram mais desses dias infelizes.
Relaxe, discuta, fale abertamente o que sente e o que pensa, o caminho é mais ou menos por aí, pelo menos comigo funcionou a tal ponto de poder escrever essa matéria sem medo de ser feliz.

BONDAGE NO TRABALHO

Até que ponto uma atração sexual comandada por um fetiche pode mexer com a cabeça das pessoas?
Duas mulheres em seu local de trabalho, uma bondagista que aprendeu com seu namorado a brincar com cordas e mordaças, vê na amiga uma boa chance de praticar e se tornar conhecedora do fetiche, pronta para chegar em casa e exibir todo seu vasto repertório a seu parceiro.
Esse é o tema do vídeo “Bound and Gagged in The Office” que o Bound Brazil exibe essa noite.
Com excelente performance da estreante Helena e da bela Gretta, o filme de dezesseis minutos vai mexer com a cabeça dos assinantes com cenas de muita sensualidade, ação e, principalmente fetiche.
Acompanha um “photo set” com as melhores cenas. Imperdível!

Ótimo fim de semana a todos!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Quinto Elemento


Desde a época dos Egípcios, dos Celtas, dos Romanos, dos Gregos e de outras civilizações animistas, os elementos da natureza foram divinizados e a eles associados vários deuses de onde se extraíram rituais e símbolos misteriosos com finalidades, muitas vezes heterodoxas, para benefícios próprios, de uma sociedade ou simplesmente com fins especulativo.
A terra, o fogo, a água e o ar...
Será que como fizeram essas antigas civilizações ainda preservamos esses importantes elementos para as nossas gerações futuras?
Há tempos que destruímos o que de graça recebemos e nunca poupamos esforços pra isso, assim como em nossas próprias vidas, no momento em que mandamos pelos ares o que nos é necessário.
Considero o quinto elemento a vida de cada um que habita este planeta. Nele escrevemos nossa história, guardamos nossas lembranças e falamos de nossas lendas pessoais. Colecionamos amigos e os deixamos para trás da mesma maneira como vieram. Vivemos paixões e sofrimentos na mesma escala de proporção, mas sempre lamentamos as coisas más deixando o bem de lado como se fosse obrigação da vida nos cobrir de bons momentos.
Assim caminha o ser humano e suas incertezas.
Ninguém é perfeito, claro, e basta fazer apenas uma reflexão pra descobrir quanto.
E o que nos dá prazer? Como tratamos nossos desejos?
Nem sempre dispensamos a eles um tratamento digno de um elemento às vezes vital a nossa própria sobrevivência. Porque quando o fetiche aparece não são raras as vezes que o desprezamos e preferiríamos viver sem ele.
Depois somos obrigados a conviver por ser mais forte que nós mesmos, porém aceitamos a segregação a que somos submetidos nos meios sociais sem luta acabando por nos entregar ao silêncio.
Viver o fetiche na solidão e anonimato não é demérito, é necessidade, o que não pode existir de modo algum é a falta de respeito com o próximo ou a simples ignorância de aceitar o desejo alheio.
Um dia é possível que se possa fazer uma escolha e, quem sabe, o universo num momento único faça essa concessão, entretanto há que haver a preservação, da mesma forma como os elementos da natureza precisam de nós, do nosso carinho e respeito, temos que ter dignidade com nós mesmos aceitando o que aos olhos dos outros parece defeitos, como virtudes que alcançamos ao longo da vida.

É preciso saber conjugar o verbo além da primeira pessoa e viver em comunidade e, porque não dizer, em comunhão.
Trazer de volta quem ficou esquecido lá atrás e dar mostras de sentimento, só assim é possível construir um caminho que vai além das fronteiras fetichistas.
Vida, mundo e natureza. Talvez essas três palavras nunca estiveram tão ligadas quando nos dias de hoje, afinal vivemos num mundo onde a natureza já não se renova com a mesma velocidade como outrora por culpa exclusiva de nossos atos impensados e sem sentido.
Se quisermos mudar esse quadro, basta começar a fazer uma leitura correta de nossas vidas e de nós mesmos, pois como bem sabemos somos produtos do meio em que vivemos. Podemos mudar os hábitos e escrever nossa história num lugar melhor, aproveitando o que a vida nos dá sem medo, valorizando sempre cada segundo o ar que ainda podemos respirar para viver enfim, nossos grandes momentos regados a tudo aquilo que nos dá um imenso prazer.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Estranhos Fetiches


Alguém já ouviu falar em test drive de consolo?
Aconteceu mesmo e é fato real. Uma dominadora da bela e nada pacata cidade do Rio de Janeiro tinha um escravo que de tanto gostar do uso de consoladores, tornou-se test drive dos variados modelos que a excêntrica domme colecionava.
Os brinquedos eram testados pelo jovem fetichista e uma vez “aprovados” passavam a ser parte da estranha coleção da Senhora. Há testemunhas que comprovam esse fato inusitado.
Não se pode negar que algumas dessas manias se mostram estranhas até para quem vive no mundo fetichista.
O cidadão se veste como homem, mas gosta de usar sapatos femininos. Desde sandálias Melissa até saltos tipo agulha são parte de seu vestuário e não é difícil vê-lo passear vestido dessa forma, como em algumas festas com temática não fetichista. Seu fetiche: transar com mulheres como se fosse uma lésbica.
Homens que disputam quase aos tapas as calcinhas e meias usadas que aparecem em profusão em sites de anúncios grátis pela Internet. Eles fazem as perguntas e elas respondem a todos quase de forma programada. Garantem a originalidade do objeto, o cheiro e a aparência. Como qualquer mercadoria existe prazo para entrega e a garantia do dinheiro de volta em caso de devolução por não estar de acordo com o apresentado.
Me intriga saber onde um sujeito com esse fetiche guarda esses objetos que compra pela Internet? Se a privacidade do comprador tem a mesma conotação da vendedora, essa regra não serve para o local de armazenamento do produto. Talvez no fundo do armário, quem sabe?
E por falar em armário, me recordo de um caso de um cara que gostava de ver sua mulher transando com outro na cama do casal. Bom, até aí nada muito anormal, afinal diversas pessoas têm esse fetiche, porém o bom cidadão queria assistir tudo devidamente trancado no armário em frente à cama e lá dava conta de sua realização sexual masturbando-se de forma solitária e invisível.
Neste caso, o valete com sorte que se deliciava com sua bela mulher não sabia quem era o fetichista misterioso que assistia a tudo por uma fresta entre as portas do armário.
A lista desses fetiches estranhos é imensa e cada leitor poderia citar vários casos.
Mulheres que fazem sucesso com celulite perante homens que adoram bundas com verdadeiras crateras lunares, meninas que tiram orgasmos longos com vozes de locutores de rádio à noite, tudo isso é parte de universo quase paralelo que habita a imaginação das pessoas e é capaz de ficar incógnito durante uma vida inteira.
Assumir um fetiche comum é complicado e confessar essas taras esquisitas é muito mais.
Executivas de bancos ou do mercado financeiro de uma forma geral que imperam com voz ativa e de liderança em suas empresas, não se consideram masoquistas, porém não conseguem um bom resultado na cama sem levar um barulhento tapa no rosto.

Lembrando daqui e dalí, recordei uma amiga louca por canetas tipo BIC, sua única e perfeita fonte de orgasmo mesmo com um namorado cheio de tesão ao lado. Ele podia participar das preliminares até a caneta entrar em ação...
Podólatras que se masturbam e ejaculam dentro de sapatos usados, meias de seda que se transformam em troféus, colecionadores de pelos pubianos de prostitutas, fazem parte de um mundo que pouca gente conhece, mas que gira e se renova nas sombras todos os dias, nos mais diversos lugares.
Muitos dirão: cada um no seu quadrado. Concordo e assino em baixo e ao mesmo tempo confesso que se tivesse alguma queda por um desses fetiches estranhos dificilmente deixaria alguém saber...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Damsels in Distress (O Roteiro de uma Aventura)


Quando se fala de fetiche a distancia entre o irreal e o palpável encurta quando é possível ver, escutar ou ler alguma coisa que funciona como um link de atração.
Basta ser fetichista para pensar assim.
Hoje recebi por email um desses roteiros impossíveis de não serem filmados e transformados em histórias estilo “Damsels in Distress” (Garotas em Perigo).
Há tempos converso com o autor desse texto e ouço suas idéias as quais processo no subconsciente e transformo nos vídeos que produzo. Mas esse texto nasceu diferente e com vida própria, assim como um capitulo de um seriado com requintes de “crueldade” capaz de deixar à beira da morte qualquer bondagista que se preze.
Então chega de introdução e vamos direto ao assunto: com a palavra meu parceiro e amigão Carlos Alberto, produtor assistente e ator do site Bound Brazil.

A Clínica

Três belas mulheres trabalham numa clinica de estética luxuosa, provavelmente uma das mais famosas da cidade. Junior, um sujeito bem sucedido, rico, mas que tinha por hobby roubar mulheres, num puro exercício de cleptomania, as deixando amarradas e amordaçadas.
Como já havia freqüentado aquele local em busca de um relaxamento, percebeu que ali seria um ótimo e fácil lugar para ganhar um bom dinheiro e ainda se divertir um pouco com as três mulheres, mas para isso, precisaria estudar minuciosamente o dia a dia daquele estabelecimento.
Depois de avaliar o local, verificou que o dinheiro era deixado em um cofre dentro da clínica e depositado somente as sextas pela manhã, portanto, o melhor dia para ele seria na quinta no final da tarde.
Ciente de tudo, e com o plano já em sua cabeça, bastava agora executar. Ele então telefonou e marcou um horário com uma funcionária, já sabedor que naquele momento estaria apenas uma das meninas, pois as outras duas sempre desciam para fazer um lanche, pois já havia terminado o expediente, e, então, pegou suas cordas, seus panos, colocou tudo em uma mochila e foi fazer o serviço.
Chegando lá, foi atendido por uma bela funcionária que educadamente lhe recebeu perguntando o que pretendia, e como resposta, foi surpreendida ao perceber que o homem estava armado. Ela tentou correr e gritar, mas foi impedida por ele que a segurou e tapou sua boca encostando a arma em sua barriga. Mandou que ela ficasse quieta, pois não queria machucá-la e a garota tremula de medo, balançou a cabeça concordando e foram até um dos cômodos da clínica. Lá foi deixada seminua, amarrada e amordaçada. Passou a torturar a menina com ameaças, enquanto aguardava a chegada das outras duas.

Quando, rapidamente, sentiu a porta abrir, largou a menina amarrada e se escondeu. Era a outra funcionária chegando sozinha. Ao ouvir gemidos, ela correu para o cômodo onde estava sua amiga e assustada não sabia o que fazer, mas nem deu tempo, pois rapidamente foi dominada por ele, e ouviu que se fizesse alguma coisa as duas iriam se dar mal. Imediatamente a amordaçou, e mandou que ela desse dois passos para a frente, virasse para ele, e bem devagar tirasse a blusa, após isso, ele a pegou de volta e a levou para um outro cômodo, deixando-a também amarrada ali.

Só restava a ele esperar pela gerente, pois somente ela sabia o segredo do cofre e como estava demorando mais do que o previsto, o que o estava incomodando, foi até uma das meninas e mandou que ela ligasse para sua gerente para saber o que ela estava fazendo e porque estava ainda fora da clínica, então teve a certeza que ela já estava no elevador. Amordaçou novamente a menina e foi para trás da porta esperar pela gerente.

Mal ela entrou foi dominada e levada para ver como estavam suas funcionárias, muito assustada e ciente que a sua vida e a das suas funcionárias estavam em risco, decidiu cooperar e abrir o cofre para entregar tudo ao bandido, que encantado com a sua beleza, a aterrorizava ainda mais dizendo que além do dinheiro a queria também.

Já com tudo de valor em seu poder, ele a deixou quase despida, amarrada e amordaçada. Brincou com seu corpo e a levou até onde estava uma das funcionárias e a jogou ali. Depois foi no outro cômodo e pegou a outra menina para juntá-la as outras duas.

Com as três totalmente indefesas, imobilizadas e aterrorizadas, ele se despediu prometendo voltar, caso elas fossem à delegacia.

Saiu comemorando mais um feito, e além de ganhar um excelente dinheiro, também se divertiu, a seu modo, com três lindíssimas mulheres que com o tempo decidiram se mudar, já que não havia paz para seguir trabalhando ali.


Por Carlos Alberto

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Na Conta da Severina


O cara estava vidrado numa linda mulher que acabara de chegar ao bar.
E dava para ver detalhes, afinal era começinho de noite de verão com céu ainda claro e o Bar do Bardo é muito bem iluminado.
Coçava a orelha, apontava o celular na direção das pernas torneadas da dita cuja num disfarce perfeito, ninguém notava enquanto ele fingia que lia recados ou procurava algum número. O sujeito na maior cara de pau não dava pinta de modo algum. Ao seu lado, na mesma mesa, homens e mulheres num papo animadíssimo e ele totalmente em outro mundo, cara grudada no telefone, mas os olhos percorrendo da ponta do dedão do pé até a bainha da mini-saia.
Ela trajava uma micro saia jeans e uma sandália de salto médio daquelas com duas tiras feito as havaianas. E para piorar a situação toda vez que se esticava para pegar alguma coisa no balcão, ficava na ponta dos pés expondo solas limpinhas como se tivesse saindo do banho. A saia subia junto com a flexão dos pés e com um pouco de esforço dava até pra ver a cor da calcinha...
Impossível não perceber e como barata não desce escada de salto alto, aquela bela mulher já tinha notado que o cara não lhe tirava os olhos.
De repente alguém do grupo onde ela estava levantou e ela sentou naquele banco alto de balcão bem na frente do cidadão. Maldade pura. Dava pra ver o sadismo em seus atos...
Daí ele perdeu a linha e o disfarce foi pro espaço. Ajeitou-se na cadeira e grudou no vácuo da mulher que conversava com os amigos e matava o infeliz aos poucos com cruzadas de pernas de quebrar vidraça.
Claro que se eu estava percebendo e ela vigiava seu olhar, seus amigos e amigas aos poucos foram notando as atitudes do cara que fitava a bela morena clara como se fosse um filme no epilogo. Chamado às falas pelas pessoas de sua mesa, deu com os ombros e fez-se desligado com a cabeça em outro lugar, só que este local estava a apenas uns seis metros diante do seu nariz e sem se dar conta estava dando bandeira.
É bom que se diga que afastar um fetichista de sua imagem favorita é um problema dos mais sérios, e quanto mais ele se apaixona pela visão fica mais difícil quebrar o “vinculo”. O descontrole é quase certo se o cenário for aquilo que o fetichista anseia e mesmo sem saber se há reciprocidade ou não, absorve na mente cada momento que ficou diante da cena.
E o Bar do Bardo ficou pequeno pra tanta “emoção” e lá pelas tantas o sujeito nem se importava com nada só com aquelas pernas cada vez mais indecentes e descontraídas.
Mas a garota era mesmo de parar o transito. Dirão as más línguas que o cabelo era assim ou assado, que os olhos não eram lá essas coisas, mas as pernas pareciam sido esculpidas por uma artista em sua mais profunda inspiração.

Como um pernólatra assumido confesso que olhei também, não com a mesma volúpia do meu concorrente, mas guardando o mesmo desejo. E era bacana ver a disposição do rival com os olhos colados naquelas pernas e pés vociferando os piores palavrões para seu subconsciente quando alguém cruzava seu campo de visão e dava também pra notar a cara de poucos amigos nessas horas.
Nessa altura do campeonato acho que dava mais importância a reação do sedento fetichista que para aquelas pernas perfeitas. Era visível a insatisfação dos seus amigos diante dos fatos.
Só desliguei quando me cutucaram para me chamar a atenção por estar tão distante de tudo como aquele sujeito. Aí me dei conta que tinha que mudar de estação para entrar em sintonia com o que estava ao meu redor.
Ver uma expressão fetichista sempre me tira do sério. Gosto de analisar comportamentos e comprovar a felicidade que o cara exibia diante de uma imagem perfeita. Mas imaginem se ele pudesse tocá-la o quanto lhe faria ainda mais feliz? Quem sabe é melhor nem imaginar porque daria uma dor de corno de doer...
Sei que era hora de ir embora e pagar a conta, por isso fiquei com ódio da pobre da Severina que melou a noitada da galera porque queria ir cedo pra casa.
Essa está literalmente na conta dela...
Pensando bem foi melhor não saber o fim da história para o bem dele e, claro, para minha própria noite de sono.